O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado pela embaixadora de Portugal em Maputo, Maria Amélia Paiva, visita a mais antiga livraria de Maputo, Moçambique, 13 de janeiro de 2020. FOTO: ANTÓNIO SILVA/LUSA

O Presidente português vai passar a quinta-feira na cidade da Beira, na região moçambicana mais afectada pelos ciclones de 2019, classificando a visita com “um ponto crucial” na sua viagem a Moçambique.

“Tinha de ser um ponto crucial nesta presença em Moçambique”, referiu hoje aos jornalistas.

O Presidente português encontra-se no país lusófono desde segunda-feira e regressa a Lisboa no sábado, com um programa centrado na tomada de posse de Filipe Nyusi, Presidente moçambicano, para um segundo mandato, cerimónia realizada hoje.

Marcelo recordou a mobilização solidária de Portugal para apoiar as vítimas dos ciclones em Moçambique ao justificar a deslocação à Beira.

A viagem será feita num avião C-130 da Força Aérea Portuguesa, entre Maputo e a Beira, durante a manhã, com regresso à capital moçambicana já depois de cair a noite.

A visita de Marcelo acontece dez meses depois de o ciclone Idai atingir a urbe onde vive meio milhão de habitantes, uma área degradada e impreparada para enfrentar a tempestade.

“Acompanhámos e em Portugal vibrou-se. Não houve família que não estivesse identificada com essa tragédia vivida pelos irmãos moçambicanos”, descreveu o chefe de Estado.

O país “mexeu-se”, num movimento que abrangeu a sociedade civil, o Estado, as autarquias, “tudo se mexeu”, resumiu.

Assim, na quinta-feira, Marcelo espera poder ver “alguns dos muitos contributos [de reconstrução] no terreno, já com obra feita”, em menos de um ano, o que classifica como “impressionante”.

O Presidente português vai visitar as obras de reconstrução do Hospital Central da Beira, unidade de referência no Centro de Moçambique, onde os blocos cirúrgico, de imagiologia e o banco de sangue foram reconstruídos com apoios portugueses e moçambicanos e voltaram a funcionar em Novembro.

Até Abril deverão ficar concluídas as obras nos blocos de psiquiatria, centro ortopédico, direcção, banco de socorro e ginecologia.

Os trabalhos fazem parte de uma das cinco candidaturas de organizações não-governamentais (ONG) que na última semana foram escolhidas para receber 1,9 milhões de euros do Fundo de Apoio à Reconstrução e Desenvolvimento de Moçambique, criado pelo Governo português e que junta contribuições de diferentes origens: públicas, de câmaras municipais, associações, fundações e empresas.

Marcelo vai ainda reunir-se com a comunidade portuguesa residente na região e a cargo da qual estão vários negócios que sofreram diversos prejuízos.

Na altura, pediram apoios financeiros e alguns foram anunciados.

O chefe de Estado participou hoje, em Maputo, numa apresentação de duas linhas de financiamento destinadas a apoiar estes empresários, uma no valor de 12 milhões de euros com juros bonificados através do Fundo Empresarial da Cooperação Portuguesa (Fecop) e outra operacionalizada por bancos moçambicanos com 15 milhões de euros disponibilizados pela Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento (Sofid) – instituição financeira de desenvolvimento portuguesa detida maioritariamente pelo Estado.

Os ciclones Idai e Kenneth atingiram Moçambique em Março e Abril de 2019, respectivamente, e mataram quase 700 pessoas.

Foi a primeira vez que Moçambique foi atingido por dois ciclones de categoria extrema na mesma época das chuvas.

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