Populares aguardam a chegada do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (ausente na foto), ao Palácio Presidencial, no segundo e último dia de visita oficial à Guiné-Bissau, em Bissau, na Guiné-Bissau, 18 de maio de 2021. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O Presidente português divulgou hoje uma mensagem após encontrar-se em Bissau com os líderes dos partidos guineenses PAIGC, Madem-G15 e PRS, afirmando ter “sublinhado a relevância do aprofundamento da democracia” e “respeito pelos direitos humanos”.

Marcelo Rebelo de Sousa recebeu os líderes do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e Partido da Renovação Social (PRS) hoje à tarde, na residência do embaixador de Portugal em Bissau. Estas reuniões não constavam do programa da sua visita oficial à Guiné-Bissau.

Numa nota divulgada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, destaca-se que o chefe de Estado se reuniu com o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, “tendo salientado a importância da relação fraterna e amiga dos dois países e dos dois povos, que vai bem além da conjuntura de cada momento e perdura para além das contingências do dia a dia”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, (D), durante uma reunião com o líder do Partido de Renovação Social (PRS), Alberto Nambeia (E), na Embaixada de Portugal, no segundo e último dia de visita oficial à Guiné-Bissau, no Palácio Presidencial, em Bissau, na Guiné-Bissau, 18 de maio de 2021. JOSÉ SENA GOULÃO/POOL/LUSA

Segundo a nota da Presidência da República, nessa ocasião Marcelo Rebelo de Sousa também sublinhou “a relevância do aprofundamento da democracia, respeito pelos direitos humanos, liberdades fundamentais e do Estado de direito, no quadro do desenvolvimento social e económico em benefício do bem estar das populações”.

“O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa recebeu, imediatamente antes, separadamente, delegações do Madem-G15 e do PRS, dois partidos políticos que suportam o atual Governo guineense, com quem discutiu igualmente as relações bilaterais e outros assuntos de interesse mútuo”, lê-se na mesma nota.

Marcelo Rebelo de Sousa nunca tinha estado na Guiné-Bissau como Presidente da República. Chegou na segunda-feira à noite para uma visita oficial que termina hoje ao fim do dia – a primeira de um chefe de Estado desde 1989.

Portugal deve ser mais criterioso na abordagem de determinadas questões – PAIGC

O líder PAIGC, Domingos Simões Pereira, afirmou hoje que Portugal deve ser mais criterioso na forma como aborda determinadas questões e que não está em guerra com o Presidente português.

Domingos Simões Pereira, presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), falava no final de um encontro com o Presidente português na residência do embaixador de Portugal, em Bissau.

“Eu não estive nunca em guerra com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Não há aqui pazes entre gente que não está em guerra”, disse Domingos Simões Pereira, quando questionado se tinha feito as pazes com o Presidente português.

O líder do PAIGC explicou que se tratou de um encontro de cortesia e que serviu para “explicar melhor” a posição do partido sobre a visita oficial que Marcelo Rebelo de Sousa fez a Bissau.

O Presidente português iniciou segunda-feira uma visita oficial a Bissau, que termina hoje, e que foi criticada pelo PAIGC.

“A visita de qualquer estadista português é sempre um momento muito especial para o povo guineense, contudo há a necessidade de se ter atenção para não emprestar oportunidades de branqueamento, que não devem ser aceitáveis”, apontou Domingos Simões Pereira.

Para o líder do PAIGC, a Guiné-Bissau tem atualmente um “regime autoritário, um Presidente da República autoproclamado, e que se baseia em algo que ele próprio intitulou de simbólico para a partir daí tomar um conjunto de decisões que vão contra” a Constituição da Guiné-Bissau.

“Mas tudo isto já era do conhecimento do Presidente Rebelo de Sousa. Chamamos a atenção para a necessidade de Portugal ser mais cuidadoso e mais criterioso na forma como aborda determinadas questões”, salientou.

“Muitas visitas podem ser mais uma visita, a visita de um dignitário de Portugal pode e deve significar bastante mais, porque tem uma responsabilidade histórica, e é à volta dessa responsabilidade histórica que tem de se posicionar, senão fica desfasado e aí é complicada”, sublinhou.

Para Domingos Simões Pereira, é importante o chefe de Estado português perceber “quais são os desafios que o povo guineense enfrenta e como é que Portugal deve equacionar essa parceria, que de facto deve existir”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, cumprimenta populares no segundo e último dia de visita oficial à Guiné-Bissau, no Palácio Presidencial, em Bissau, na Guiné-Bissau, 18 de maio de 2021. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O líder do PAIGC salientou também que o regime democrático não se faz sem o respeito da lei e, por isso, os deputados do seu partido no parlamento recusaram participar no encontro com o Presidente português.

Segundo Domingos Simões Pereira, Portugal tem obrigação de saber que o atual chefe de Estado guineense não tomou posse numa assembleia legalmente constituída e que o Governo no poder resulta de uma iniciativa presidencial, o que considerou uma “aberração num sistema de governo semipresidencialista”.

“Finalmente, quantos cidadãos políticos, deputados da nação, jornalistas, cidadãos anónimos, foram agredidos durante esta vigência do mandato, também esperamos que o Presidente Rebelo de Sousa tenha alguma resposta em relação a estas questões, porque ele tem uma responsabilidade em relação a isso”, concluiu.

Antes de reunir-se com o líder do PAIGC, o Presidente português recebeu o coordenador do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), Braima Camará, e o presidente do Partido da Renovação Social (PRS), Alberto Nambeia.

O PAIGC venceu as eleições legislativas de 2019, mas após ter tomado posse como Presidente, Umaro Sissoco Embaló demitiu o Governo liderado por Aristides Gomes e formou um composto pelo Madem-G15, PRS, APU-PDGB e outros movimentos, que o apoiaram na segunda volta das presidenciais.

Marcelo defende presidência lusófona da CEDEAO e espera que Sissoco valorize a CPLP

O Presidente português defendeu hoje em Bissau que é importante haver pela primeira vez uma presidência lusófona da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), da qual Guiné-Bissau e Cabo Verde fazem parte.

Perante o seu homólogo guineense, Umaro Sissoco Embaló, que hoje o recebeu no Palácio da Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa disse-lhe, por outro lado, que espera que valorize a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que tem agendada para 16 e 17 julho, em Luanda, a sua próxima cimeira.

Após de ser condecorado com a medalha Amílcar Cabral, o chefe de Estado português referiu que recebeu a mesma condecoração em Cabo Verde, há uns anos, e salientou “o peso desses dois países no contexto africano, e concretamente da África Ocidental, representando uma das três famílias linguísticas da CEDEAO: ao lado da família inglesa e da família francesa, a família portuguesa”.

“E que importante é que seja possível no futuro chegar à presidência da CEDEAO alguém que resulte dessa língua, dessa linha, dessa família, uma vez que as outras famílias têm chegado com frequência a essa presidência”, afirmou.

Em seguida, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que Cabo Verde preside atualmente à CPLP, seguindo-se a presidência angolana, e considerou que esta comunidade de países é “muito importante” em termos multilaterais.

“Do mesmo modo que Portugal tudo tem feito na medida das suas possibilidades para valorizar a CPLP, tem a certeza de que vossa excelência será na Guiné-Bissau um intérprete da mesma vontade, da mesma vontade”, acrescentou.

O Presidente português argumentou que a valorização da CPLP “é uma vontade compatível com a pertença à União Africana ou com a pertença à CEDEAO e o protagonismo na CEDEAO, como no caso português é com a pertença à União Europeia”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado pela vice-presidente da Assembleia Nacional Popular, Adja Satu Camara Pinto (D), durante uma visita à Assembleia Nacional Popularsegundo e último dia de visita oficial à Guiné-Bissau, no Palácio Presidencial, em Bissau, na Guiné-Bissau, 18 de maio de 2021. JOSÉ SENA GOULÃO/POOL/LUSA

A Guiné-Bissau é um dos 15 países-membros da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), da qual também fazem parte Cabo Verde, Senegal e a Costa do Marfim, países já visitados por Marcelo Rebelo de Sousa enquanto chefe de Estado.

Integra também a UEMOA (União Económica e Monetária do Oeste Africano), da qual igualmente faz parte a Costa do Marfim, tendo como moeda comum o Franco CFA.

Visita de Presidente português é mais importante que a de Joe Biden – Embaló

O chefe de Estado da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, disse hoje que a visita de um Presidente português é mais importante que a de um europeu ou norte-americano, como Joe Biden.

“A visita de um Presidente português é mais importante que a visita de um Presidente europeu ou americano. Não é a questão de um país que me vem dar mais dinheiro, é amizade, é aproximação. É mais importante que a visita de Joe Biden [Presidente dos Estados Unidos] e digo isto de coração”, afirmou Umaro Sissoco Embalo, na declaração à comunicação social acompanhado pelo seu homólogo português, Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, faz uma vénia após depositar uma coroa de flores no túmulo de Amilcar Cabral, durante uma visita ao Forte da Amura, no segundo e último dia de visita oficial à Guiné-Bissau, em Bissau, na Guiné-Bissau, 18 de maio de 2021. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

“O senhor Presidente viu a expressão do povo”, salientou Umaro Sissoco Embaló, referindo-se à multidão que recebeu segunda-feira Marcelo Rebelo de Sousa, em Bissau.

Na declaração, o Presidente guineense salientou que a “visita superou todas as expectativas” e que as relações entre os dois países “ficaram ainda mais próximas”.

“Quero reafirmar que o povo guineense e o povo português são unidos e continuaremos a ser unidos”, frisou.

Marcelo lembra passado colonial em que Portugal atuou “muitas vezes mal”

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou hoje em Bissau o passado colonial, considerando que Portugal atuou “nem sempre bem, muitas vezes mal”, mas foi ao longo da sua História plataforma entre culturas e civilizações.

Marcelo Rebelo de Sousa falava perante o Presidente da República da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, que hoje o recebeu no Palácio da Presidência, na capital guineense, durante a sua visita oficial a este país.

Depois de ouvir Umaro Sissoco Embaló considerar que a sua presença na Guiné-Bissau é “mais importante do que a visita de Joe Biden”, porque não está em causa o dinheiro, mas a amizade, o Presidente português concordou.

Marcelo Rebelo de Sousa disse ao seu homólogo que “encontrará certamente outros países com mais dinheiro para investir, com mais poder económico no mundo, com mais ambições geopolíticas no universo”, mas “não encontrará muitos mais países como Portugal, capazes de fazer plataformas entre culturas, civilizações, oceanos e continentes”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (E), acompanhado pelo seu homólogo da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco, à chegada ao Palácio Presidencial, no segundo e último dia de visita oficial à Guiné-Bissau, em Bissau, na Guiné-Bissau, 18 de maio de 2021. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

“Fê-lo ao longo da sua História, nem sempre bem, muitas vezes mal. O passado colonial é um passado que nós assumimos em plenitude, também naquilo que nele não foi positivo. Mas é isto que explica esta plataforma”, acrescentou.

Segundo o chefe de Estado português, esse é o motivo pelo qual há pela primeira vez “um português secretário-geral das Nações Unidas”, António Guterres, porque conseguiu “a aproximação de pontos de vista de americanos e russos e chineses e franceses e britânicos”.

“E vamos ver se duas vezes”, observou.

Marcelo Rebelo de Sousa nunca tinha estado na Guiné-Bissau como Presidente da República. Chegou na segunda-feira à noite para uma visita oficial que termina hoje ao fim do dia – a primeira de um chefe de Estado desde 1989.

A Guiné-Bissau foi a primeira colónia portuguesa em África a tornar-se independente. A independência foi proclamada unilateralmente em 24 de setembro de 1973, decorrida uma década de luta armada, reconhecida de imediato pelas Nações Unidas e por Portugal um ano mais tarde, a seguir ao 25 de Abril, em 10 de setembro de 1974.

Há menos de um mês, na sessão solene comemorativa do 47.º aniversário do 25 de Abril na Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa centrou o seu discurso no passado colonial português e pediu que se olhe para a História sem temores nem complexos, procurando unir e combater intolerâncias, com a noção de que há diferentes vivências e perspetivas em relação a esse período.

Na sua intervenção, falou dos jovens portugueses que foram combater – realçando que entre eles estiveram os militares que fizeram o 25 de Abril -, mas também dos que se exilaram para não participar na guerra colonial, dos que viviam em África e voltaram e dos que ficaram, dos africanos que combateram contra as forças portuguesas, mas também dos que lutaram do lado de Portugal, das populações que sofreram com a colonização, das novas gerações emocionalmente distantes deste passado.

PR guineense espera reforço do papel de Portugal no seu país

O Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, defendeu hoje um reforço do papel de Portugal na Guiné-Bissau, nomeadamente ao nível do desenvolvimento económico e social.

“Tenho a convicção de que Portugal reforçará o seu papel promotor privilegiado de desenvolvimento económico e social da Guiné-Bissau no âmbito de uma visão conjunta, que estabeleça os princípios ativos da nossa parceria estratégica”, afirmou Sissoco Embaló, na declaração que fez à comunicação social acompanhado pelo seu homólogo português, Marcelo Rebelo de Sousa.

“Aproveito a ocasião para convidar empresas e investidores portugueses para virem para a Guiné-Bissau para explorar as oportunidades de investimento no nosso país, nos setores prioritários como turismo, energia, agricultura e pescas”, disse o chefe de Estado guineense.

Umaro Sissoco Embaló destacou que a Guiné-Bissau será a “porta de entrada de Portugal nos mercados da UEMOA (União Económica e Monetária da África Ocidental) e CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental”.

“Um mercado muito atrativo e com diferentes variantes”, frisou Umaro Sissoco Embaló.

Num curto discurso, o Presidente guineense apelou também a todos os “atores políticos, sociais, económicos, sociedade civil e comunicação social” para “fazerem parte desta parceria estratégica”.

O anterior Presidente português a realizar uma visita oficial à Guiné-Bissau tinha sido Mário Soares, em 1989, há 31 anos e seis meses.

PR guineense condecora Marcelo Rebelo de Sousa com medalha Amílcar Cabral

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, foi hoje agraciado com a medalha Amílcar Cabral, a mais alta condecoração do Estado da Guiné-Bissau, pelo seu homólogo guineense, Umaro Sissoco Embaló.

“É justo reconhecer que o chefe de Estado da República Portuguesa tem feito um notável esforço no sentido de melhor estreitar as relações bilaterais e de cooperação e de aproximação entre os nossos dois Estados”, refere o decreto presidencial para justificar a atribuição da mais alta condecoração da Guiné-Bissau.

A cerimónia de condecoração antecedeu as declarações conjuntas feitas pelos dois chefes de Estado à comunicação social no Palácio da Presidência, em Bissau.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (E), e o seu homólogo da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco, abraçam-se após uma conferência de imprensa, no segundo e último dia de visita oficial à Guiné-Bissau, no Palácio Presidencial, em Bissau, na Guiné-Bissau, 18 de maio de 2021. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

No âmbito do programa de visita, Marcelo Rebelo de Sousa vai deslocar-se durante a tarde ao cemitério de Bissau para prestar homenagem a antigos combatentes portugueses ali sepultados e realizar encontros com o presidente da Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassamá, e o primeiro-ministro guineense, Nuno Gomes Nabiam.

“É muito importante a liberdade de imprensa”, diz Marcelo em visita à RTP/África

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, realçou hoje em Bissau a importância da liberdade de imprensa num Estado de direito democrático, durante uma visita às novas instalações da RTP/África.

O chefe de Estado português chegou ao local ao fim da manhã, no seu segundo e último dia de visita oficial à Guiné-Bissau, depois de ter depositado coroas de flores nos túmulos de Amílcar Cabral e João Bernardo “Nino” Vieira, em homenagem aos heróis da libertação.

À conversa com uma funcionária da RTP/África, Marcelo Rebelo de Sousa disse: “É muito importante a liberdade de imprensa, num Estado de direito democrático”.

O ponto seguinte do seu programa é um encontro com o Presidente da República da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, no Palácio da Presidência, em Bissau, seguindo de declarações à imprensa e de um almoço.

À tarde teve reuniões na Assembleia Nacional Popular e com o primeiro-ministro guineense, Nuno Gomes Nabiam.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deposita uma coroa de flores no túmulo de Nino Vieira, durante uma visita ao Forte da Amura, no segundo e último dia de visita oficial à Guiné-Bissau, em Bissau, na Guiné-Bissau, 18 de maio de 2021. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Na segunda-feira à noite, perante representantes da comunidade portuguesa na Guiné-Bissau, Marcelo Rebelo de Sousa disse desejar que os seus contactos institucionais durante esta visita decorram num clima “o mais plural possível”.

“Nós, portugueses, somos plurais. Isso explica por que razão eu fiz questão de aparecer pessoalmente a uma reunião em Belém em que eram recebidos manifestantes reticentes quanto à minha vinda, para lhes explicar muito fraternalmente a razão de ser dessa visita”, referiu, observando: “E penso que fiz bem”.

Por outro lado, o Presidente português defendeu que “há um mundo de coisas a fazer” na cooperação entre Portugal e a Guiné-Bissau, que devem ser entendidas “para além das circunstâncias de cada instante” e dos protagonistas políticos.

“A nossa relação, a nossa amizade, a nossa cumplicidade, a nossa fraternidade é duradoura, não depende de quem é o Presidente português ou o Presidente guineense, de quem é o Governo português ou o Governo guineense, de quem é quem em cada momento histórico”, argumentou.

Marcelo encontrou-se em Bissau com ex-combatentes das Forças Armadas Portuguesas

O chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, encontrou-se na terça-feira à noite, em Bissau, com representantes de ex-combatentes deficientes das Forças Armadas Portuguesas, divulgou hoje a Presidência da República.

“No quadro da visita oficial à Guiné-Bissau, o Presidente da República encontrou-se com dois representantes da Associação dos ex-Combatentes Deficientes das Forças Armadas Portuguesas na Guiné-Bissau, com quem abordou alguns dos temas que mais os preocupam”, lê-se numa nota publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, acompanhada por fotografias.

O encontro, que não constava do programa oficial desta visita à Guiné-Bissau, decorreu na segunda-feira à noite no Centro Cultural da Embaixada de Portugal em Bissau, adiantou à agência Lusa fonte da Presidência da República.

Na terça-feira à tarde, Amadu Djau, presidente da associação de deficientes de guerra formada por guineenses que serviram o exército português, anunciou em declarações à Lusa que iria apresentar a Marcelo Rebelo de Sousa um caderno reivindicativo “que deve ser cumprido por Portugal”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, presta homenagem aos Antigos Combatentes Portugueses na Guiné-Bissau, no cemitério municipal de Bissau, no segundo e último dia de visita oficial à Guiné-Bissau, no Palácio Presidencial, em Bissau, na Guiné-Bissau, 18 de maio de 2021. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O caderno reivindicativo inclui, entre outros pontos, a devolução da nacionalidade portuguesa aos ex-militares guineenses, o pagamento da sua pensão de reforma, de sangue e de invalidez e o acesso a tratamento medico para os ex-combatentes e seus familiares em Portugal.

Exigem ainda que Portugal providencie a recolha dos restos mortais de ex-comandos africanos – um força de elite do então exército colonial, formado essencialmente por guineenses – assassinados pelas novas autoridades da Guiné-Bissau a partir de 1974.

Amadu Djau acredita que serão cerca de 600 homens, cujos corpos se encontram atualmente em valas comuns em localidades como Cumeré, Portugole, Mansoa, Farim, Gudadje, no Norte da Guiné-Bissau.

“É preciso que Portugal dê dignidade a estes homens”, defendeu o presidente da associação.

Ainda antes de Marcelo Rebelo de Sousa chegar à Guiné-Bissau para uma visita oficial que termina hoje ao fim do dia, Amadu Djau assegurou que os ex-combatentes iriam marcar presença nas ruas de Bissau desde a chegada até à partida de regresso a Lisboa do Presidente português.

“Vamos colocar cerca de dois mil ex-militares e seus familiares nas ruas para saudar o Presidente Marcelo, mas também vamos aproveitar o encontro com ele para lhe apresentar o nosso caderno reivindicativo”, disse à agência Lusa.

A Guiné-Bissau foi a primeira colónia portuguesa em África a tornar-se independente. A independência foi proclamada unilateralmente em 24 de setembro de 1973, decorrida uma década de luta armada, reconhecida de imediato pelas Nações Unidas e por Portugal um ano mais tarde, a seguir ao 25 de Abril, em 10 de setembro de 1974.

Há menos de um mês, na sessão solene comemorativa do 47.º aniversário do 25 de Abril na Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa recordou o passado colonial português e pediu que se olhe para a História sem temores nem complexos, procurando unir e combater intolerâncias, com a noção de que há diferentes vivências e perspetivas em relação a esse período.

No seu discurso, falou dos jovens portugueses que foram combater – realçando que entre eles estiveram os militares que fizeram o 25 de Abril -, mas também dos que se exilaram para não participar na guerra colonial, dos que viviam em África e voltaram e dos que ficaram, dos africanos que combateram contra as forças portuguesas, mas também dos que lutaram do lado de Portugal, das populações que sofreram com a colonização, das novas gerações emocionalmente distantes deste passado.

O anterior Presidente português a realizar uma visita oficial à Guiné-Bissau tinha sido Mário Soares, em 1989, há 31 anos e seis meses.

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