Luís Montenegro, presidente eleito do PSD, intervém no 40.º Congresso Nacional do Partido Social Democrata, que decorre no Pavilhão Rosa Mota, no Porto, 03 de julho de 2022. ESTELA SILVA/LUSA

A Comissão Política Nacional do presidente do PSD, Luís Montenegro, foi hoje eleita com 91,6% dos votos, superando em muito as votações obtidas pelas direções de Rui Rio e até as de Pedro Passos Coelho.

De acordo com os resultados anunciados pelo presidente da mesa do Congresso, Paulo Mota Pinto, votaram para a Comissão Política Nacional 721 delegados, dos quais 661 na lista para a direcção, o que corresponde a 91,6% dos votos.

No último congresso, em dezembro do ano passado, a direcção de Rui Rio foi eleita com 67,6% dos votos. Em 2020, tinha alcançado 62,4% dos votos, naquela que foi então a votação mais baixa desde 2007, quando Luís Filipe Menezes obteve 61,8%.

Em 2016, a Comissão Política Nacional de Pedro Passos Coelho tinha tido 79,8% dos votos, o pior resultado de uma sua direcção para este órgão. Em 2014, a sua comissão política tinha alcançado 85% dos votos, em 2012 tinha sido eleita com 88% e, em 2010, com 87,2%.

Montenegro promete mandato de lealdade e cooperação com Marcelo

O presidente do PSD, Luís Montenegro, prometeu hoje um mandato de lealdade, colaboração institucional e cooperação com o Presidente da República, endereçando uma palavra de “estima e estímulo” ao presidente do CDS-PP, Nuno Melo, presente no encerramento do congresso.

Luís Montenegro (D), presidente eleito do PSD, é cumprimentado pelo presidente do CDS-PP. Nuno Melo (D) no 40.º Congresso Nacional do Partido Social Democrata, que decorre no Pavilhão Rosa Mota, no Porto, 03 de julho de 2022. ESTELA SILVA/LUSA

Nas saudações iniciais do seu discurso de encerramento, Luís Montenegro cumprimentou as representantes do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, através de quem enviou “uma mensagem de disponibilidade total da nova direcção do PSD para prosseguir com sentido de lealdade e colaboração institucional, na relação de proximidade e cooperação que a democracia e os portugueses exigem e merecem”.

O novo presidente do PSD saudou todos os representantes dos partidos políticos presentes, mas dirigiu uma palavra especial “de estima e estímulo à delegação do CDS e ao seu presidente Nuno Melo”, presente no Pavilhão Rosa Mota, no Porto.

“Partilhámos vários momentos de responsabilidade na governação nacional e conduzimos em conjunto um número significativo de autarquias locais. Não é a conjuntura atual do CDS que nos inibe de fazer esta referência especial. Pelo contrário, faço-o com o desejo sincero que a vossa nova liderança preencha o futuro com conquistas e sucessos”, enfatizou.

Montenegro não esqueceu o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que saudou com amizade e agradeceu o acolhimento da reunião magna.

O cenário do 40.º Congresso Nacional do PSD mudou no último dia, desaparecendo o mote “Portugal em Primeiro” e surgindo o “Acreditar”, o nome da moção do novo presidente, Luís Montenegro, e do movimento que irá preparar o programa eleitoral, imperando agora azul-escuro de fundo e as letras em laranja.

Depois do anúncio e chamada ao palco de todos os novos membros dos órgãos nacionais, fez-se um momento de silêncio e foi transmitido um vídeo com imagens de antigos presidentes, tendo as maiores palmas sido para quando apareceu a imagem de Cavaco Silva, Manuela Ferreira e principalmente Pedro Passos Coelho, uma ovação que terminou assim que apareceu a imagem de Rui Rio.

Montenegro recebeu uma grande ovação da sala quando entrou sozinho, de gravata azul, cumprimentando e saudando todos os presentes.

“Nunca nos associaremos a qualquer política xenófoba ou racista” – Montenegro

O presidente do PSD, Luís Montenegro, assegurou hoje que nunca associará o partido a “qualquer política xenófoba ou racista” e nunca será o líder de um Governo que quebre esses princípios.

No discurso de encerramento do 40.º Congresso do PSD, Luís Montenegro nunca referiu o partido Chega, mas este esteve implícito nas suas palavras.

“Comigo e com o PSD, antes quebrar que torcer! Jamais abdicarei dos princípios da social-democracia e da essência do nosso programa eleitoral para governar a qualquer custo”, assegurou.

E acrescentou: “Acreditem, se algum dia for confrontado com a violação dos nossos princípios e valores para formar ou suportar um Governo, o partido pode decidir o que quiser, mas não serei eu o líder de um Governo desses”.

Pelo contrário, acusou o PS de ter “ultrapassado muros” para se associar a partidos extremistas.

Luís Montenegro, presidente eleito do PSD, intervém no 40.º Congresso Nacional do Partido Social Democrata, que decorre no Pavilhão Rosa Mota, no Porto, 03 de julho de 2022. ESTELA SILVA/LUSA

“António Costa, Pedro Nuno Santos, Fernando Medina, Mariana Vieira da Silva, Ana Catarina Mendes, e por aí fora, violaram os princípios do socialismo moderado para evitar a reforma política antecipada do actual primeiro-ministro”, acusou.

Ainda assim, assegurou que tudo fará para que o PSD para “dar um Governo novo a Portugal”

“Tudo faremos para que esse Governo tenha estabilidade e condições de governabilidade. Somos um partido livre, de compromissos e de entendimentos quando e se necessários. Mas nunca, nunca violaremos os nossos princípios e valores”, reiterou, tendo por trás no palco um ecrã com a mensagem ‘Acreditar – Luís Montenegro 2026’, a data prevista das próximas legislativas.

ND com Lusa 

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