O português deixou de ser um idioma exclusivo de comunicação entre a comunidade portuguesa radicada na Venezuela e passou a ser uma língua que é aprendida por todos, colocando novos desafios a Portugal.

Em entrevista à Lusa, o porta-voz do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua considera que esta alteração do português num idioma de comunicação que “é aprendida por todos de igual forma”, o que “é muito importante para a autoestima e para aquilo que é o estatuto da língua na Venezuela”.

João Neves, vogal do conselho diretivo do Instituto Camões falava à Agência Lusa ao finalizar uma visita à Venezuela, em que acompanhou a secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, e visitou várias escolas de português e a Universidade Pedagógica Experimental Libertador (UPEL, onde se formam os professores).

“Nós temos perfeita feita noção, no que diz respeito às questões da promoção da língua e da cultura portuguesa na Venezuela, que a dinâmica que caracteriza esse movimento aqui é talvez das mais interessantes que temos neste momento”, começou por explicar.

Nesse sentido precisou que “essa dinâmica” exige “um acompanhamento estreito” das autoridades portuguesas.

Por um lado, há “a questão da oferta, conseguir que o português seja oferecido em um número crescente de instituições, no sistema educativo venezuelano, ao nível básico, secundário e do ensino superior e desse ponto de vista os indicadores que temos são extremamente positivos”, frisou João Neves.

Segundo o porta-voz do Camões, há actualmente quase 40 professores de português no ensino básico e secundário venezuelano e “um número de alunos que rapidamente irá ultrapassar os 4000” o que significa “níveis de crescimento muito interessantes”.

Portanto, a estrutura de oferta de português foi reforçada e consolidada para abranger “todos os sectores da sociedade a venezuelana e em particular a nossa comunidade”.

Segundo João Neves, para alargar a rede de ensino, como segundo eixo, “é importante ter conteúdos e materiais” que o sustentem, por isso foi feito, no último ano, “o maior investimento de sempre na Venezuela, e um dos maiores investimentos ao nível de países na entrega de material didático”.

“Nós fizemos um investimento na ordem dos 75 mil euros, apenas em material didáctico que está a ser distribuído gratuitamente nas escolas por forma a garantirmos que quem está a aprender português tem pelo menos acesso a um manual e a material didáctico que sustente a sua aprendizagem”, frisou.

O terceiro eixo, disse, é “o das infraestruturas que também é muito importante” num país onde o português faz parte do currículo oficial por ser, para as autoridades educativas, um saber valioso e relevante, para os jovens.

João Neves esteve na UPEL, onde em breve será instalado o segundo Centro de Língua Portuguesa, financiado pelo Camões, que funcionará como “uma âncora” para o alargamento do ensino do português fora da Capital, em estados como o de Carabobo, Arágua e Portuguesa.

“Uma outra estratégia é a da formação de professores, que este crescimento seja sustentado numa estratégia de professores formados localmente, venezuelanos e lusodescendentes, pessoas que trabalharão cá. E, ao mesmo tempo estamos a garantir que a língua é também um factor de empregabilidade não apenas a nível da docência, mas também de áreas estratégicas como a tradução e interpretação”, disse.

O ensino, disse, tem duas questões essenciais uma abordagem do português como “língua de herança em que fundamentalmente serve a comunidade emigrante, como factor de reforço da sua coesão, identidade”.

Além disso, o português como idioma de comunicação internacional constitui “uma língua estratégica, onde se vê o futuro”, uma “língua estrangeira para os venezuelanos, para quem a fala e a aprende” e geradora de oportunidades.

Esta dupla perspectiva, explicou, foi percebida nas visitas aos colégios, onde encontrou lusodescendentes satisfeitos por aprender a língua dos pais e comunidades muito satisfeitas por terem instituições de ensino que acautelam essa ligação através da língua.

Mas também jovens que mantém uma identidade própria e estão muito contentes (como uma lusodescendente de 12 anos) “porque agora os outros (colegas de escola, venezuelanos) também aprendem a sua língua”, acrescentou.

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