Aristides de Sousa Mendes / Exposição / Arquivos Nacionais do Luxemburgo

O Parlamento português aprovou hoje, por unanimidade, conceder honras de Panteão a Aristides Sousa Mendes, o cônsul português em Bordéus que salvou a vida de milhares de judeus durante a II Guerra Mundial.

Da esquerda à direita, as bancadas parlamentares foram unânimes em concordar com a proposta da deputada não inscrita Joacine Katar Moreira.

Foi o primeiro projecto de resolução entregue pela deputada depois de ser eleita em Outubro passado e quando ainda pertencia ao partido Livre.

Aristides de Sousa Mendes, enquanto figura heroica da memória portuguesa, é património nacional. Legado ético de todas e…

Publiée par Joacine Katar Moreira sur Mardi 9 juin 2020

A homenagem simbólica a Aristides de Sousa Mendes no Panteão Nacional, acontecerá através de um túmulo sem corpo. O projecto de resolução – que não tem força de lei – foi aprovado por unanimidade na sessão plenária de hoje.

 

Esta recomendação tem como objectivo homenagear o antigo cônsul português na forma de um túmulo sem corpo, não implicando assim a habitual trasladação para o Panteão Nacional.

Desta forma, Joacine propõe que o corpo continue no concelho de Carregal do Sal, terra onde nasceu e viveu Aristides de Sousa Mendes, preservando a importância cultural e económica que a presença do corpo tem no turismo da região.

Esta foi a primeira iniciativa legislativa apresentada por Joacine Moreira, em 2019, quando ainda representava o partido Livre – força que lhe retirou a confiança política em janeiro do presente ano e da qual se desvinculou.

Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, Aristides de Sousa Mendes, então cônsul de Portugal em Bordéus, França, emitiu vistos que salvaram milhares de pessoas do Holocausto, desobedecendo às ordens do então presidente do conselho, António de Oliveira Salazar, que liderava o governo.

No texto apresentado e submetido à Assembleia da República, Joacine considera que Aristides de Sousa Mendes, “enquanto figura heróica da memória portuguesa, é património nacional, legado ético de todas e todos, é uma herança da sociedade civil e, sobretudo, um exemplo virtuoso para as gerações vindouras”.

É recomendada ao executivo a constituição de um grupo de trabalho, composto por um representante de cada grupo parlamentar, todos os deputados únicos e ainda a própria deputada não inscrita, bem como outras entidades públicas envolvidas, encarregado de escolher a data, definir e executar o programa de panteonização de Aristides de Sousa Mendes.

No Panteão Nacional estão sepultadas figuras como os escritores Aquilino Ribeiro, Guerra Junqueiro, Almeida Garrett e Sophia de Mello Breyner Andresen, a fadista Amália Rodrigues, o futebolista Eusébio, e o marechal Humberto Delgado, ex-candidato à Presidência da República.

No panteão estão também a alguns dos antigos Presidentes da República, como Sidónio Pais, Manuel de Arriaga, Óscar Carmona e Teófilo Braga.

Aristides de Sousa Mendes ajudou família Grã-Ducal do Luxemburgo a escapar

Na sua função de cônsul-geral de Portugal em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes salvou a vida de milhares de refugiados.

O cônsul ajudou igualmente muitos luxemburgueses e a família grã-ducal do Luxemburgo a escapar ao nazismo ao emitir milhares vistos sem autorização do Governo de Salazar, em plena II Guerra Mundial.

Recentemente, Aristides de Sousa Mendes foi evocado no Luxemburgo, numa exposição no âmbito da presidência luxemburguesa da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, com objectos, documentos e fotografias, dos arquivos da Casa Grã-Ducal, e sob o Alto patrocínio de Suas Altezas Reais, o Grão-Duque Henri e a Grã-Duquesa Maria Teresa, bem como do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa.

[Em actualização]

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