O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, conversa com um vendedor de castanhas durante um passeio a pé pela cidade de Bolonha, 13 de novembro de 2019. FOTO: JOSÉ COELHO/LUSA

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apontou hoje a melhoria da educação, o combate às desigualdades e à pobreza e o crescimento duradouro da economia como problemas e desafios de Portugal.

Num encontro com estudantes universitários, no Palácio D’Accursio, sede do município de Bolonha, no final da sua visita de Estado a Itália, Marcelo Rebelo de Sousa fez um retrato da situação atual de Portugal, indicando “pontos positivos” e “pontos negativos”.

“Temos alguns problemas. Em matéria de educação, apesar do avanço em democracia, ainda temos desigualdades muito grandes. Temos centros de excelência muito bons, mas precisamos de melhorar a educação. Temos centros de excelência na ciência, mas precisamos de alargar os centros de excelência. Depois, temos pequenos problemas de disciplina e de sistematização”, disse.

O chefe de Estado reforçou a ideia de que Portugal tem “problemas de educação” e “problemas de coesão social”, territoriais e entre gerações, considerando que “há ainda desigualdades que puxam todos para baixo, que são um limite ao progresso do país”.

“É um facto, isto. Melhorou imenso em democracia, na saúde, na mortalidade, na saúde infantil, no acesso à educação, na segurança social, na solidariedade social, é impressionante. Mas não chega”, acrescentou.

Mais à frente, apontou o crescimento económico como outro dos desafios que Portugal enfrenta: “Um desafio concreto é o de assegurar que temos capacidade de fazer crescer a nossa economia de forma duradoura. Não é fácil, uma economia aberta, muito aberta, em que muitos centros de decisão não são portugueses ou não são só portugueses”.

“Depois, repartir melhor a riqueza nacional, corrigir melhor as desigualdades. Combater o que existe de pobreza, que melhorou, nos últimos anos, mas melhorou numa percentagem ainda pequena. Estamos a falar de cerca de dois milhões de pessoas em risco de pobreza ou em pobreza, para um milhão e quinhentos ou um milhão e 600 mil”, prosseguiu, observando: “É muito, em 10 milhões”.

“Ainda é muito, temos de melhorar”, insistiu Marcelo Rebelo de Sousa, embora ressalvando que a pobreza atual em Portugal “claro que não tem comparação com a pobreza de há 10 anos, 20 anos, 30 anos, 40, 50 anos”.

O Presidente da República defendeu que Portugal precisa, ao mesmo tempo, de ir “mais longe” em matéria científica e tecnológica, e reiterou, uma vez mais, a preocupação com a educação, apontando a intervenção na União Europeia como outra prioridade.

O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa acompanhado pelo reitor Francesco Ubertini (D) recebe prémio “Sigillum Magnum” atribuído pela Universidade de Bolonha, 13 de novembro de 2019. FOTO: JOSÉ COELHO/LUSA

“Temos de saber melhorar a nossa educação. Manter uma posição forte na Europa – e a presidência portuguesa da União Europeia no primeiro semestre de 2021 é uma oportunidade. E ligar a Europa a África, porque uma parte da Europa não compreende África, aliás, não compreende o resto do mundo e tem de compreender mais”, sustentou.

O chefe de Estado admitiu que “são muitas exigências simultâneas”, mas manifestou-se convicto de que Portugal tem “condições para o fazer”, e também mencionou como outro desafio “valorizar ainda mais” as comunidades portuguesas no estrangeiro.

“São desafios que têm de ser enfrentados”, afirmou, antes de responder a perguntas dos alunos da Universidade de Bolonha, com quem esteve mais de uma hora e meia à conversa.

Em resposta a uma questão de um português estudante de Erasmus sobre “a falta de financiamento para as artes e para a cultura”, Marcelo Rebelo de Sousa concordou que esse “é um problema em Portugal” e “um dos desafios que se colocam no futuro próximo”.

“Está a aumentar, mas ainda é um orçamento pequeno, para as artes, para a atividade cultural, para o património cultural, mas ainda é pequeno. Há um compromisso de aumentar no ano que vem, nos próximos anos, e tem de aumentar”, defendeu.

Nesta sessão, com que encerrou a sua visita de Estado a Itália, o Presidente da República revelou que ainda não usou “uma única vez a Uber”, por ser “um bocadinho conservador de costumes”, e aconselhou os estudantes a aproveitarem o seu tempo de estudante, dizendo-lhes: “Também nunca perco nenhum minuto na minha vida, é um dos encantos da minha vida, cada dia é vivido como se fosse o último”.

Marcelo e Mattarella defendem posição comum da União Europeia sobre migrações

Os presidentes de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e de Itália, Sergio Mattarella, afirmaram ontem partilhar a mesma visão sobre o projeto europeu e defenderam a importância de uma posição comum da União Europeia sobre migrações.

Os dois chefes de Estado falavam na Sala dos Espelhos do Palácio do Quirinal, em Roma, no final de um encontro realizado durante a visita de Estado do Presidente português a Itália.

“A Europa entra num novo ciclo e nesse novo ciclo Itália e Portugal estão de acordo no essencial: é preciso que a Europa tenha uma posição comum sobre migrações”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando que “Portugal agradece à Itália a coragem, quase o heroísmo, com que acolheu sozinha esse drama no momento inicial”.

Sergio Mattarella afirmou igualmente que existe “uma visão comum” entre os dois países sobre o atual quadro europeu e prometeu que a Itália irá apoiar “de todas as formas” a presidência portuguesa da União Europeia, em 2021.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, cumprimenta o Presidente da República de Itália, Sergio Mattarella, durante a conferência de imprensa após um encontro no Palácio Quirinale, em Roma, Itália, 12 de novembro de 2019. FOTO: JOSÉ COELHO/LUSA

Quanto às migrações, o Presidente italiano sustentou que “só a União tem a dimensão e possibilidade de afrontar o problema com eficácia” e que nenhum Estado-membro é capaz de o fazer sozinho.

Sobre esta matéria, Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda que “Portugal tem testemunhado a sua solidariedade no acolhimento aos migrantes, no apoio à Itália” e se tem empenhado “na procura de soluções que sejam de toda a Europa, mas flexíveis, sensatas, moderadas – como é o caso daquelas recentemente objeto de consenso em Malta”.

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