Bombeiros durante o combate a um incêndio que lavra em Oleiros, Castelo Branco, 14 de setembro de 2020. O incêndio que deflagrou em Proença-a-Nova no domingo e que lavra hoje com intensidade em Oleiros já está próximo do Rio Zêzere, afirmou hoje o presidente da Câmara. Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil estão neste momento a combater o incêndio 1041 operacionais no terreno, apoiados por 343 veículos e oito meios aéreos. PAULO CUNHA /LUSA
Bombeiros durante o combate a um incêndio que lavra em Oleiros, Castelo Branco, 14 de setembro de 2020. PAULO CUNHA /LUSA

A Câmara de Proença-a-Nova estima que os prejuízos causados pelo incêndio que deflagrou no dia 13 no concelho ultrapassem os sete milhões de euros, entre danos florestais, ambientais e agrícolas, bem como infra-estruturas e recursos hídricos.

Em comunicado enviado à agência Lusa, aquele município do distrito de Castelo Branco explica que o valor ainda é provisório e que os técnicos da autarquia se mantêm no terreno a proceder ao levantamento de todos os estragos causados pelo fogo que depois alastrou a Oleiros e Castelo Branco e que demorou vários dias a ser extinto.

Citado na nota de imprensa, o presidente da Câmara de Proença-a-Nova, João Lobo, salienta que já reivindicou junto do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, a necessidade de o Governo, através do Ministério da Agricultura, abrir um aviso específico de apoio para os pequenos agricultores, que perderam uma importante fonte de rendimento.

Salientando a extrema violência do incêndio que terá destruído 16 mil hectares, João Lobo também defende a urgência de se tomarem medidas que ajudem “a resolver um problema estrutural que se criou e tem vindo a agravar nas últimas oito décadas”.

“Não podemos voltar com as mesmas soluções e esperar resultados diferentes. Temos de ter soluções diferentes”, aponta o autarca, citado na nota de imprensa.

Segundo defende, é necessário definir uma gestão profissionalizada da floresta: “As políticas públicas só se exercem em terreno público. Não defendo que nacionalizemos os territórios, pois os privados continuarão a ser proprietários, mas vão ter que perder a capacidade de gestão quando não contribuem para uma floresta ordenada e segura”.

O autarca afirma, igualmente, que “só a existência de áreas limpas e geridas pode refrear o avanço das chamas em situações como as que se viveram neste incêndio”, pelo que aguarda com “expectativa” a implementação de algumas medidas recentemente aprovadas sobre esta matéria, nomeadamente as áreas de gestão de integração da paisagem, de que Proença-a-Nova faz parte do projecto-piloto, ou o arrendamento forçado quando os proprietários não limpam e não gerem os seus terrenos dentro das áreas que tiverem planos de gestão eficazes.

João Lobo considera ainda que a obrigatoriedade de limpeza das faixas de gestão de combustível junto dos aglomerados florestais pode ter feito a diferença em algumas aldeias neste incêndio, nomeadamente Fórneas e Dáspera.

“Na gestão de combustível junto aos aglomerados, Proença-a-Nova é um exemplo”, salienta, destacando o “papel essencial dos habitantes das localidades na defesa do seu património, feito sem o auxílio inicial dos bombeiros, só possível porque a gestão de combustível estava feita”.

Sublinhando ainda a importância do trabalho dos bombeiros, reitera que também são precisas mudanças na vertente do combate aos incêndios.

“Precisamos organizar as forças que temos no território e que fora da época dos incêndios exerçam outras funções na defesa da floresta”, apontou.

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões ou sugestões?
Por favor fale connosco.
Publicidade

Todas as notícias e conteúdos no LUX24 são e continuarão a ser disponibilizadas gratuitamente, mas nunca como agora precisamos da sua ajuda para continuar a prestar o nosso serviço público.

Somos uma asbl – associação sem fins lucrativos – e não temos qualquer apoio estatal ou institucional, apesar do serviço público que diariamente fazemos em prol da comunidade portuguesa e lusófona residente no Luxemburgo, e já sentimos o efeito da redução da publicidade, que nos garante a manutenção do nosso jornal online.

A imprensa livre não existe nem sobrevive, sem o suporte activo dos seus leitores – sobretudo em épocas como esta, quando as receitas de publicidade se reduziram abruptamente, e nós continuamos a trabalhar a 100%.

Só lhe pedimos que esteja connosco nesta hora e nos possa ajudar com o seu donativo, seja ele de que valor for. Prometemos que continuaremos a ser a sua companhia de todas as horas.

Pode fazer o seu donativo por transferência bancária para a conta do LUX24:
IBAN: LU790250045896982000
Código BIC: BMECLULL

LUX24 asbl
#VaiFicarTudoBem

Publicidade