Os recursos do planeta para este ano esgotavam-se esta segunda-feira, se todos os países consumissem como a média dos portugueses, segundo os cálculos da organização “Global Footprint Network”.

Segundo a organização independente, fundada em 2003, a partir de segunda-feira o país teria de viver a crédito dos recursos futuros.

Os dados sobre a pegada ecológica de Portugal, actualizados pela associação ambientalista portuguesa Zero, em parceria com a “Global Footprint Network”, indicam que, se cada pessoa do planeta vivesse como uma pessoa média portuguesa, seriam precisos mais dois planetas para sustentar as necessidades de recursos.

Assim, a área produtiva disponível para regenerar recursos e absorver resíduos, a nível mundial, esgotava-se já na segunda-feira, um dia mais cedo do que em 2019.

E a partir de segunda-feira teriam de ser usados recursos naturais que só deviam ser utilizados no próximo ano.

A Zero frisa em comunicado que os cálculos são anteriores à pandemia de Covid-19, que nos últimos meses quase parou o país, e admite que a actual situação poderá colocar a data “um pouco mais tarde”.

“No actual contexto, esta é mais uma oportunidade de reflexão sobre como podemos contribuir enquanto individuais e sociedade, para uma retoma com uma pegada menor. Portugal é, há já muitos anos, deficitário na sua capacidade para fornecer os recursos naturais necessários às actividades desenvolvidas (produção e consumo). O mais preocupante é que ´dívida ambiental´ portuguesa tem vindo a aumentar”, diz a Zero no documento.

Para reduzir a dívida ambiental portuguesa a associação afirma que o consumo de alimentos (32% da pegada global do país) e a mobilidade (18%) são das actividades que mais contribuem para a pegada e que por isso é nelas que tem de haver intervenção.

Sugere a organização ambientalista que se aposte numa agricultura variada e que valorize os ecossistemas (preservando solos e reduzindo a poluição e uso de água), que se aposte no teletrabalho e nas reuniões virtuais, e que se invista em transportes não poluentes, como a bicicleta.

E propõe ainda que se regulamente no sentido de que os produtos colocados no mercado sejam sustentáveis. “Por exemplo, implementar normas de durabilidade, garantias do direito a reparar e actualizar, de reutilização e reciclabilidade”.

A Zero sugere também, em termos de práticas individuais, a redução da presença de proteína animal na alimentação, o uso de transportes colectivos (ou andar a pé ou de bicicleta) e o consumo de forma mais circular, mudando o paradigma de “usar e deitar fora”.

A pegada ecológica avalia as necessidades humanas de recursos renováveis e serviços essenciais e compara-as com a capacidade da Terra para fornecer tais recursos e serviços (biocapacidade).

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