Uma vigilia com cerca de duas dezenas de participantes, organizada pela Frente Unitária Antifascista (FUA), no dia do funeral de George Floyd, que morreu em 25 de maio em Minneapolis, depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar, em frente à embaixada norte-americana em Lisboa, 09 de junho de 2020. TIAGO PETINGA/LUSA
Uma vigília com cerca de duas dezenas de participantes, organizada pela Frente Unitária Antifascista (FUA), em frente à embaixada norte-americana em Lisboa, 09 de junho de 2020. FOTO: TIAGO PETINGA / LUSA

Dezena e meia de manifestantes protestaram ontem diante da embaixada dos Estados Unidos, em Lisboa, contra a morte e contra o que consideram ser a atitude racista da polícia norte-americana, do afro-americano George Floyd.

O protesto organizado pela Frente Unitária Antifascista (FUA), destina-se também a “responder à ameaça do Presidente norte-americano, Donald Trump”, que classificou a Antifa, da qual a FUA é membro, como um “grupo terrorista”.

O protesto, pacífico e em modo de vigília, começou às 18:30 (hora de Lisboa, hora do início do funeral de George Floyd, nos Estados Unidos, disse à agência Lusa a organizadora do evento, Rita Casimiro, da Plataforma Antifascista de Lisboa e Vale do Tejo e também responsável da FUA.

Segundo Rita Casimiro, a vigília visa “manifestar apoio a todos os grupos antifascistas” nos Estados Unidos e também à organização Black Lives Mater.

“O racismo está no sistema. Onde quer que formos, qualquer pessoa que seja africana continua a sofrer discriminação, algo que é sistemático no mundo inteiro. Temos de lutar para que isso deixe de existir e para que as pessoas sejam ouvidas”, afirmou.

Questionada sobre o que falta então fazer, a activista defendeu que os Governos “devem fazer qualquer coisa” para mudar a situação.

“Mas nos Estados Unidos temos o [Presidente Donald] Trump, depois temos o [Jair] Bolsonaro no Brasil. Uma coisa que nos tem preocupado é o [partido português] Chega e o que o (seu líder) André Ventura tem dito, as posições que tem tomado e que nada tem sido feito para que não aconteça isso. Achamos que isto, de certa forma, vai piorar, não vai melhorar, em Portugal e no Mundo”, argumentou.

Sobre se existe racismo em Portugal, Rita Casimiro considerou que sim, uma vez que continua a haver pessoas que o negam.

“Mas ele existe. As pessoas não podem dizer que não existe. [O racismo em Portugal] é endémico. Dou um exemplo: posso ter o mesmo currículo que uma pessoa africana, ter os mesmos estudos, ter inclusivamente estudos inferiores a ela, mas, só por ser branca já vou transmitir [ao empregador] muito mais confiança e competência. Nós [brancos] não vivemos isso no dia a dia, mas eles [os africanos] vivem”, sustentou.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de actos de pilhagem.

Os quatro polícias envolvidos foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi acusado de homicídio em segundo grau, arriscando uma pena máxima de 40 anos de prisão.

Os restantes vão responder por auxílio e cumplicidade de homicídio em segundo grau e por homicídio involuntário.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.

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