Germany's Chancellor Angela Merkel speaks during a press conference at the end of the second day of a European Union leaders meeting in Brussels, on October 22, 2021. (Photo by Aris OIKONOMOU / POOL / AFP)

Reconhecida como a mulher forte da Alemanha e da União Europeia (UE) ao longo de mais de uma década, Angela Merkel foi escolhida pelos jornalistas da agência Lusa como a figura internacional do ano.

Em 08 de dezembro, o social-democrata Olaf Scholz substituiu como chanceler a líder democrata-cristã, que não se recandidatou a um quinto mandato.

Merkel foi chanceler da quarta maior potência mundial durante 16 anos e 17 dias, ficando a escassos nove dias do recorde de Helmut Khol, o seu mentor político.

Como chanceler (nome do cargo de chefe do governo na Alemanha) participou em 107 cimeiras da UE e ficou conhecida como uma “máquina de fazer compromissos”.

[arquivo] O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e chanceler alemã cessante Angela Merkel (FOTO: STEPHANIE LECOCQ / POOL / AFP)

Merkel lidou com crises financeiras e políticas, com terrorismo, com desastres naturais, com o acolhimento de refugiados ou com a actual pandemia de covid-19.

O prestígio internacional valeu-lhe a escolha da revista norte-americana Time como “figura do ano” em 2015. Três anos mais tarde, a também norte-americana Forbes considerou-a a “mulher mais poderosa do mundo”.

Angela Dorothea Kasner, nome de registo, nasceu em 17 de julho de 1954, em Hamburgo, na então Alemanha Ocidental, mas cresceu em Templin, na Alemanha Oriental, a 80 quilómetros de Berlim.

Com sete anos, viu ser erguido o Muro de Berlim, símbolo da Guerra Fria e da divisão do mundo em duas esferas de influência: o Ocidente, alinhado com os Estados Unidos, e o Leste, liderado pela já extinta União Soviética.

Aluna exemplar, fluente em russo, Angela Merkel – que conservou o apelido do primeiro marido – formou-se em Física, escreveu uma tese sobre Química Quântica e concluiu o doutoramento em 1986.

O primeiro-ministro do Luxemburgo, Xavier Bettel, entregou uma distinção honorífica à ainda chanceler alemã Angela Merkel, 18.10.2021 – FOTO: ©SIP / Jean-Christophe Verhaegen

Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, o fim da Guerra Fria e a reunificação da Alemanha, começou a construir o seu percurso político.

A paciência e o pragmatismo levaram a que, apenas um ano mais tarde, fosse eleita para o Parlamento Federal, assumindo depois cargos ministeriais no governo de Helmut Kohl.

Considerada uma das suas protegidas, Kohl tratava-a por “mein mädchen” (minha menina) até que, uns anos mais tarde, Merkel criticou publicamente o seu mentor político, envolvido num escândalo de financiamento partidário, e defendeu o recomeço da União Democrata-Cristã (CDU).

Em 2000, foi a primeira mulher a ser eleita presidente da CDU, e em 2005, a primeira a ser escolhida para governar o país. Seguiram-se mais três mandatos.

Em declarações recentes à agência Lusa, o politólogo alemão Ulrich von Alemann considerou Merkel “muito diferente” dos seus predecessores: “sem machismo, sem a atitude ‘sou o maior’, sem exibicionismo, mas sim pragmatismo, inspirando confiança, com os pés assentes no chão”, foi como a caracterizou.

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou que vai condecorar Angela Merkel com o Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique, habitualmente reservado a chefes de Estado, pela sua “extraordinária contribuição” para a UE.

Xavier Bettel e Angela Merkel – Foto: ©2018 SIP / Thierry Monasse

A ex-chanceler alemã esteve em Portugal para a Cimeira da NATO em 2010 e visitou oficialmente o país em plena crise do Euro em 2012 e por último em 2018.

Aos 67 anos, a mulher que também é conhecida pelos alemães como “mutti” (uma forma familiar de ‘mãe’), vai escrever um livro para “explicar as suas decisões políticas centrais”, segundo a sua ex-assessora Beate Baumann.

Vai escrever ela mesma as suas memórias, “sem ajuda de um historiador ou de um jornalista”, no único plano para o futuro que se lhe conhece.

iToon #62, por Luís Ramos: Quo Vadis, Europa?

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