O secretário de Estado do Orçamento e próximo Ministro de Estado e das Finanças, João Leão, intervém durante a apresentação do Orçamento Suplementar 2020 no Salão Nobre do Ministério das Finanças, em Lisboa, 09 de junho de 2020. Após cinco anos como ministro das Finanças de António Costa, Mário Centeno vai deixar o Governo, sendo substituído a partir da próxima segunda-feira por João Leão, atual secretário de Estado do Orçamento. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
O ministro das Finanças, João Leão – FOTO: ANTÓNIO PEDRO SANTOS / LUSA

O ministro de Estado e das Finanças, João Leão, admitiu hoje que “oportunamente” poderá ser feita uma revisão das projecções económicas, mas não para já, devido ao actual contexto de elevada incerteza.

“Dada a incerteza actual não vamos já actualizar as nossas projecções macroeconómicas, que oportunamente faremos actualizar em função da evolução económica”, afirmou o ministro das Finanças, João Leão, em declarações à Lusa no âmbito da eleição do novo presidente do Eurogrupo.

Essa actualização do cenário macroeconómico, nomeadamente a projecção da queda do Produto Interno Bruto, não vai, por isso, ser feita no quadro do Orçamento do Estado Suplementar aprovado na semana passada na Assembleia da República.

“Neste [Orçamento do Estado] Suplementar faremos algumas alterações não macroeconómicas, mas na projecção sobre o défice orçamental deste ano”, para acomodar as alterações ao OE Suplementar aprovadas pelo parlamento, referiu o ministro.

No OE Suplementar, o Governo aponta para uma contracção do PIB de 6,9% em 2020, um valor mais baixo do que a previsão de – 9,8% apontada pela Comissão Europeia nas projecções económicas divulgadas na terça-feira.

O executivo comunitário espera uma contracção em Portugal acima da média da zona euro (-8,7%) e da União Europeia (-8,3%), quando há dois meses estimava que ficasse abaixo, quando antecipava uma queda da economia portuguesa de 6,8%, contra 7,7% no espaço da moeda única e 7,6% no conjunto dos 27 Estados-membros.

As novas previsões de Bruxelas estão todavia basicamente em linha com as mais recentes divulgadas pelo Banco de Portugal, que estima que a recessão atinja este ano os 9,5%, registando uma recuperação de 5,2% em 2020.

Estas previsões da CE estiveram hoje em análise durante a reunião do Eurogrupo, em que foi também votado o sucessor de Mário Centeno na presidência deste órgão, tendo a escolha recaído no ministro das Finanças irlandês, Paschal Donohoe.

Nas declarações à Lusa, João Leão sublinhou que a “elevada incerteza” introduzida pelo impacto da pandemia de covid-19 tem motivado alterações nas projecções económicas, lembrando que que esta semana a Comissão Europeia divulgou alteram “significativamente” as que tinham sido libertadas por Bruxelas há pouco mais de um mês e meio.

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