Frasco da vacina Astrazeneca contra a Covid-19 - FOTO: JOSÉ SENA GOULÃO / LUSA

A Comissão Europeia disse hoje aos Estados-membros que a vacina da AstraZeneca é, apesar dos riscos, uma “parte importante” do portefólio de fármacos da União Europeia (UE) contra a covid-19, apelando a coordenação sobre o seu uso.

“A vacina da AstraZeneca é uma parte importante do nosso portfólio de vacinas e é uma parte significativa das campanhas nacionais de vacinação e dos nossos esforços para fazer face ao impacto da covid-19”, declarou a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides.

Intervindo na Conselho informal de saúde de hoje, convocado de emergência pela presidência portuguesa da UE, a responsável indicou que “é essencial que haja uma abordagem europeia coordenada”, isto apesar de as “decisões sobre as campanhas nacionais de vacinação e sobre quem vacina com que vacina” caberem aos países.

Stella Kyriakides pediu, assim, “uma abordagem que não confunda os cidadãos e que não alimente a hesitação vacinal porque se baseia na ciência”, classificando tal tomada de posição entre os 27 como “fundamental para que se possa falar a uma só voz em toda a UE”.

“A segurança sempre foi inegociável e um requisito fundamental para que qualquer vacina chegasse aos mercados da UE e, por este motivo, estou grata à ministra Marta Temido pela iniciativa de nos reunir hoje”, adiantou a comissária europeia da tutela.

A presidência portuguesa do Conselho da UE promove hoje uma reunião de emergência, por videoconferência, dos ministros europeus da tutela, que se realiza depois do anúncio público das conclusões do relatório do Comité de Avaliação do Risco em Farmacovigilância da Agência Europeia do Medicamento (EMA) sobre a segurança da vacina AstraZeneca.

A agência europeia divulgou que existe uma “possível relação” entre a vacina contra a covid-19 da farmacêutica AstraZeneca e a formação de “casos muito raros” de coágulos sanguíneos, mas insistiu nos benefícios do fármaco face aos riscos de efeitos secundários.

Para Stella Kyriakides, “a experiência da AstraZeneca mostra que o sistema de farmacovigilância funciona”, já que “as suspeitas de efeitos secundários são comunicadas rapidamente, a informação é partilhada e os peritos reúnem-se rapidamente para avaliar o caminho a seguir”.

Por isso, apelou a que as decisões dos Estados-membros, apesar de natureza política, sejam “baseadas na ciência e numa avaliação científica rigorosa dos riscos e benefícios”.

Stella Kyriakides afirmou ainda aos países da UE que “o mundo está atento” à campanha de vacinação comunitária.

“E devemos ter em mente que AstraZeneca é a principal vacina a ser exportada para países de baixo e médio rendimento” pela UE, adiantou.

Dados divulgados pela responsável na ocasião revelam que, até esta manhã, 15,4% dos adultos europeus receberam uma primeira dose da vacina contra a covid-19, havendo 6,4% foram totalmente vacinados.

Ao todo, mais de 108 milhões de doses foram entregues à UE, num ritmo médio de mais de um milhão de vacinações que ocorrem todos os dias (dadas as mais de 11 milhões de doses foram administradas na última semana).

Atualmente, estão aprovadas quatro vacinas na UE pela EMA: Pfizer/BioNTech (Comirnaty), Moderna, Vaxzevria (novo nome da vacina da AstraZeneca) e Janssen (grupo Johnson & Johnson, que estará em distribuição em meados deste mês de abril).

Relação entre vacina AstraZeneca e coágulos sanguíneos “plausível mas não confirmada”, diz OMS

Uma ligação entre a vacina contra a covid-19 da AstraZeneca e o desenvolvimento de uma forma rara de coágulos sanguíneos é “plausível mas não confirmada”, indicou hoje a Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Com base na informação atual, uma relação causal entre a vacina e a ocorrência de coágulos de sangue com plaquetas baixas é considerada plausível, mas não é confirmada. São necessários estudos especializados para compreender plenamente a potencial relação entre a vacinação e os possíveis fatores de risco”, diz a OMS num comunicado do Comité Consultivo sobre a segurança das vacinas.

O organismo, diz no comunicado, analisou casos, raros, de coágulos no sangue com plaquetas baixas após a vacina da AstraZeneca, e analisou também as últimas informações da Agência Europeia do Medicamento (EMA) e da Agência de Medicamentos e outros Produtos de Saúde do Reino Unido.

Os peritos da OMS acrescentam que vão continuar a recolher mais dados mas salientam que, embora preocupantes, os casos em avaliação são “muito raros” entre as quase 200 milhões de pessoas que em todo o mundo receberam a vacina da AstraZeneca.

A OMS salienta que é preciso avaliar o risco desses “acontecimentos adversos” em relação ao risco de morte por contrair a doença covid-19, doença que no mundo já matou pelo menos 2,6 milhões de pessoas.

Afirmando que são comuns efeitos secundários nos três dias após a vacina a OMS refere vários sintomas que devem levar as pessoas a procurarem um médico.

“A OMS está a monitorizar cuidadosamente o lançamento de todas as vacinas covid-19 e continuará a trabalhar em estreita colaboração com os países para gerir os riscos potenciais, e a utilizar a ciência e os dados para impulsionar a resposta e as recomendações”, refere a organização no comunicado.

O Comité Conjunto de Vacinação e Imunização, um organismo de apoio ao governo britânico, defendeu hoje que as autoridades devem oferecer uma vacina alternativa à AstraZeneca contra a covid-19 às pessoas com menos de 30 anos, devido aos sinais crescentes de que pode provocar tromboembolismos.

Também hoje, a EMA divulgou que existe uma “possível relação” entre a vacina contra a covid-19 da farmacêutica AstraZeneca e a formação de “casos muito raros” de coágulos sanguíneos, mas insistiu nos benefícios do fármaco devido às graves consequências da pandemia.

FP (ANE) // ZO // MDR

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