O candidato à liderança do Partido Social Democrata (PSD), Luís Montenegro, acompanhado pela líder da JSD, Margarida Balseiro Lopes, e Luís Reis, durante um comício, em Alfândega do Porto, 30 de novembro de 2019. PEDRO GRANADEIRO/LUSA

O candidato à liderança do PSD Luís Montenegro acusou este sábado à noite António Costa de ser o primeiro-ministro do “empata” e o atual líder social-democrata, Rui Rio, de se conformar com a posição de “muleta” do atual Governo.

No Porto, no primeiro comício do ex-líder parlamentar do PSD, que serviu ainda para apresentar os dois mandatários nacionais, Luís Reis e Margarida Balseiro Lopes, Montenegro voltou a dizer que o PSD “não se pode conformar” com o facto de ser minoritário, acusando ainda Rio de ter visto na “maior derrota de sempre” do partido “quase uma vitória”.

“[Há quem defenda que] É do interesse nacional que o PSD assuma uma posição subalterna do PS, que esteja sempre à espera de gerar entendimentos com o PS, já não é só o facto de o PS não querer entendimentos connosco. Eu quero-vos dizer, a minha convicção profunda é que é do interesse nacional que o PSD seja uma alternativa, não seja uma muleta do PS”, afirmou Montenegro.

Com baterias apontadas ao primeiro-ministro, o ex-deputado lembrou o que considerou ser “a pior fase de sempre” dos serviços públicos e a falta de investimento “em níveis inferiores aos da ‘troika'” em Portugal, acusando António Costa de não resolver os problemas do país.

“Temos um Governo que está conformado, é um Governo empatado (…). Acho que estamos a perder tempo e o PSD tem que olhar para isto, olhar para o futuro e recuperar o tempo perdido, não podemos deixar que os socialistas, comunistas e bloquistas estejam mais tempo do que esta legislatura no Governo”.

Para Montenegro, “António Costa é um empata”: “Ele empata tempo, decisões, crescimento público, ele empata as decisões (…). É preciso auxiliares nas escolas? O dr. António Costa empata os alunos (…) porque remete o assunto para o dr. Centeno cativar mais tempo no ministério das Finanças”.

“Também empata no setor dos transportes públicos. Dá com uma mão passes mais baratos, tira com a outra composições [comboios], barcos na travessia do Tejo. (…) E o PSD não pode ser conivente com um Governo e um primeiro-ministro que empata a vida das pessoas. O PSD tem de devolver o ‘D’ a PSD, o ‘D’ de dinamismo, determinação e desenvolvimento”, salientou.

Montenegro, num discurso pautado por críticas também a Rui Rio, mas no qual poucas vezes disse o nome do atual presidente do PSD, salientou a importância do partido ser uma alternativa ao atual Governo.

“Temos que construir uma alternativa para resolver todos estes constrangimentos com a nossa matriz ideológica que possa alterar este estado de coisas. Não nos podemos conformar com uma situação em que somos minoritários (…). E consideramos isto uma situação normal, há até quem veja nos resultados eleitorais deste ano, os piores de sempre, como quase uma vitória”, disse.

“Eu não me conformo com esta forma de estar. O PSD não nasceu para ver vitórias nos dias em que viver derrotas”, finalizou.

Além de Luís Montenegro, são candidatos às eleições diretas para escolher o líder do PSD, marcadas para 11 de janeiro – com uma eventual segunda volta uma semana depois -, o atual presidente do partido, Rui Rio, e o vice-presidente da Câmara de Cascais, Miguel Pinto Luz.

O congresso do PSD realiza-se entre 07 e 09 de fevereiro, em Viana do Castelo.

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