Secretary-General of Portuguese Communist Party (PCP) Jeronimo de Sousa, flanked by Jose Luis Ferreira (L), attends a press conference about the results in 2022 legislative elections, at the party campaign headquarters in Lisbon, Portugal, 30 January 2022. ANTONIO COTRIM/LUSA

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, reconheceu hoje que o resultado da CDU nas eleições legislativas traduz “uma quebra eleitoral com significativas perdas de deputados”, incluindo a representação parlamentar do PEV.

“O resultado obtido pela CDU traduz uma quebra eleitoral com significativas perdas de deputados, inclusive a representação institucional do PEV”, sustentou Jerónimo de Sousa, durante uma primeira reacção ao resultado das eleições legislativas.

Questionado sobre se a CDU já consegue quantificar a perda de deputados na Assembleia da República, o dirigente comunista referiu que em “percentagem é, de facto, um abaixamento” da “expressão eleitoral” da coligação e que a queda deverá ser de 12 mandatos para “seis ou sete”.

O membro da Comissão Política do Comité Central do PCP acrescentou que o PS de António Costa “tem na mão a opção de fazer entendimentos com o PSD” ou “convergir à esquerda com a CDU”.

Visivelmente emotivo durante a intervenção e a responder às questões dos jornalistas, Jerónimo de Sousa referiu que o PS “no mínimo devia reconhecer um papel decisivo e importante ao PCP e a ‘Os Verdes’, que sempre procuraram dar uma contribuição concreta” para a resolução dos problemas do país.

“Foi pena, houve aqui uma travagem”, reconheceu.

Interpelado sobre se já falou com o secretário-geral do PS, António Costa, o secretário-geral comunista referiu que ainda não o tinha feito: “Não falei com António Costa, não tive um encontro com António Costa. Não foi por mal, nem por bem, foi porque não foi possível, quando puder falarei, mas agora não posso, tenho outras prioridades”.

Interpelado sobre se estava arrependido da experiência de geringonça, Jerónimo de Sousa respondeu que “não” e disse que a solução que vigorou entre 2015 e 2019 foi feita “com grande frontalidade, onde ninguém procurou enganar”.

Secretary-General of Portuguese Communist Party (PCP) Jeronimo de Sousa (2-L) casts his vote for the 2022 legislative elections, in Pirescoxe, near Lisbon, Portugal 30 January 2022. ANTONIO COTRIM/LUSA

O dirigente do PEV José Luís Ferreira, que ao que tudo indica não vai ser reeleito pelo círculo eleitoral de Setúbal, ladeava Jerónimo de Sousa cabisbaixo.

Sentado em frente ao secretário-geral estavam vários a dirigente do PEV Mariana Silva, que também falha a eleição, e vários dirigentes do PCP, como, por exemplo, João Ferreira, que pouco aplaudiu o discurso e aparentava estar decepcionado com o resultado, João Frazão, ou Margarida Botelho.

O grupo parlamentar comunista perdeu hoje dois ‘pesos pesados’, nomeadamente João Oliveira, líder parlamentar desde 2013 e deputado há 17 anos, e António Filipe.

Jerónimo culpa “extrema” bipolarização mas diz que quem “perde a coragem, perde tudo”

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou hoje que houve uma “extrema promoção da bipolarização” que beneficiou o PS nas eleições legislativas, mas argumentou que quem “perde a coragem, perde tudo”.

“O quadro político e a relação de forças são marcados por um resultado eleitoral que, a partir de uma extrema promoção da bipolarização, beneficiou o PS, apesar da sua postura de fuga às respostas necessárias ao país”, considerou o dirigente comunista, durante a primeira reacção ao resultado das eleições legislativas.

Jerónimo de Sousa fez um apelo à convergência dirigido ao PS e deixou o caderno de encargos para António Costa, nomeadamente, um “desenvolvimento económico sustentando, o “aumento geral dos salários, incluindo um aumento significativo” dos salários médio e mínimo, a revogação “das normas gravosas” da legislação laboral, assim como um aumento das pensões e das prestações sociais.

“É uma pena”, disse o secretário-geral comunista sobre o resultado da CDU, que deverá indicar uma perda de quase metade dos deputados e o fim da representação parlamentar do PEV.

No entanto, o líder do PCP disse que o partido não se dá por derrotado.

“Permitam-me que termine… Não sei, estou inspirado… Quando um homem perde os bens, perde pouco. Quando perde a dignidade, perde muito. Quando perder a coragem, perde tudo”, sustentou.

ND com Lusa

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