A marchante da Marcha de Alfama, Carina Rocha, posa para a fotografia no seu bairro, em Lisboa, 03 de junho de 2020. Os habitantes que restam em Alfama reencontraram o seu bairro sem turistas devido à pandemia da covid-19, mas lamentam o cancelamento das marchas e festas populares do Santo António. (ACOMPANHA TEXTO DA LUSA DO DIA 07 DE JUNHO DE 2020). TIAGO PETINGA/LUSA
A marchante da Marcha de Alfama, Carina Rocha, posa para a fotografia no seu bairro, em Lisboa, 03 de junho de 2020. Os habitantes que restam em Alfama lamentam o cancelamento das marchas e festas populares do Santo António. FOTO: TIAGO PETINGA/LUSA

As colectividades das marchas populares de Lisboa mostram-se tristes por não haver desfile na Avenida de Liberdade este ano na noite de Santo António, devido à pandemia da covid-19, estando algumas a equacionar iniciativas simbólicas.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do Grupo Desportivo da Mouraria, Pedro Santos, admitiu que as pessoas se sentem tristes por não haver marchas e arraiais em 2020.

“A marcha popular da Mouraria sai para desfilar desde 1934, é muito tempo. É das primeiras marchas de Lisboa. As pessoas sentem-se um bocado tristes por não haver as marchas, não haver os arraiais, mas, pronto, temos de estar todos juntos”, referiu.

De acordo com o dirigente, apesar de não haver desfile, a colectividade está a preparar uma pequena surpresa no bairro, no dia em que marcharia na Avenida da Liberdade.

“Em princípio, se correr tudo bem, no dia 12 fazemos uma pequena brincadeira com os músicos da marcha, mas é uma coisa muito residual. Vai ser só uma marcação de posição, a saída do Santo António e mais nada. Não há desfile, não há nada. É só uma brincadeira com os músicos que será transmitida pelo Facebook e pelo Instagram”, adiantou.

Também os responsáveis pela marcha da Madragoa estão a ponderar em organizar “uma coisa mais familiar” no bairro.

“Estamos a tratar de toda a logística, porque sabemos de todas as medidas de segurança que têm de ser tomadas. A nossa ideia era fazer uma volta ao bairro. Cada um vestia uma farda dos anos anteriores e dávamos a volta ao bairro, uma coisa simbólica”, realçou Mariana Peres, da comissão organizadora da marcha da Madragoa.

Segundo a representante, o Esperança Atlético Clube está a tentar juntar os marchantes para não “deixar passar a data [12 de junho] em vão”. Todo o trabalho “ficou em ‘standby’” por causa do cancelamento das marchas.

“O sentimento não é feliz para nós que vivemos no bairro”, sublinhou.

Por seu turno, o presidente do Ginásio Alto do Pina, Pedro Jesus, disse que não está a pensar realizar eventos alternativos às marchas populares, por causa da posição da Câmara Municipal da Lisboa, que proibiu os eventos com grandes aglomerações de pessoas durante o mês de junho.

“Uma vez que a câmara municipal mantém a sua posição de não haver qualquer tipo de eventos no mês de junho, a marcha do Alto do Pina é solidária com a posição. Não, não estamos a pensar”, referiu.

Para o representante da actual campeã em título, em janeiro já era conhecida a dimensão da pandemia da covid-19, devido a uma viagem a Macau e a Hong Kong.

“Nós já sabíamos qual era a dimensão da pandemia. Quando recebemos a notícia, recebemo-la com tranquilidade, porque já estávamos preparados para essa situação”, observou Pedro Jesus.

Segundo o responsável, há também “um sentimento de enorme tristeza” por não haver o desfile na avenida, mas, atendendo à situação, o Alto do Pina vai procurar aperfeiçoar os seus trabalhos.

“É um sentimento de enorme tristeza não haver marchas para os nossos associados. Agora, esta situação dá-nos uma óptima oportunidade de aprimorarmos os nossos projetos e, portanto, para o ano, no caso do Alto do Pina que é o campeão em título das marchas, fazermos melhor e tentarmos renovar levar esse título”, declarou.

A marcha de Carnide também considerou que não se justifica realizar iniciativas na noite de Santo António, devido ao contexto pandémico em Portugal.

“Nós temos de ser compreensivos nesse ponto e pronto, não dá. Mesmo com medidas de segurança e se as pessoas respeitassem as distâncias era muito difícil, porque as marchas são um marco tão importante na nossa cidade e ia chamar muita gente. Obviamente, nunca iríamos conseguir cumprir com todos os requisitos que são necessários para haver segurança”, disse Pedro Rosa.

O presidente da Associação de Coletividades do Concelho de Lisboa (ACCL), Pedro Franco, disse à Lusa que não “há alternativas” às marchas populares e que é “muito perigoso” abrir as colectividades durante as Festas de Lisboa.

“Algumas poderão abrir para fazer umas pequenas festas, um bocado à revelia, porque enquanto não houver uma ordem da Direção-Geral da Saúde ou do Governo as colectividades não podem abrir e arriscam denúncias”, referiu.

De acordo com Pedro Franco, as colectividades já foram avisadas para que não façam arraiais.

“Nós estamos a dizer às colectividades para não fazerem nada. As que abrirem, a responsabilidade será delas. Elas estão avisadas para que isto não aconteça”, esclareceu.

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