Former Sporting president, Bruno de Carvalho (L), arrives for the Football Leaks whistleblower Rui Pinto (not pictured) trial, at Justice Campus in Lisbon, 15 October 2020. Rui Pinto is on trial for 90 crimes, 68 of undue access, 14 of violation of correspondence, six of illegitimate access, and also for computer sabotage to Sporting's SAD and for extortion of the Doyen investment. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
Former Sporting president, Bruno de Carvalho (L), arrives for the Football Leaks whistleblower Rui Pinto (not pictured) trial, at Justice Campus in Lisbon, 15 October 2020. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

O ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho considerou quinta-feira (15) que o ‘Football Leaks’ foi “extremamente útil” para reforçar publicamente algumas posições que defendeu enquanto liderava o clube e ‘tirou o chapéu’ ao criador da plataforma, Rui Pinto.

“Tem de se tirar o chapéu ao Rui Pinto, porque é só depois de ele aparecer que começa a haver processos numa série de investigações”, afirmou o antigo líder do Sporting, aludindo na 13.ª sessão de julgamento do processo ‘Football Leaks’ à divulgação de outros casos, como o ‘Luanda Leaks’.

Sublinhou ainda o efeito da divulgação de documentos na batalha contra os fundos de investimentos: “Até me foi benéfico para tentar introduzir junto da UEFA os contratos com a Doyen”.

Bruno de Carvalho assumiu ter tomado conhecimento apenas ontem de que existiram acessos ao sistema de emails do Sporting de um endereço proveniente da Hungria anteriores a 22 de setembro de 2015, dia em que foi registado o ‘crash’ do sistema e em que, alegadamente, o principal arguido do processo enviou três ataques.

“Nunca ninguém tinha comentado comigo que tinha havido acessos da Hungria antes de 22 de setembro, isso é uma novidade para mim”, confessou o ex-presidente ‘leonino’, que revelou também que o email que a Polícia Judiciária (PJ) inscreveu na investigação como seu e ao qual o criador do Football Leaks tinha alegadamente acedido não estava correcto.

“Quando fui chamado, apercebi-me de que o email que a PJ investigou e que estava no processo não era o meu. Liguei para o meu colega de direcção Alexandre Godinho, ele deu-me o correcto, a PJ alterou nos documentos e deu-me para assinar. O Rui Pinto entrou no mail de um Bruno, só que errou no alvo”, declarou, ainda antes de provocar risos na sala de audiência quando comentou nem saber se Rui Pinto estava na sala: “Se estiver, é a primeira vez que estamos no mesmo sítio”.

Confrontado com o impacto da disrupção no sistema de emails do Sporting, Bruno de Carvalho descreveu a manhã de 22 de setembro como “uma azáfama” devido ao ‘crash’ no servidor e à preocupação de algumas pessoas, mas defendeu que a impossibilidade de acesso não seria uma consequência de um suposto ataque informático.

“Nunca me apercebi que o Sporting tivesse parado. Foi verificado que tínhamos um sistema débil, propuseram uma série de alterações à administração e foram aceites. O que reparei nos dois ou três dias subsequentes é que os técnicos pediram para não aceder, porque estavam a introduzir medidas internas e isso obrigou a parar várias vezes”, observou, assegurando não ter ligado “grande coisa” ao ‘Football Leaks’, “nunca” ter acedido e que não sentiu qualquer “problema reputacional” pela divulgação de documentos do clube na Internet.

Former Sporting president, Bruno de Carvalho, arrives for the Football Leaks whistleblower Rui Pinto (not pictured) trial, at Justice Campus in Lisbon, 15 October 2020. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Ato contínuo, o ex-presidente do Sporting fez questão de relembrar que alguns documentos já tinham sido expostos publicamente por comentadores desportivos afetos ao rival Benfica em programas de televisão, antes da publicação na plataforma eletrónica criada por Rui Pinto.

“Quando o Sporting faz à queixa à Polícia Judiciária, transmiti logo a preocupação de haver comentadores do clube rival a falar de documentos do Sporting”, frisou, acrescentando: “As coisas avançaram para este processo, sendo que gostava de ver como é que essas pessoas tiveram acesso aos documentos antes de Rui Pinto”.

Defesa de Rui Pinto pede que disco da PLMJ seja “inexistente” para prova

Os advogados de Rui Pinto fizeram ontem um requerimento a pedir que um disco rígido ligado à sociedade de advogados PLMJ seja declarado inexistente para efeitos de prova no julgamento do processo ‘Football Leaks’.

Francisco Teixeira da Mota e Luísa Teixeira da Mota vincaram que o arguido foi ontem “surpreendido” com a existência desse dispositivo com 1 Tb [terabyte] de capacidade, na sequência de uma intervenção da procuradora do Ministério Público (MP), Marta Viegas, a propósito da futura audição de uma das testemunhas ligadas à PLMJ.

Ato contínuo, os advogados requereram que o disco rígido fosse declarado “inexistente em matéria de prova”, sublinhando que o mesmo “não consta nos autos” e defendendo a “nulidade processual” de o adicionarem neste momento. Na sequência da apresentação do requerimento, o MP pediu 10 dias para se pronunciar.

Rui Pinto, de 31 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 07 de agosto, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de protecção de testemunhas em local não revelado e sob protecção policial.

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