O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa (D), acompanhado pelo autor do livro “Da Lusitânia a Portugal – Dois mil anos de História”, Diogo Freitas do Amaral (D) durante o lançamento do mesmo, Lisboa, 9 de novembro de 2017. FOTO: NUNO FOX/LUSA

O Presidente da República elogiou “o espírito independente” do fundador do CDS e antigo ministro Freitas do Amaral e agradeceu-lhe o serviço a Portugal, voltando a recordá-lo como “um dos pais fundadores” da democracia portuguesa.

Depois de ter divulgado uma longa nota de pesar pela morte de Diogo Freitas do Amaral, aos 78 anos, Marcelo Rebelo de Sousa prestou-lhe novamente homenagem, numa breve declaração, de cerca de dois minutos e meio, “em nome de todos os portugueses”, na Sala das Bicas do Palácio de Belém, em Lisboa.

“Diogo Freitas do Amaral serviu Portugal como um dos pais fundadores da nossa democracia partidária em 74, o último a deixar-nos. Diogo Freitas do Amaral serviu Portugal contribuindo de forma decisiva para a integração da direita portuguesa na democracia nascente”, afirmou.

Após referir o seu contributo como legislador e membro de vários governos, o chefe de Estado acrescentou que Freitas do Amaral também “serviu Portugal através do seu ensino, da formação, da pedagogia cívica, com o seu espírito”, que descreveu como “um espírito aberto, um espírito tolerante, um espírito ecuménico, um espírito independente, de alma livre, totalmente livre e corajoso”.

“A mesma coragem com que defrontou em situação dificílima a campanha eleitoral para a Assembleia Constituinte, ou votou contra a Constituição da República Portuguesa em 76, ou defendeu o Tratado da União Europeia contra a sua bancada de origem em 1992, ou criticou governos na sua política externa, governos esses ligados à sua área fundacional”, enalteceu.

No plano legislativo, Marcelo Rebelo de Sousa disse que “Diogo Freitas do Amaral serviu Portugal na primeira revisão da Constituição e na elaboração de leis estruturantes do regime, como a Lei de Defesa Nacional das Forças Armadas, a Lei Orgânica do Tribunal Constitucional ou as leis sobre justiça administrativa”.

“Serviu Portugal na sua projeção no mundo como ministro da Defesa Nacional, como chefe da nossa democracia por duas vezes, em períodos diversos, com governos distintos, e também como presidente dos democratas-cristãos europeus e como presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas”, acrescentou.

O Presidente da República considerou que todos os portugueses “ao menos uma vez na vida estiveram ao seu lado”, e em seu nome agradeceu a Freitas do Amaral “o serviço a Portugal”.

Diogo Pinto Freitas do Amaral, professor universitário, nasceu na Póvoa de Varzim, no distrito de Porto, em 21 de julho de 1941. Foi presidente do CDS, partido que ajudou a fundar em 19 de julho de 1974.

Freitas do Amaral fez parte de governos da Aliança Democrática (AD), entre 1979 e 1983, e mais da tarde do PS, entre 2005 e 2006, após ter saído do CDS em 1992, tendo exercido as funções de vice-primeiro-ministro, ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros.

O seu corpo vai estar em câmara ardente a partir das 17:00 de sexta-feira, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, onde se realizará uma missa de corpo presente, às 19:00.

No sábado, às 12:00, haverá uma missa nos Jerónimos, celebrada pelo bispo auxiliar de Lisboa, seguindo o cortejo fúnebre, às 13:00, para o cemitério da Guia, em Cascais.

O chefe de Estado cancelou a sua ida a Roma, no sábado, para a elevação de Tolentino Mendonça a cardeal, para estar presente nestas cerimónias fúnebres.

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