O secretário-geral do Partido Socialista (PS), António Costa durante uma acção de campanha eleitoral para as Eleições Legislativas 2022, 28 de janeiro de 2022. MIGUEL A. LOPES/LUSA

Portugal prepara-se para ir a votos no próximo domingo, dia 30 de janeiro de 2022. As eleições legislativas portuguesas de 2022 constituirão a XV Legislatura da Assembleia da República.

O acto eleitoral acontece, após  após no passado dia 27 de outubro de 2021, a proposta do XXII Governo Constitucional de Orçamento de Estado (OE) para 2022 ter sido chumbada na Assembleia da República.

Na sequência ao chumbo do OE2022, o primeiro na história da Terceira República, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou publicamente, no dia 04 de novembro, a marcação de eleições para o dia 30 de janeiro de 2022.

Mais de 10 milhões de eleitores residentes em Portugal e no estrangeiro constam dos cadernos eleitorais para a escolha dos 230 deputados à Assembleia da República.

Hoje, 28 de janeiro de 2022, é o último dia da campanha eleitoral. Leia o essencial do que foi dito esta sexta-feira, no resumo do último dia de campanha.

Costa reconhece que portugueses “não querem uma maioria absoluta”

O secretário-geral do PS, António Costa, reconheceu hoje que os portugueses “não querem uma maioria absoluta”, assegurando que não “faz chantagens” ou condiciona os eleitores e que assumirá a governabilidade “em função das condições” que lhe serão apresentadas.

“Manifestamente as pessoas não queriam, não querem, não desejam uma maioria absoluta. Eu tenho pena, mas não desejo. Aquilo que eu digo aos portugueses é – e como não faço birra, nem chantagens, nem condiciono os eleitores – eu, em função das condições que me derem para governar, vou assumir as responsabilidades de governar”, disse António Costa, em declarações à SIC, numa entrevista conduzida pelo jornalista José Manuel Mestre.

E acrescentou: “Do ponto de vista político, o PS, pela sua centralidade no sistema político, é quem está em melhores condições para lançar pontes”.

Questionado sobre uma possível candidatura nos próximos quatro anos, o actual primeiro-ministro disse que “é um tempo muito distante”.

“Para já, o que importa é saber e respeitar aquilo que são as opiniões dos portugueses”, salientou.

Costa acusa Rio de andar “empolgado” a “decretar resultados” e escolher ministros

O secretário-geral do PS acusou hoje Rui Rio de andar “muito empolgado” a “decretar por antecipação resultados” e a escolher ministros, afirmando que este é o momento de aguardar “com toda a humildade” os resultados das eleições.

“Vejo o meu adversário muito empolgado e a decretar por antecipação os resultados, a distribuir as pastas entre ele e os outros partidos, a escolher ministros. Cada coisa a seu tempo. Neste momento é o tempo de os portugueses falarem, de os portugueses escolherem, de os portugueses decidirem”, afirmou António Costa.

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), António Costa durante uma acção de campanha eleitoral para as Eleições Legislativas 2022, 28 de janeiro de 2022. MIGUEL A. LOPES/LUSA

O líder socialista falava aos jornalistas durante a tradicional arruada no Chiado, que percorreu acompanhado pela mulher, Fernanda Tadeu, pelo director de campanha, Duarte Cordeiro, e fazendo também parte da comitiva candidatos a deputados como Ana Catarina Mendes, João Gomes Cravinho ou João Galamba.

O também primeiro-ministro apelou a que, neste momento, se aguarde pelo que “os portugueses têm a dizer com toda a humildade”.

“Eu, por mim, tenho a minha consciência muito tranquila e tenho toda a energia para começar a trabalhar logo na segunda-feira. Os portugueses decidirão se sim, se não”, disse.

Questionado se, a partir de segunda-feira, vai “começar a trabalhar logo numa solução” governativa, António Costa respondeu: “No domingo à noite vamos ver quais sãos os resultados. Em função dos resultados, o senhor Presidente da República designará a quem cabe a iniciativa de formação do Governo e, em função disso, iremos trabalhar”.

Interrogado novamente se Marcelo Rebelo de Sousa irá escolher o partido mais votado para formar Governo, Costa respondeu: “O senhor Presidente da República decidirá”.

O também primeiro-ministro sustentou que o objectivo do PS actualmente “é dizer aos portugueses com clareza” o que pretende, reiterando que não tem “nenhum programa escondido, não há nada na manga” e que as propostas socialistas são claras, elencando medidas como a melhoria dos rendimentos ou o reforço do Serviço Nacional de Saúde.

“Connosco sabem: nós temos não só um programa, como um orçamento. Somos a única solução governativa que, em circunstância alguma, fica dependente da tolerância, ou da complacência, ou do favor, ou dependente da extrema-direita. Connosco há uma linha vermelha muito clara entre nós e a extrema-direita e manter essa linha vermelha é muito importante para mantermos uma democracia saudável”, afirmou.

Numa campanha onde António Costa começou por pedir uma maioria absoluta aos portugueses, tendo depois desistido desse propósito, o líder socialista foi questionado pelos jornalistas sobre a mudança de direcção, tendo respondido que “é a vontade dos portugueses”.

“E temos que a respeitar e devemos ter este diálogo com os portugueses e perceber também o que é que os portugueses entendem que é o futuro”, advogou.

O líder socialista reforçou que é importante que os “portugueses não tenham medo de votar e sintam que no domingo têm todas as condições de segurança para poderem votar em segurança”.

“A todos é reconhecido o direito a voto e todos têm o direito a votar em segurança, e eu acho que isso é o mais importante que acontece, e vamos ter a humildade de ouvir os portugueses, os portugueses saberão decidir como sempre souberam decidir em cada uma das eleições. Pela minha parte, eu saberei interpretar os resultados eleitorais e, em função disso, agir”, referiu.

Questionado sobre o que é que explica a diminuição da margem entre o PS e PSD nas sondagens, António Costa respondeu: “A margem final vamos ver no domingo, no domingo é que vamos ver”.

Costa no final da descida do Chiado promete combate sem tréguas à precariedade laboral

O secretário-geral do PS pediu hoje “mobilização total” até domingo e afirmou que, se for reconduzido no cargo de primeiro-ministro, fará “um combate sem tréguas” contra a precariedade laboral, sobretudo a que atinge os mais jovens.

Palavras que António Costa proferiu no final da tradicional descida do Chiado, em Lisboa, que este ano teve um trajecto mais curto, tendo terminado logo no final da rua do Carmo e não, como era habitual, junto ao Terreiro do Paço.

No último dia da campanha das eleições legislativas de 2019, num momento em que a descida do Chiado já tinha terminado e os apoiantes estavam a desmobilizar, o líder socialista envolveu-se num incidente com um cidadão idoso, que o contestou pela sua acção nos fogos florestais do verão de 2017.

Desta vez, não houve qualquer incidente. Tal como acontece nestas acções, uma banda de música animou o desfile dos socialistas entre o Largo Camões e a Praça do Rossio. Mas este percurso é cada vez mais impróprio para acções de campanha, sobretudo devido à existência de múltiplos obstáculos pelo caminho: Esplanadas de cafés, bancas de venda espalhadas pelos passeios, zonas de parqueamento de bicicletas e motos e muitos pilaretes para condicional o estacionamento.

No final da rua do Carmo, perante muitos apoiantes socialistas, António Costa deixou uma mensagem dirigida aos eleitores mais jovens, aqueles que os estudos de opinião indicam com maior propensão para a abstenção com menor tendência para o voto no PS.

“Vamos continuar a apostar na educação e no futuro dos nossos jovens e a garantir, sobretudo, um combate sem tréguas contra a precariedade e pela habitação acessível. Medidas para garantir que todos os jovens tenham o seu futuro connosco em Portugal”, declarou.

Rio não afasta ‘geringonça’ à direita mesmo com PSD em segundo

O presidente do PSD, Rui Rio, não afastou hoje a possibilidade de constituir uma ‘geringonça’ à direita, mesmo se os sociais-democratas perderem as eleições, remetendo essa decisão para a direcção do partido.

Numa curta entrevista à SIC, Rio foi questionado se, caso o PS vença as legislativas antecipadas de domingo sem maioria e “a direita toda junta conseguir entender-se”, afasta uma ‘geringonça’ à direita, semelhante à que António Costa fez em 2015 (em que não foi o partido mais votado, mas governou com base em acordos parlamentares escritos com BE, PCP e PEV).

“Veremos, o dr. António Costa ensinou-nos que se pode fazer diferente. Se isso for possível, logo veremos e a direcção nacional há de decidir”, afirmou.

Neste ponto em concreto, Rio não foi questionado se o Chega estaria incluído nesta equação, embora nos últimos meses tenha sempre afastado qualquer possibilidade de uma coligação de Governo com este partido.

Em perguntas anteriores relativas ao Chega, o líder do PSD reiterou o que disse nos últimos dias.

“A questão do Chega já foi explicada muitas vezes: eu apresento o Orçamento e os deputados eleitos pelo Chega vão ter de votar. Se votarem a favor, viabilizam um Governo contra uma alternativa do PS, se votarem contra estão a votar ao lado do PS”, disse.

Questionado se, caso dependa do Chega para aprovar um Orçamento, não irá ligar a Ventura para negociar, Rio repetiu: “Não, isso já disse que não, já disse claramente e por diversas vezes que não”.

“Eu vou precisar desses votos, mas o PS se quiser derrotar um Orçamento meu também precisará desses votos. Os deputados que o Chega possa eleger são iguais aos outros, na altura certa terão de perceber se querem dar força à esquerda ou ao centro-direita”, afirmou.

O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio (C), acompanhado pelo cabeça de lista do partido pelo círculo do Lisboa, Ricardo Batista Leite (2D), e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (D), participa numa arruada no âmbito da campanha eleitoral para as Eleições Legislativas 2022, em Lisboa, 28 de janeiro de 2022. MÁRIO CRUZ/LUSA

Questionado se se vê como líder da oposição mais alguns anos se perder as legislativas antecipadas de domingo, Rio afirmou que “depende do resultado e da vontade do partido”.

“Logo se vê em face do resultado, das necessidades do país e da vontade do partido. Desprendimento do poder eu tenho, isso pode ter a certeza”, afirmou Rio, que foi reeleito em dezembro do ano passado para um novo mandato de dois anos.

Rio culpa PS por “salários dos mais baixos da Europa” e diz querer aumento geral

O presidente do PSD acusou hoje o PS de colocar Portugal com “salários dos mais baixos da Europa” e disse querer aumentar não só o salário mínimo mas os salários em geral com um modelo económico diferente.

“Nós queremos aumentar o salário mínimo nacional e aumentar os outros salários também, porque aquilo que o PS fez foi pôr Portugal na cauda da Europa no que concerne aos salários dos portugueses. É uma vergonha, ao fim de tantos anos de governação predominantemente do PS, Portugal ser dos países que tem dos salários mais baixos da Europa”, declarou Rui Rio, num palco junto ao arco da Rua Augusta, em Lisboa.

No discurso de encerramento da campanha para as eleições legislativas de Lisboa, o presidente do PSD acrescentou: “É isso que nós queremos alterar, é isso que nós queremos mudar, com um modelo de economia diferente, que garanta que temos mais riqueza para distribuir e que pagamos melhores salários”.

Rui Rio voltou a queixar-se de que o PS passou a campanha a “a atacar os outros e a difamar os outros” procurando convencer os eleitores de que PSD é contra o aumento do salário mínimo nacional e quer privatizar a Segurança Social, “para incutir o medo nas pessoas e para fazer prevalecer a mentira”.

“Merecem perder”, repetiu.

Sobre a Segurança Social, o presidente do PSD afirmou: “Fui eu o primeiro a dizer nesta campanha eleitoral que é inadmissível que as pensões de reforma das pessoas estejam na bolsa, porque as pensões de reforma das pessoas são sagradas, não é para pôr na bolsa, nem para cortar, nem para fazer política com uma coisa séria”.

Rio acusa PS de abrir porta aos extremos e promete social-democracia ao centro

O presidente do PSD acusou hoje o PS de ter aberto a porta aos extremos com a ‘geringonça’ e não ter problemas em votar com o Chega, e prometeu governar com os valores da social-democracia, ao centro.

Num palco montado junto ao arco da Rua Augusta, em Lisboa, Rui Rio alegou que o PS “andou a fazer acordos com o Chega” em outubro e novembro do ano passado “na autarquia do Entroncamento, na autarquia de Moura, na autarquia de Sintra, na autarquia da Moita” e referiu que PS e Chega votaram juntos “1180 vezes no plenário da Assembleia da República”.

“Estamos a ver que o PS, quer nas autarquias, quer na Assembleia da República, não tem, naturalmente, problemas em votar juntamente com o Chega”, declarou.

No seu último discurso de campanha eleitoral para as legislativas de domingo, o presidente do PSD acrescentou: “Nós não abrimos a porta aos extremos. Quem abriu a porta aos extremos foi o PS”.

“Quem andou aos ziguezagues e termina a campanha a dizer que se ganhar as eleições vai voltar a fazer a denominada geringonça com o BE, abrindo novamente a porta ao extremo, neste caso a extrema-esquerda, é o PS”, prosseguiu.

“Não tem legitimidade para atacar o PSD”, considerou Rui Rio, que não se referiu nesta intervenção ao acordo nos Açores entre o PSD e o Chega.

Contra “uma governação comandada pelo PS e condicionada pela extrema-esquerda”, Rui Rio apelou ao voto numa “social-democracia, que defende a justiça social, que defende a solidariedade, que defende a tolerância, que defende a igualdade de oportunidades”.

“São estes os nossos valores, desde Francisco Sá Carneiro até hoje, e são esses valores que nós vamos defender em Portugal, sem extremos, nem à direita, nem à esquerda, num partido ao centro, equilibrado e democrata”, afirmou o presidente do PSD.

Santana, Moedas, Ferreira Leite e Moreira da Silva ao lado de Rio no Chiado

Os antigos presidentes do PSD Pedro Santana Lopes, que já não é militante, e Manuela Ferreira Leite, e a antiga presidente da Assembleia da República Assunção Esteves estiveram hoje ao lado de Rui Rio na descida do Chiado, em Lisboa.

Também os ‘vices’ de Pedro Passos Coelho Jorge Moreira da Silva e Teresa Leal Coelho, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, marcaram presença na participada e confusa arruada, bem como o cabeça de lista Ricardo Baptista Leite e dirigentes como Paulo Mota Pinto, David Justino ou Salvador Malheiro.

O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio (C), acompanhado pelo cabeça de lista do partido pelo círculo do Lisboa, Ricardo Batista Leite (E), e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (D), e o presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, participa numa arruada no âmbito da campanha eleitoral para as Eleições Legislativas 2022, em Lisboa, 28 de janeiro de 2022. MÁRIO CRUZ/LUSA

A surpresa da tarde foi o aparecimento, a meio do percurso que durou menos de meia hora, de Pedro Santana Lopes, actual presidente da Câmara da Figueira da Foz, e que deixou o PSD em 2018.

“Isto com certeza que é um apoio ao dr. Rui Rio e a este projecto de mudança, a militância é secundária, o que interessa é Portugal”, afirmou Santana Lopes.

Contudo, Santana Lopes escusou-se a responder se este apoio iria significar um regresso ao seu antigo partido. “Isso é outra questão”, disse.

Questionado se acredita na vitória, respondeu: “É evidente que sim, mas eu venho porque as sondagens dão um bocadinho atrás, quando há vitória garantida não é preciso”.

Já Rui Rio viu na presença do antigo primeiro-ministro do PSD um sinal que “mostra a amplitude ainda maior dos apoios”, deixando para Pedro Santana Lopes a resposta à pergunta sobre um eventual regresso.

O cordão humano formado em torno das principais figuras do PSD, do qual a comunicação social ia sendo empurrada para fora, era de tal forma apertado que Manuela Ferreira Leite foi tentando não cair e Assunção Esteves optou mesmo por sair desta ‘bolha’ mais próxima de Rui Rio.

Moreira da Silva, que chegou a ponderar uma candidatura à liderança do PSD alternativa à de Rio, considerou “fundamental para o país” que o actual presidente social-democrata seja “primeiro-ministro e o PSD vença no domingo”.

“Estou aqui para apoiar Rui Rio e o PSD, o dr. Rui Rio oferece as melhores condições para o país avançar”, defendeu.

Em arruada à moda do Porto, Jerónimo defendeu que PS e PSD “não vão mexer uma palha”

O secretário-geral comunista participou hoje na tradicional arruada pela Rua de Santa Catarina, no Porto, e defendeu que PS e PSD “não vão mexer uma palha” para colocar em causa a influência dos grandes interesses.

A ‘volta’ da CDU está nos instantes finais, mas antes do comício de encerramento da campanha eleitoral, em Braga, houve tempo para uma paragem no Porto, para a tradicional arruada pela Rua de Santa Catarina.

Jerónimo de Sousa integrou o desfile no final da Rua 31 de Janeiro, uma das artérias mais íngremes da “Invicta”, e percorreu a Rua de Santa Catarina, acompanhado pela cabeça de lista da CDU pelo círculo eleitoral do Porto, Diana Ferreira, e pelo ‘número três’, Manuel Loff.

Depois, o secretário-geral do PCP apelou ao voto na CDU, argumentando que mais deputados da coligação “são tão mais importantes quando vemos que PS e PSD, movidos por um acordo tácito, não vão mexer uma palha em nada que possa pôr em causa dos grandes interesses instalados”.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa (C), durante uma arruada na rua de Santa Catarina no Porto, 28 de janeiro de 2022. JOSÉ COELHO/LUSA

O membro da Comissão Política do Comité Central do PCP sustentou que ao longo da campanha o PSD de Rui Rio vestiu “a pele de cordeiro”, mas depois das eleições vai “mostrar a sua verdadeira natureza”.

Já os socialistas, continuou Jerónimo de Sousa, “bem podem fazer de amuados, bem podem fingir discórdias, mas o que ensaiam são acordos para pela mão de um ou de outro, dar andamento à política de direita”.

Minutos antes da intervenção do secretário-geral comunista, Manuel Loff aproveitou o facto de a caravana da CDU estar no coração do Porto para recordar a governação da autarquia por parte do presidente do PSD, Rui Rio, entre 2002 e 2013.

“Lembramo-nos de quem é Rui Rio, da arrogância, do autoritarismo, lembramos demasiado bem”, referiu, enquanto os apoiantes apupavam o social-democrata.

“Ele que vá embora!”, gritou várias vezes uma mulher que assistia na primeira fila às intervenções.

Jerónimo dramatiza e diz que há “decisão já tomada” entre PS e PSD

O secretário-geral do PCP dramatizou hoje o discurso e apontou incoerência ao secretário-geral socialista, António Costa, por dizer que está disponível para dialogar com todos quando há uma “decisão já tomada” de um acordo com o PSD.

“Dizer que se vai falar com todos é esconder uma decisão já tomada. Quem quer uma política de esquerda não a pode negociar com todos e muito menos com a direita ou a extrema-direita”, sustentou Jerónimo de Sousa, durante uma sessão pública, na Maia, distrito do Porto, no âmbito das eleições legislativas.

Na última semana António Costa deixou cair o discurso da maioria absoluta e disse estar disponível para voltar a conversar com a maioria das forças políticas, excluindo liminarmente o Chega.

O secretário-geral comunista acrescentou que “é inquestionável” a vontade de o PS querer procurar entendimentos com o PSD e exemplificou esta afirmação com as palavras do dirigente socialista Augusto Santos Silva.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, durante uma acção de campanha na Maia, 28 de janeiro de 2022. JOSÉ COELHO/LUSA

Em entrevista à CNN Portugal, na quarta-feira à noite, o ‘número três’ do Governo de António Costa disse que admitiu um “acordo de cavalheiros” entre socialistas e sociais-democratas.

Hoje, Jerónimo de Sousa argumentou que esse “acordo de cavalheiros” tinha apenas como propósito “poderem governar à vontade”. “Acordo de cavalheiros… Vejam lá onde é que isto vai”, completou.

O membro da Comissão Política do Comité Central do PCP acrescentou que até o “patrão dos patrões”, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, pediu um acordo escrito entre os dois partidos: “Todos a pressionarem no mesmo sentido”.

Por isso, “a única opção segura” para “rechaçar a direita” é na CDU, concluiu o secretário-geral do PCP, que, mesmo assim, não deixou de fora do discurso a “convergência” a que a CDU tem apelado para depois das eleições.

Jerónimo pede que “ninguém falte” com o voto na CDU

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, pediu hoje que “ninguém falte com o seu voto na CDU” no domingo, argumentando que é o único “voto seguro” contra a direita e os projectos reaccionários.

O encerramento da campanha da Coligação Democrática Unitária (CDU) para as eleições legislativas foi em Braga, para tentar recuperar o deputado perdido há dois anos.

“Que ninguém falte com o seu voto na CDU. Fizemos uma grande campanha, uma campanha em que cada um dos candidatos e cada um dos activistas da CDU tomou na sua mão o esclarecimento e a mobilização para o voto”, considerou Jerónimo de Sousa, no arranque do último comício, na Escola Secundária Sá de Miranda, em Braga.

O líder do PCP sustentou que o “voto seguro é na CDU”, elaborando que é a “única força que dá garantias de não vacilar no combate aos projectos reaccionários” e contra a política de direita.

A CDU “não se confina perante as dificuldades e não deserta perante os perigos”, acrescentou.

No final do discurso de pouco mais de dez minutos, o secretário-geral comunista recordou os tempos de operário metalúrgico e fez uma confissão para explicar a importância de recuperar o deputado neste círculo eleitoral.

“Braga foi sempre um distrito onde, por razões da vida e da luta, muitas vezes nos encontrávamos… Metalúrgicos, químicos, outros profissionais, outros operários… E tínhamos esta solidariedade imensa entre nós. Era uma classe dos trabalhadores, claro que era. Mas, para além disso, havia mais vida. E nós quando vimos eleger um deputado comunista para a Assembleia da República ficámos imensamente contentes”, contou.

Perante um auditório cheio, com várias pessoas inclusive a escutá-lo de pé, Jerónimo de Sousa recordou a perda do eleito por Braga em 2019.

No entanto, olhando para plateia, o dirigente comunista disse esperar um resultado diferente este ano: “Hoje, olhar aqui para vocês, para esta casa, e, se calhar estou a exagerar, mas tenho este optimismo, esta confiança, que foi aqui transmitida”.

A CDU perdeu há dois anos o deputado em Braga que elegeu durante 17 anos. Antes de 2019, a coligação só tinha falhado a eleição em 1976, 1991 e 2002.

Nas legislativas de 2019, a CDU – que integra o PCP, o PEV e a Associação Intervenção Democrática – elegeu 12 deputados (dez do PCP e dois do PEV) e obteve 6,33% dos votos, ou seja, 332.473 votos (de um total de 5.251.064 votantes), menos 113.507 do que em 2015, de acordo com o Ministério da Administração Interna (MAI).

BE apela ao voto para “impedir acordos de centrão” e critica ambiguidade do PS

A coordenadora bloquista, Catarina Martins, acusou hoje o PS de ter “alimentado a ambiguidade nestas eleições”, assegurando que o voto no BE “vai impedir acordos de centrão”, dar uma maioria à esquerda e afastar a direita.

Como tem sido tradição, o último dia da campanha do Bloco de Esquerda em legislativas foi dedicado em exclusivo ao Porto, onde esta tarde se realizou a habitual arruada na Rua de Santa Catarina, no coração portuense, à qual se juntaram as principais caras do partido.

“O PS tem alimentado a ambiguidade nestas eleições e mesmo agora nos últimos dias diz que está a equacionar um acordo de cavalheiros com o PSD. Quem quer uma maioria à esquerda, quem quer uma maioria pelo salário, pela pensão, sabe que o voto é o voto no BE”, apelou, em declarações aos jornalistas.

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), com João Teixeira Lopes (D) e Marisa Matias (E), durante uma acção de campanha para as eleições legislativas de 2022, na baixa do Porto, 28 de janeiro de 2022. FERNANDO VELUDO/LUSA

Segundo Catarina Martins, o voto no seu partido é aquele que “afasta a direita e constrói soluções para o país” e é aquele que “ganha porque é o voto que derrota André Ventura”.

“Lembro-me bem, em 2015 também nos diziam que estava tudo decidido. E sabem que mais? Não estava porque quem votou foi dar força ao BE e fomos capazes de uma solução contra a austeridade que afastou a direita”, recordou.

Na perspectiva da líder bloquista, “o voto no BE vai ser o voto que vai impedir acordos de centrão e que vai dar uma maioria à esquerda”.

Rui Tavares quer mais do que “esquerda que só reage em vez de propor modelos de futuro”

O historiador Rui Tavares defendeu hoje que “chega de uma direita a propor austeridade”, mas também de uma “esquerda que só reage em vez de propor modelos de futuro”, afirmando que o Livre pode fazer essa diferença.

Na última acção de campanha do Livre antes do fim da corrida eleitoral para as legislativas, Rui Tavares esteve no bairro da Graça, em Lisboa, para tentar convencer os últimos indecisos, numa entrega de panfletos.

“Chega de haver uma direita a propor ou austeridade, ou privatizações, mas depois uma esquerda que só reage em vez de propor modelos de futuro. O Livre trouxe a esta campanha assuntos de futuro e a partir do próximo dia 31 quer levá-los ao parlamento”, declarou.

Questionado sobre o que pode haver de diferente à esquerda depois de não ter havido um entendimento para aprovar o Orçamento do Estado para 2022, Tavares apontou o Livre como uma possível solução.

“O que pode haver de diferente é efectivamente o Livre estar na Assembleia da República e isso não havia até agora”, respondeu Tavares, em declarações aos jornalistas.

O dirigente quer levar à Assembleia da República uma maneira de fazer política que “leva uma cultura de diálogo e compromisso” que, para já, “põe exigência à esquerda”.

“Porque não tenha dúvidas de quando PS, PCP e Bloco virem que o Livre com posições de convergência foi eleito, voltou à Assembleia da República o que é aparentemente, segundo as sondagens, o único partido à esquerda que cresce entre 2019 e 2022, eles entenderão a mensagem que é que o eleitorado de esquerda favorece essas convergências”, vincou.

O historiador sustentou que é preciso um “modelo de desenvolvimento de futuro para o país”, baseada numa “economia do conhecimento e da descarbonização”.

O dirigente do Livre insistiu na ideia de que um governo de bloco central, entre PS e PSD, “é indesejável” e alertou para eventuais “perigos” de uma revisão constitucional “sem a ter debatido”.

Rui Tavares, cabeça de lista do Livre pelo círculo eleitoral de Lisboa, fala aos jornalistas durante uma acção de campanha para as eleições legislativas de 2022 na Graça, Lisboa, 28 de Janeiro de 2022. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Rui Tavares apontou que, “entre os dois maiores partidos”, Rui Rio “desde sempre revelou uma quase obsessão pela revisão constitucional, por causa das magistraturas, por causa do poder judicial e agora tem no programa do PSD uma revisão por causa das alterações climáticas que é de facto um exemplo de total branqueamento e de total utilização das alterações climáticas para um assunto que nada tem a haver com elas”.

“Pior, é se PS e PSD estiverem a fazer um acordo de governação, evidentemente que Rio porá uma revisão constitucional em cima da mesa e, portanto, é preciso ter muita atenção”, advertiu Tavares, argumentando que “quem está indeciso em votar no PS ou no PAN” para não ter Rui Rio no governo pode estar a votar “de uma forma e ver o seu voto ser utilizado de outra”.

Legislativas: Cotrim de Figueiredo descarta “acordos de cavalheiros” com o PS

O presidente da Iniciativa Liberal (IL) garantiu hoje que não fará “acordos de cavalheiros” com o PS e que seria uma “chapada de luva branca” se os portugueses colocassem a IL como terceira força política.

Ao contrário do líder social-democrata, Rui Rio, que “abriu a porta” a um possível entendimento com o PS, João Cotrim de Figueiredo deixou claro, naquele que é o último dia de campanha para as legislativas, que com a IL isso não acontecerá.

“O voto que nos confiarem não viabilizará uma solução socialista e a abertura do PSD é mais um exemplo do que temos vindo a dizer, que o PSD sem nós fica demasiado parecido com o PS”, sublinhou.

Cotrim de Figueiredo, que esta manhã percorreu a pé cerca de quatro quilómetros entre o Museu do Carro Elétrico e o Passeio Alegre, no Porto, disse que os partidos que têm ideologias “particularmente antigas” já provaram que não funcionam.

O líder da Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim de Figueiredo (C), cumprimenta uma apoiante, durante uma acção de campanha para as eleições legislativas 2022, no Porto, 28 de janeiro de 2022. ESTELA SILVA/LUSA

Por isso, seria “uma bofetada de luva branca fantástica” que os eleitores dariam a esses partidos se pusessem uma “força moderna, muito democrática e muito reformista” em terceiro lugar.

“O terceiro lugar não foi um objectivo que tínhamos fixado à partida, mas tendo agora oportunidade acho que seria um excelente voto de louvor que o eleitorado português daria a essas forças do passado”, reforçou.

Para Cotrim de Figueiredo isso seria uma “lição de democracia, de arejamento e modernidade” e uma forma dos portugueses mostrarem que querem realmente alterar o sistema partidário.

Os portugueses têm de ter “muitíssimo mais espaço e autonomia para mostrar tudo o que são capazes de fazer” e o que está a impedir que isso aconteça é “este regime estatizante, colectivista e limitador das liberdades e das oportunidades”, considerou.

Reforçando o apelo ao voto, o liberal ressalvou que a IL tem sido ao longo de toda a campanha o “partido mais consistente e coerente” porque não mudou de objectivos, de estratégia e de aliança.

“E, portanto, as pessoas sabem que podem contar com a Iniciativa Liberal quando nos confiam o voto, sabem exactamente o que vamos fazer com ele”, reafirmou.

Líder do PAN desvaloriza ausência na campanha de antigo porta-voz e fundadores

A líder do PAN, Inês Sousa Real, desvalorizou hoje as ausências do antigo porta-voz e dos fundadores na campanha, considerando que os eleitores não querem saber de “tricas e trocas” entre partidos nem da sua vida interna.

“As pessoas não querem ouvir tricas nem trocas entre os partidos ou até mesmo das questões da vida interna dos partidos”, mas sim de “soluções e respostas para o país”, defendeu a porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza (PAN).

À margem de uma visita a um ‘skatepark’ em São João do Estoril, no concelho de Cascais, distrito de Lisboa, Inês Sousa Real foi questionada pelos jornalistas sobre as ausências na campanha do antigo porta-voz do PAN, André Silva, e dos fundadores do partido.

“Todos os filiados estão convocados para estar presentes nas acções de campanha”, voltou a afirmar a também deputada, salientando que a “preocupação” do PAN nesta campanha eleitoral foi estar “em proximidade com a população”.

A porta-voz do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Inês de Sousa Real(E), durante uma visita ao Mercado de Algés, em Lisboa, 28 de janeiro de 2022. RODRIGO ANTUNES/LUSA

Inês Sousa Real realçou que o PAN tem “pessoas que foram muito importantes para a vida do partido e que deram um contributo mais do que relevante”, sublinhando que “a porta está sempre aberta”, assim como “o reconhecimento para aquilo que foi o seu papel”.

A ausência de figuras do partido na campanha eleitoral “é uma não questão para o PAN” e o motivo para o aparente afastamento do partido “só pode ser respondido pelos próprios e não nos cabe a nós estar a fazer especulações”, vincou.

A porta-voz do PAN assinalou ainda que o partido optou por fazer uma campanha em “respeito pelas regras sanitárias”, devido à pandemia de covid-19, indicando que o partido preferiu “evitar as arruadas e as grandes concentrações”.

“Seria uma irresponsabilidade da parte do PAN que estivéssemos a fazer campanha como se nada se passasse e não houvesse uma pandemia e estamos a ter todos os cuidados e a privilegiar o contacto directo com as populações”, acrescentou.

Maior arruada do CDS juntou Monteiro e Ribeiro e Castro a Rodrigues dos Santos em Lisboa

O CDS-PP juntou hoje algumas centenas de apoiantes num desfile na baixa de Lisboa, sobretudo jovens, com o presidente, Francisco Rodrigues dos Santos, na dianteira, acompanhado pelos ex-líderes Manuel Monteiro e José Ribeiro e Castro.

A arruada, entre a Rua Augusta e a sede do partido, no Largo Adelino Amaro da Costa (do Caldas), arrancou com um atraso de cerca de uma hora e meia face ao anunciado e o percurso durou cerca de 40 minutos.

Este desfile antes do comício que marca o encerramento da campanha para as eleições legislativas de domingo, foi o mais participado das últimas duas semanas, com algumas centenas de apoiantes, maioritariamente jovens.

Francisco Rodrigues dos Santos (3-E), presidente do CDS-PP, durante uma acção de campanha para as eleições legislativas de 2022 em Lisboa, 28 de Janeiro de 2022. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Na dianteira, o líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos (cabeça de lista por Lisboa), acompanhado pelos ex-líderes do partido José Ribeiro e Castro (número dois da lista por Lisboa) e Manuel Monteiro (que voltou a filiar-se no partido com a actual liderança).

A acompanhá-los, alguns elementos da direcção e candidatos a deputados, entre os quais os cabeças de lista pelo Porto, Filipa Correia Pinto, e por Aveiro, Martim Borges de Freitas.

A comitiva centrista, salpicada do azul dos casacos e o amarelo das camisolas de alguns jovens da Juventude Popular (JP), erguia bandeiras do partido e da JP.

“Francisco vai em frente, tens aqui a tua gente”; “Sou, do CDS eu sou, para todo o lado eu vou, só para te ver ganhar” ou “Portugal alerta, chegou a direita certa”, iam cantando.

Ao longo do percurso, o presidente cumprimentou poucas pessoas e a comitiva cruzou-se maioritariamente com curiosos que filmavam o aparato com os telemóveis.

A arruada terminou no Largo Adelino Amaro da Costa, onde está montado um palco e um púlpito para o comício que encerra a campanha.

A sede do partido está iluminada de azul, e está projectado o ‘slogan’ da campanha: “pelas mesmas razões de sempre”.

Antes do comício, foi transmitido um vídeo com momentos da história do partido e do país e imagens e discursos de antigos líderes, e também do actual presidente, desde o congresso em que foi eleito, há dois anos, aos debates televisivos para as eleições legislativas.

E terminou com uma das mensagens que Francisco Rodrigues dos Santos defendeu várias vezes ao longo da campanha: “Domingo o CDS voltará a contrariar as sondagens”.

Líder do CDS considera sondagens “partidas de carnaval” e pede concentração de votos

O presidente do CDS-PP desvalorizou hoje as sondagens que colocam em risco a eleição de deputados do partido no domingo, considerando que devem ser “partidas de Carnaval antecipadas”, e apelou a uma concentração de votos no partido.

“Eu acho que é para os apanhados, aquelas partidas de Carnaval antecipadas, porque de facto são sondagens fabricadas, de encomenda para favorecem os partidos do bloco central de interesses e para, uma vez mais, como fizeram sempre ao longo da história, vaticinarem o fim do CDS”, criticou.

No final de uma visita ao Mercado de Alvalade, em Lisboa, no último dia da campanha para as eleições legislativas de domingo, Francisco Rodrigues dos Santos sustentou que os centristas aprenderam “a defender-se destes estudos de opinião e a proteger-se destas fabricações de conveniência”.

“Que é como quem diz, esperem pelas eleições e logo verão. Eu estou absolutamente certo de que o nosso eleitorado conservador e democrata-cristão no dia 30, domingo, vai preferir a direita certa para Portugal, uma direita com quase 50 anos de história, que teve desde a sua fundação homens notáveis como José Ribeiro e Castro”, defendeu, com o ex-presidente e número dois da lista por Lisboa a seu lado.

Na recta final da campanha eleitoral, várias sondagens apontam para um resultado mínimo histórico para o CDS-PP e colocam até em causa a eleição de deputados.

O líder, que é também cabeça de lista por Lisboa, salientou que o CDS “sempre se afirmou como o partido que defendeu valores inegociáveis e fez a sua defesa de forma intransigente”.

Apontando que o país precisa de um “CDS forte”, Francisco Rodrigues dos Santos sustentou que “é o único [partido] capaz de influenciar verdadeiramente um governo de direita”, porque “ajudará a formar maiorias parlamentares para que o país governe com ideias de direita”.

Por isso, deixou um apelo: “Todos os eleitores de direita que querem um governo de direita devem concentrar os votos no CDS”, que apelidou de “o porto seguro de sempre”.

E pediu aos eleitores que “não desperdicem votos noutros partidos”, alertando que “poderá até vir a acontecer ter uma maioria de direita no parlamento e continuar António Costa a governar”.

“Um voto no CDS não é um voto contra o PSD, é um voto que permite ao PSD governar, mas governar à direita e não se entender com António Costa e impedir um bloco central de interesses”, frisou o líder centrista.

Mostrando-se confiante num “bom resultado” nas eleições legislativas de domingo, e que o CDS vai nas urnas “desmentir as sondagens”, Francisco Rodrigues dos Santos, “optimista por natureza”, apontou que será “um arquitecto do sucesso e não um especulador da desgraça”.

Ventura desce Chiado a acreditar que o Chega será a terceira maior força

Algumas centenas de militantes e simpatizantes do Chega acompanharam André Ventura na descida do Chiado, numa arruada ruidosa, em que o líder do partido voltou a dizer que acredita no terceiro lugar nas eleições de domingo.

“É aí [terceiro lugar] que ficaremos”, asseverou o presidente daquele partido de extrema-direita, que falava aos jornalistas durante a arruada que começou atrasada, tal como todas as restantes acções de campanha do partido.

Cerca de 400 a 500 militantes e simpatizantes do Chega desceram hoje o Chiado, num percurso que começou no Largo do Camões e terminou nos Restauradores, com uma boa parte sem usar máscara ou manter o distanciamento recomendado.

O presidente do Chega, André Ventura (C), acompanhado pela actriz Maria Vieira durante uma arruada do largo do Camões até ao rossio, em Lisboa, 28 de janeiro de 2022. RODRIGO ANTUNES/LUSA

Envergando bandeiras do Chega, a multidão desceu o Chiado a entoar cânticos e palavras de ordem daquele partido de extrema-direita, com o percurso a ser por várias vezes interrompido para ‘selfies’ com André Ventura, que andou sempre rodeado de seguranças, que marcavam o ritmo e ditavam quem se aproximava do líder partidário.

Para André Ventura, o “Chega tornou-se o grande assunto destas eleições”. Por isso, acredita que nas eleições de domingo “os portugueses irão valorizar isso”.

Fazendo um balanço positivo da campanha, o presidente do Chega realçou que os apoiantes “não vão desarmar no dia 30”.

“Vou de coração cheio e acho que cumprimos os objectivos e acho que as pessoas nos vão dar uma grande prova de confiança no domingo”, frisou.

Aos jornalistas, André Ventura notou que a arruada (a descida do Chiado é um momento tradicional dos dois maiores partidos, PS e PSD) mostrou “a força que o Chega tem”.

Numa arruada sonora e ruidosa, foram raros os sinais de hostilidade nas ruas de Lisboa contra o Chega, à imagem das restantes iniciativas do partido nesta campanha, ao contrário do que aconteceu nas presidenciais de 2021.

Mesmo assim, ainda foi possível ouvir algumas pessoas que passavam a gritar “Fascistas!” ou “Vão-se embora!”.

ND com Lusa

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