O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ladeado pelo primeiro-ministro, António Costa, fala aos jornalistas no final da sessão de apresentação da “Situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal”, no Infarmed, em Lisboa, 15 de Abril de 2020. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O Presidente da República considerou hoje que, se a contenção da propagação da Covid-19 em Abril correr como esperado, maio pode ser um “mês de transição” para uma “retoma progressiva da vida social e económica”.

Em declarações aos jornalistas no final de mais uma sessão técnica sobre a evolução da situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal, no Infarmed, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa confirmou que “tudo se encaminha” para uma renovação do estado de emergência no final desta semana.

Segundo o Presidente da República, os dados registados até esta fase do mês de abril permitem “olhar para maio” como “um mês já diferente, que é um mês já de transição progressiva”.

“Se Abril correr até ao fim como esperamos, então em maio os portugueses vão começar a habituar-se à ideia de conviverem socialmente com a realidade de um vírus que foi vencido naquilo que representava de um risco grave, ou, mesmo no início, gravíssimo, para a sociedade portuguesa, e passa a ser um dado da vida do dia a dia”, afirmou o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que, “naturalmente, é uma transição que, em Portugal, como noutros países europeus, terá de ser feita com precaução, com as mesmas atitudes que os portugueses têm tido, de seriedade, de protecção sanitária, de distanciamento no convívio com os outros, mas com uma retoma progressiva da vida social e económica”.

Costa salienta que reabertura tem de ser prudente e com condições sociais de confiança

O primeiro-ministro afirmou hoje que a reabertura da actividade económica tem de ser prudente e com condições de confiança na sociedade e defendeu que em Portugal as restrições à indústria foram menores do que em outros países.

António Costa falava aos jornalistas no final da reunião com epidemiologistas, no Infarmed, em Lisboa, sobre a evolução da pandemia de Covid-19 em Portugal, em que reiterou que os cidadãos em geral têm de fazer neste mês de Abril “um grande esforço” para combater a propagação do novo coronavírus.

“Devemos ser sempre prudentes, progressivos e ir medindo sempre as consequências das decisões para não corrermos riscos. Temos simultaneamente de criar condições de confiança na sociedade e condições para que, com responsabilidade, se possa decidir reabrirem os restaurantes, o comércio de bairro ou as grandes superfícies”, declarou o primeiro-ministro.

António Costa procurou destacar a importância do factor confiança social no processo de reabertura, alegando que até se pode decidir que os restaurantes reabram, mas, depois, “se as pessoas não tiverem confiança, também não vão aos restaurantes”.

Interrogado uma vez mais sobre o calendário do Governo para começar a levantar restrições à circulação das pessoas e à actividade económica, o líder do executivo voltou a alegar que “não se pode antecipar resultados” em termos de combate à pandemia.

“Serenamente, sem ansiedades, temos de aguardar pelo final do mês, dia 28, para voltarmos a ver qual a avaliação”, disse, numa alusão à próxima reunião com epidemiologista no Infarmed, antes de deixar um reparo.

O primeiro-ministro, António Costa, acompanha o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, durante a conferência de imprensa no final da sessão de apresentação da “Situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal”, no Infarmed, em Lisboa, 15 de Abril de 2020. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

“Portugal não tem tido o mesmo grau de restrição que outros países e, no que respeita à indústria, com excepção de Ovar, não foram impostas nenhumas restrições ao funcionamento de unidades industriais, para além da necessidade de terem de cumprir as normas de segurança e de afastamento social. Muitas paralisaram a sua actividade, ou porque tinha sido interrompida a cadeia de fornecimento, ou porque se registou um colapso da procura”, alegou.

Neste ponto, o primeiro-ministro salientou que a eliminação das restrições “terá de ser feita de um modo gradual e progressivo”.

“Cada vez que retirarmos uma medida de restrição, sem que haja tratamento e sem que haja vacina, o número de contágios vai aumentar. Temos de medir sempre se, quando se verificar esse risco de aumento de contaminação, é ou não controlável. Só nesse momento podemos começar a retirar as medidas”, acrescentou.

 

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