O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com populares nas ruas do Funchal, Madeira, 09 de junho de 2021. TIAGO PETINGA/LUSA

O Presidente da República pediu hoje um discurso sem “guinadas” sobre as regras do desconfinamento, para evitar que a população as ignore, e demarcou-se do que apelidou de “radicais sanitaristas”, defendendo um “equilíbrio sensato”.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, que falava aos jornalistas no Funchal, onde se encontra para as celebrações do Dia de Portugal, é preciso “que haja bom senso, mas que também não se persista naquela visão muito de alguns radicais sanitaristas, que é: a vacinação [contra a covid-19] não serve para nada, porque vêm aí novas variantes”.

O chefe de Estado contrapôs que “as variantes são cobertas pelas vacinas” e que “essas variantes não têm projeção significativa em Portugal”.

“Com todo o respeito que eu tenho por os que de um lado e de outro são mais ou menos fundamentalistas, os fundamentalistas sanitaristas e os fundamentalistas da abertura mais radical e mais intensa, eu acho que o equilíbrio sensato é aquilo que nós devemos seguir”, defendeu, resumindo: “Nem facilitar, nem alarmar”.

Dirigindo-se depois a “quem faz o discurso das regras do desconfinamento”, sem nomear ninguém, o Presidente da República afirmou: “Não podemos estar em guinadas, se não o povo não segue ninguém. Ordem e contraordem dá desordem. Portanto, tem de haver um grande equilíbrio, se não as pessoas descolam e fazem o que lhes passa pela cabeça e desconfinam de acordo com a sua livre vontade”.

“Eu prefiro sempre uma metodologia de desconfinamento devidamente seguro, sensato e de acordo com regras. Para isso, é preciso que quem faz o discurso das regras do desconfinamento não faça de tal maneira que o povo, a começar nos mais jovens, diz: ele está a falar, mas isto não corresponde à realidade”, reforçou.

Marcelo Rebelo de Sousa salientou o avanço da vacinação em Portugal “a um ritmo superior às expectativas” e a diminuição das mortes por covid-19 e de internamentos em cuidados intensivos e disse que “tudo indica que não volta a haver” números como os anteriores.

O chefe de Estado aconselhou, contudo, as pessoas a terem “juízo em relação ao número de casos”, referindo que há municípios com mais infeções. “Mas não tem nada a ver com o risco por que passámos e a situação por que passámos”, considerou.

Em Portugal, já morreram mais de 17 mil doentes com covid-19 e foram contabilizados até agora mais de 853 mil casos de infeção com o novo coronavírus, de acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS).

IEL // SF

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