O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, vencedor do Nobel da Paz deste ano, disse hoje sentir-se “honrado” e “encantado” e considerou que este foi “um prémio dado à África”.

“Creio que outros líderes em África pensam que é possível trabalhar nos processos de construção da paz no nosso continente”, disse o jovem líder etíope, numa breve conversa por telefone com as instituições do Nobel.

Muitos etíopes já estão a manifestar a sua alegria com a entrega do prémio Nobel da Paz ao primeiro-ministro reformista e alguns até estão a mudar as suas fotos de perfil, nas redes sociais, para a de Abiy Ahmed.

Mesmo aqueles que pressionaram Abiy a fazer mais, elogiam-no agora.

O ativista proeminente Jawar Mohammed diz que o prémio é “um reconhecimento merecido, por aquele responsável ter acabado com o impasse sem sentido com a Eritreia” e por encerrar um dos conflitos mais antigos de África.

Mas acrescentou que ainda resta muito trabalho para garantir a “transição pacífica e bem-sucedida da democracia na Etiópia”, alertando que as realizações regionais de Abiy dependem da paz interna de seu país.

Guterres diz que paz na Etiópia alimenta esperança de “estabilidade” na região

O secretário-geral das Nações Unidas aplaudiu hoje a atribuição do Nobel da Paz ao primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, pelo seu papel na reconciliação da Etiópia com a vizinha Eritreia, que disse alimentar a esperança de “estabilidade” na região.

O acordo de paz entre os dois países “abriu novas oportunidades para a segurança e a estabilidade na região e a liderança do presidente Ahmed forneceu um formidável exemplo aos países de África e de outros lugares que procuram superar as resistências do passado e colocar o interesse do povo em primeiro lugar”, afirmou o responsável da ONU, António Guterres, em comunicado, a partir de Copenhaga, onde participa num encontro de grandes cidades sobre o clima.

Guterres recordou que se refere frequentemente aos “ventos de esperança que sopram com mais força em África” e o primeiro-ministro etíope é uma das razões para isso.

O líder da Organização das Nações Unidas afirmou-se honrado por ter presenciado a assinatura do acordo de paz entre a Etiópia e a Eritreia no ano passado, que colocou um fim a um dos conflitos mais duradouros de África.

O prémio Nobel da Paz foi hoje atribuído ao primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed Ali, informou o Comité Nobel norueguês.

De acordo com o comunicado divulgado pelo júri, o prémio foi atribuído ao primeiro-ministro da Etiópia pelo “seu importante trabalho para promover a reconciliação, a solidariedade e a justiça social”.

O prémio também visa reconhecer “todas as partes interessadas que trabalham pela paz e reconciliação na Etiópia e nas regiões leste e nordeste da África”, sublinha a nota.

“Abiy Ahmed Ali iniciou importantes reformas que proporcionam a muitos cidadãos a esperança de uma vida melhor e de um futuro melhor”, acrescenta o comunicado.

O Comité Norueguês do Nobel acredita que é agora que os esforços de Abiy Ahmed merecem reconhecimento e precisam de incentivo.

No ano passado, o prémio foi atribuído ao médico congolês Denis Mukwege e à ativista de direitos humanos Nadia Murad devido aos esforços dos dois laureados para acabar com a violência sexual como arma nos conflitos e guerras de todo o mundo.

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