Foto de arquivo datada de 17 de março de 2011 de Jorge Coelho, antigo ministro das Obras Públicas e também da Administração Interna pelo Partido Socialista (PS) , que faleceu hoje aos 66 anos, na sequência de um ataque cardíaco, Lisboa, 7 de abril de 2021. JOÃO RELVAS/LUSA
EM ACTUALIZAÇÃO

O ex-dirigente socialista e antigo ministro Jorge Coelho morreu hoje, aos 66 anos, disse à agência Lusa fonte do PS. O político e antigo ministro foi vítima de um ataque cardíaco fulminante, na Figueira da Foz.

Jorge Coelho foi ministro de três pastas nos governos de António Guterres: ministro Adjunto; ministro da Administração Interna; ministro da Presidência e do Equipamento Social.

A partir de 1992, com Guterres na liderança, Jorge Coelho foi secretário nacional para a organização, contribuindo para a vitória eleitoral dos socialistas nas legislativas outubro de 1995.

Foi ministro nos dois Governos liderados por António Guterres, entre 1995 e 2001, tendo ocupado os cargos de ministro Adjunto, ministro da Administração Interna e ministro da Presidência e do Equipamento Social.

Demitiu-se em 2001, na sequência da queda da ponte de Entre os Rios, assumindo a responsabilidade política pelo desastre.

Quando a Ponte Hintze Ribeiro, sobre o rio Douro, colapsou na noite de 04 de março de 2001, provocando a morte de 59 pessoas, Jorge Coelho, então ministro do Equipamento, demitiu-se de imediato, afirmando que “a culpa não pode morrer solteira”.

Ex-ministro morreu de doença súbita na Figueira da Foz – bombeiros

O ex-dirigente socialista e antigo ministro Jorge Coelho morreu hoje na Figueira da Foz, de doença súbita, quando visitava uma casa na zona turística da cidade, disse à agência Lusa fonte dos bombeiros.

De acordo com Jody Rato, comandante dos Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz, Jorge Coelho, de 66 anos, sentiu-se mal durante a visita a uma habitação na rua da Liberdade, na zona turística do Bairro Novo.

“A senhora que estava com ele ligou para o 112 e quando a nossa equipa chegou ao local ele estava em paragem cardiorrespiratória. Foram feitas manobras de reanimação mas não foi possível reverter a situação”, tendo o óbito sido declarado no local, adiantou o comandante.

Marcelo em choque recorda “espírito combativo” que influenciou a vida do país

O Presidente da República manifestou hoje choque pela notícia da morte do antigo ministro e ex-dirigente socialista Jorge Coelho e recordou o seu “espírito combativo” considerando que, sem nunca exercer a liderança, influenciou a vida do país.

“Eu não posso esconder o choque do conhecimento desta morte inesperada”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa, em directo para a SIC Notícias.

O chefe de Estado referiu que Jorge Coelho “esteve presente na vida pública portuguesa durante três décadas, em várias qualidades: como governante, como parlamentar, como conselheiro de Estado, como dirigente partidário, como analista político e depois, numa fase mais recente, como gestor empresarial”.

O Presidente da República descreveu-o como uma pessoa com “um estilo muito próprio, feito de intuição, de compreensão rápida e antecipação às vezes daquilo que eram as correntes da opinião pública, de perspicácia analítica, de espírito combativo, às vezes polémico, mas também de grande afabilidade, e de abertura de todos os quadrantes e a todo o tipo de realidade que emergia na sociedade portuguesa”.

“E teve uma influência muito grande em momentos importantes da vida nacional. Não tendo exercido a liderança partidária, a que sempre fugiu, no entanto, esteve tão próximo dos centros de poderes que de alguma maneira influenciou a vida do país”, considerou.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou Jorge Coelho “como amigo” e também “enquanto Presidente da República, pelo papel que teve na vida política e económica nacional”.

Após prestar estas declarações, o Presidente da República fez divulgar uma nota no sítio oficial da Presidência da República na Internet em que lamenta “o dramático falecimento de Jorge Coelho”.

“Deixou na memória dos portugueses o gesto singular de assumir, em plenitude, a responsabilidade pela tragédia de Entre-os-Rios e a capacidade rara de antecipar o sentir do cidadão comum”, lê-se na nota.

Ferro Rodrigues chocado com perda de amigo “solidário” e “sobrevivente”

O presidente da Assembleia da República e ex-líder socialista mostrou-se hoje chocado e muito triste com a morte do seu amigo e camarada Jorge Coelho, antigo ministro, deputado e dirigente também do PS.

“Recebo, com choque e muita tristeza, a notícia do falecimento de Jorge Coelho, um amigo de há longas décadas. Homem bom e solidário, foi sempre alguém que se bateu por causas, em especial pela democracia e pela igualdade. Foi também um sobrevivente, com quem aprendi a enfrentar as adversidades”, lê-se em nota de Ferro Rodrigues, enviada à agência Lusa.

“Neste momento tão difícil, quero endereçar à sua família, em especial à sua mulher, filhos e netos, e aos muitos amigos que deixa, de todos os quadrantes políticos, as mais sentidas condolências”, lê-se ainda no breve texto de Ferro Rodrigues.

Poucos exprimiram tão bem a alma dos socialistas – António Costa

O secretário-geral do PS considerou hoje que Jorge Coelho serviu com “grande dignidade” o Governo da República, foi “sempre” um fator de unidade no PS e poucos como ele exprimiram “tão bem a alma” dos socialistas.

Esta posição foi transmitida por António Costa numa declaração feita a partir da sede nacional do PS, em Lisboa, após confirmada a morte de Jorge Coelho, antigo dirigente socialista e ministro dos governos de António Guterres entre 1995 e 2002, vítima de paragem cardíaca fulminante.

“No PS, estamos todos naturalmente em choque com o falecimento surpreendente doutor Jorge Coelho”, começou por declarar António Costa, dizendo depois que, “seguramente, os portugueses o recordarão como um cidadão dedicado ao seu país, que serviu com grande dignidade o Governo da República”.

“Um Governo da República que deixou há 20 anos num momento trágico em que decidiu assumir pessoalmente a responsabilidade política por uma tragédia imensa”, apontou o atual líder socialista, numa alusão à queda da ponte de Entre-os-Rios, em 2001, numa altura em que Jorge Coelho tutelava a pasta da Obras Públicas no segundo executivo chefiado por António Guterres.

António Costa referiu-se de forma breve à atual vertente empresarial de Jorge Coelho, destacando o facto de ter investido na sua terra, em Mangualde, numa queijaria, mas destacou, sobretudo, o seu percurso no PS.

“Para todos nós socialistas, este é um momento particularmente doloroso, porque Jorge Coelho não era só um camarada, mas também um amigo de todos nós e de todas as gerações do PS. Poucos foram aqueles que conseguiram exprimir tão bem a alma dos socialistas”, sustentou o secretário-geral do PS e atual primeiro-ministro.

O primeiro Ministro, António Costa faz uma declaração sobre a morte de Jorge Coelho, Sede do PS, Lisboa, 7 de abril de 2021. MIGUEL A. LOPES/LUSA

Rui Rio, líder do PSD, lamenta “profundamente” e envia condolências ao PS e família

O presidente do PSD, Rui Rio, recordou hoje o antigo ministro Jorge Coelho como uma “pessoa afável e de excelente tracto”, lamentando “profundamente” a sua morte.

“Lamento profundamente o súbito desaparecimento de Jorge Coelho, pessoa afável e de excelente tracto, com quem eu tinha uma agradável relação pessoal. Presto-lhe sentida homenagem e envio as minhas condolências à sua família e ao Partido Socialista”, escreveu Rui Rio, numa publicação na sua conta oficial da rede social Twitter.

Também o PSD, numa nota de pesar, expressou “consternação” com a notícia da morte de Jorge Coelho, que “a todos apanhou de surpresa”.

“Figura marcante do panorama político nacional e do Partido Socialista, Jorge Coelho dedicou grande parte da vida ao serviço público, tendo sido ministro Adjunto, ministro da Administração Interna, ministro da Presidência e do Equipamento Social nos governos de António Guterres. Posteriormente, a sua carreira passou também pelo mundo empresarial”, recordam os sociais-democratas.

Maria de Belém “devastada” com morte de “amigo excecional”

A antiga ministra socialista e candidata presidencial Maria de Belém disse hoje estar “devastada” com a morte do antigo ministro e ex-dirigente socialista Jorge Coelho, que recordou como um “amigo excecional” que vai fazer “muita falta”.

Em declarações à agência Lusa, a antiga governante e candidata presidencial disse estar “devastada” com a notícia, que a apanhou “completamente de surpresa, como uma tragédia destas apanha as pessoas”.

“Era um amigo excecional, uma personalidade da vida política que foi absolutamente central em muitos momentos da vida pública portuguesa, que desempenhou todas as tarefas que abraçou com uma generosidade, uma dedicação, uma alegria e uma força extraordinárias e que sempre deu provas de um agudíssimo sentido de oportunidade na política, mas da oportunidade em termos de prioridade das prioridades”, destacou Maria de Belém.

A socialista e sua colega no governo considerou também que Jorge Coelho “era um lutador pelo desenvolvimento do país” e “soube sair quando entendeu que devia fazê-lo, mais uma vez dando um exemplo que marcou a vida pública portuguesa aquando da tragédia da ponte de Entre-os-Rios”.

“O que se pode dizer é que faz muita falta, faz muita falta para chamar a atenção para aquilo que é certo, para aquilo que é importante, para aquilo que é prioritário, para aquilo que deve ser proporcionado às pessoas e, sobretudo, fará falta o seu empenhamento na correção das desigualdades que ainda são tão gritantes no país e para que se olhe para o que verdadeiramente é prioritário”, acrescentou.

“Pessoas como o Jorge coelho são muita raridade”, defendeu Maria de Belém, vincando que o ex-dirigente “faz muita falta ao país, faz com certeza uma falta irreparável à sua família e aos seus amigos”.

A antiga ministra da Saúde recordou ainda o amigo como “uma pessoa de uma generosidade, de uma lealdade, de uma doação também na sua vida privada”, que “tentava ajudar toda a gente”, assinalando que “é muito difícil encontrar pessoas assim”.

Apontando ser uma “honra” ter sido amiga de Jorge Coelho, Maria de Belém recordou os momentos que passaram juntos bem como “a alegria e a coragem que ele sempre demonstrou em todos os momentos da sua vida”.

Marques Mendes lembra “atitude notável” de Jorge Coelho após Entre os Rios

O ex-líder do PSD, Luís Marques Mendes, diz que a morte de Jorge Coelho é “um choque” de “enorme violência”.

“Recordo Jorge Coelho sempre com excelentes impressões: era um político carismático, corajoso, determinado, convicto, não deixava ninguém indiferente”, diz, sublinhando que por mais que discordasse das ideias, era “notável” no plano da coragem e do carisma.

O ex-líder do PSD lembra ainda o episódio da queda da ponte de Entre os Rios para dizer que foi uma “atitude notável” da democracia “que pouca gente em décadas tem seguido”.

“Não se agarrou ao lugar, assumiu responsabilidades quando não tinha culpa. Isto mostra a dimensão do carácter”, diz Marques Mendes, afirmando que as ideias fortes que tinha eram sinal de coragem e carácter.

Foto de arquivo datada de 24 de março de 2018 de Jorge Coelho, antigo ministro das Obras Públicas e também da Administração Interna pelo Partido Socialista (PS) , que faleceu hoje aos 66 anos, Lisboa, 7 de abril de 2021. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

António Guterres: “Nem consigo aceitar”

O secretário-geral da ONU, o português e socialista António Guterres reagiu à morte de Jorge Coelho com tristeza.

“O Jorge Coelho era a alegria de viver, um homem de entusiasmo, de uma força interior, era a personificação da vida. Saber que ele morreu é algo que, sinceramente, nem consigo aceitar”, disse António Guterres à SIC Notícias.

“É uma grande perda para o país, mas sobretudo uma grande perda para os amigos e eram muitos. Estamos todos desolados”, diz o secretário-geral das Nações Unidas e primeiro-ministro de quem Jorge Coelho foi “sempre o braço direito”.

“Esteve sempre ao meu lado, nos momentos bons e nos momentos difíceis”, recorda Guterres.

“Não tinha culpa nenhuma no que se tinha passado, disse-me que a culpa não podia morrer solteira, que era o ministro da pasta e que se demitia. Respeitei e só aumentou a minha admiração por ele”, diz Guterres sobre a demissão de Coelho após a queda da ponte de Entre os Rios.

Morreu “um ser humano admirável ” – António Vitorino

O diretor-geral da Organização Internacional das Migrações (OIM), António Vitorino, manifestou-se hoje “profundamente chocado e devastado” com a morte do “grande, grande amigo” Jorge Coelho, “um ser humano admirável”.

“Estou profundamente chocado com esta terrível notícia. Perdi um grande, grande, amigo, uma pessoa que, além de todas as qualidades políticas que se lhe reconhecem, quer por companheiros quer por adversários, era um admirável ser humano, uma pessoa que era intensa em tudo o que fazia”, sublinhou em declarações à agência Lusa.

“Genuíno, autêntico, convicto, mas ao mesmo tempo uma pessoa de uma enorme afabilidade pessoal e que deu o melhor de si próprio ao Partido Socialista e à causa pública nos vários cargos que desempenhou. Esta notícia deixou-me completamente devastado”, considerou Vitorino.

O antigo comissário europeu, ministro e deputado socialista, atualmente na liderança da OIM, adiantou à Lusa conhecer Jorge Coelho há quase 40 anos e salientou que a morte do também antigo ministro nos governos de António Guterres o deixa “muito mal”.

“Meu Deus, conhecíamo-nos há mais de 30 anos, desde o início dos anos 1980, quase há 40 anos. [A morte de Jorge Coelho] Deixa-me muito mal. Guardo já uma enorme saudade dele. Não consigo ser mais eloquente neste momento, estou devastado”, concluiu Vitorino emocionado.

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