Peregrinos transportam um andor com a imagem de Nossa Sonhara de Fátima durante a peregrinação aniversária de agosto, em Fátima, 13 de agosto de 2021. Conhecida como a "Peregrinação dos Emigrantes", é presidida pelo arcebispo do Luxemburgo, o cardeal Jean-Claude Hollerich, que dirige atualmente a Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (Comece). PAULO CUNHA /LUSA

O arcebispo do Luxemburgo, cardeal Jean-Claude Hollerich, pediu ontem à noite, no Santuário de Fátima, um compromisso para um mundo mais justo e fraterno.

“Como cristãos, nós não somos passivos neste mundo. O mundo está-nos confiado pelo Deus criador, nós devemos fazê-lo frutificar. Isso pode tornar-se num compromisso para com a ecologia, o compromisso por um mundo mais justo, por um mundo mais fraterno, em vista de ‘um nós cada vez maior’”, afirmou o cardeal, que preside à peregrinação internacional aniversária de agosto, que integra a peregrinação nacional do migrante e do refugiado.

Para Jean-Claude Hollerich, “os grandes compromissos serão válidos se mostrarem os seus frutos de paz, justiça e defesa do bem comum na vida concreta do dia a dia”.

Antes, o também presidente da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia usou a simbologia da água, para sublinhar que todos precisam dela para viver, e que para os cristãos lembra o baptismo.

Sobre os emigrantes, refugiados e peregrinos de Fátima, reconheceu na homilia da celebração que cada um tem as suas “pequenas cruzes”.

“Por vezes, é o trabalho que já não nos satisfaz, é a dureza de um mundo onde somos sempre considerados como estrangeiros. Por vezes, pode ser o caso de ter um parente doente, idoso ou que está a morrer, em Portugal, e nós não podemos ir, nem estar presente”, disse o arcebispo.

O cardeal salientou que “por vezes é a incompreensão” dos “filhos que ignoram as suas origens e os valores cristãos da cultura e história de Portugal”, valores que foram guia e bússola por terras estrangeiras da emigração.

“Por vezes, é a doença que bate à porta das nossas casas e das nossas famílias”, prosseguiu, explicando que nestes casos há “necessidade da água da consolidação”.

Depois, o cardeal jesuíta referiu-se ao carácter de Maria, semelhante ao de muitas mulheres portuguesas, cabo-verdianas e brasileiras que conhece no Luxemburgo.

“Como Maria, são mulheres fortes. Como Maria une a Igreja primitiva, assim as mulheres portuguesas mantêm a sua família unida. Elas fazem-no pelo seu trabalho. (…) Por vezes, como Maria, elas têm o coração amargurado e triste, mas não o mostram para não espalharem desolação e preocupação. Querem garantir a união, desejam caminhar ‘rumo a um nós cada vez maior’”, afirmou, numa expressão que é o título da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que se assinala em 26 de setembro, e o da peregrinação nacional do migrante e do refugiado.

Na mensagem, citada pelo arcebispo luxemburguês, Francisco apela a todos para “caminharem juntos ‘rumo a um nós cada vez maior’, a recomporem a família humana”, para construírem em conjunto um “futuro de justiça e paz, tendo o cuidado de ninguém ficar excluído”.

O cardeal jesuíta considerou ainda que o mundo tem sede “de amor, paz e justiça”, pedindo aos peregrinos que não sejam apenas aqueles que consomem água, mas que a sua “vida sirva para partilhar esta água com os outros, os que têm fome e sede de justiça das bem-aventuranças”.

Jean-Claude Hollerich acrescentou que “a fraternidade universal” começa nas famílias, “quer em Portugal, quer nos países da Europa e do mundo onde a procura de uma vida melhor vos levou”, pedindo orações para que, dos lamentos e das feridas, “possa brotar a água da vida”.

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