O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, cumprimenta populares após a Cerimónia Militar do Içar da Bandeira Nacional, no âmbito das comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Portalegre, 09 de junho de 2019. NUNO VEIGA/LUSA

O Presidente da República afirmou hoje que há “um compromisso” assumido de que as comemorações do Dia de Portugal, em 2020, terão lugar na Região Autónoma da Madeira, havendo a possibilidade de estendê-las à África do Sul.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas após ter visitado uma exposição das Forças Armadas, no Mercado Municipal de Portalegre, cidade em que este ano se realizam as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

“Para o ano, as comemorações serão na Madeira – é um compromisso já assumido. Só não foi este ano por causa das eleições para a Assembleia Legislativa Regional da Madeira [em setembro próximo]”, justificou o chefe de Estado.

De acordo com o Presidente da República, em 2020, as comemorações do Dia de Portugal vão começar na Região Autónoma da Madeira “e depois, provavelmente, numa comunidade madeirense grande”.

Sobre esta questão relativa ao ponto das comemorações no exterior, Marcelo Rebelo de Sousa afastou a hipótese da Venezuela.

“Eu diria, provavelmente, as comunidades sul-africanas, que há muito tempo esperam por essa oportunidade. Mas isso se definirá a seu tempo”, ressalvou o chefe de Estado.

Perante os jornalistas, o chefe de Estado defendeu o caráter positivo dos resultados alcançados com o modelo de dupla celebração instituído a partir de 2016 nas comemorações do Dia de Portugal: Primeiro em território nacional e depois no estrangeiro.

“Este modelo despertou o país para uma nova realidade – uma nova realidade que já era antiga. Valeu a pena comemorar o 10 de Junho, por simbólico que fosse, fora das nossas fronteiras físicas, mas dentro do nosso território espiritual”, concluiu o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou neste contexto que o atual modelo de comemorações iniciou-se em 2016, tendo então sido repartido entre Lisboa e Paris.

“Começámos em França [2016], de França fomos ao Brasil [2017], do Brasil aos Estados Unidos [2018], e vamos agora a Cabo Verde. Entretanto, aumentou ainda mais a participação das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e houve uma extensão do direito de voto no sentido do recenseamento automático, alargando de forma impressionante o universo eleitoral fora das fronteiras físicas do país”, apontou o Presidente da República, numa alusão a recentes mudanças legislativas operadas ao nível do sistema eleitoral.

Mas o chefe de Estado considerou ainda que, sobretudo nestes últimos anos, está a crescer a visibilidade e a importância das comunidades portuguesas junto dos cidadãos residentes em território nacional.

Tem sido permanente o contacto entre os que vivem dentro dessas fronteiras e os que vivem fora. Há novas instituições que estão a nascer ao lado das câmaras do comércio, ao lado do Conselho da Diáspora. Há agora um grande congresso da Diáspora Portuguesa”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa a título de exemplo.

 

Portugal cultiva o passado mas é projeto virado para futuro

 

O Presidente da República afirmou hoje que as comemorações do 10 de Junho são em primeiro lugar “o culto da pátria”, frisando que Portugal cultiva o seu passado, mas é um projeto virado para o futuro.

“Este 10 de Junho é cheio de vários significados, o primeiro deles o culto da pátria, o respeito e a gratidão às Forças Armadas bem testemunhadas no dia de hoje”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa no Mercado Municipal de Portalegre, antes receber os cumprimentos do corpo diplomático acreditado em Lisboa no âmbito das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, canta o Hino Nacional, durante a Cerimónia Militar do Içar da Bandeira Nacional, no âmbito das comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Portalegre, 09 de junho de 2019. NUNO VEIGA/LUSA

Tendo perto de si o presidente das comemorações do 10 de Junho deste ano, João Miguel Tavares, natural de Portalegre, o chefe de Estado sugeriu que a escolha por si feita deste jornalista traduziu um objetivo de inovação.

“Não podemos esquecer que Portugal é passado, é Camões, é presente e futuro das comunidades portuguesas e, sendo futuro, é inovação. A própria escolha do presidente da Comissão Organizadora [João Miguel Tavares] é uma demonstração desse objetivo de inovação”, disse.

O chefe de Estado definiu então Portugal como “um projeto que continua a ser construído todos os dias virado para o futuro, que cultiva o passado, respeita o presente, olha para os problemas do presente – entre eles os dos vários portugais muito diversos – e aposta no futuro”.

“Nesse sentido, este é um 10 de Junho diferente dos anteriores”, sustentou, antes de deixar um elogio às Forças Armadas “pela forma como souberam estar presentes junto do povo de Portalegre, que, no fundo, significa junto do povo de Portugal, mostrando como são insubstituíveis ao serviço da nação”.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, a escolha de Portalegre para receber as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em 2019 “também é simbólica, porque significa que Portugal nunca se esquece dessas realidades que são os portugais, não direi desconhecidos, mas que são minimizados, menorizados ou nem sempre presentes na vontade coletiva”.

Neste ponto relativo aos territórios do interior do país, o chefe de Estado referiu que esta capital de distrito do Alto Alentejo recebeu as comemorações há 41 anos.

“Estar em Portalegre 41 anos depois, significa como um reavivar daquilo que foi um primeiro sinal da democracia portuguesa logo a seguir à entrada em vigor da Constituição da República Portuguesa”, acrescentou.

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões ou sugestões?
Por favor fale connosco.
Publicidade

Todas as notícias e conteúdos no LUX24 são e continuarão a ser disponibilizadas gratuitamente, mas nunca como agora precisamos da sua ajuda para continuar a prestar o nosso serviço público.

Somos uma asbl – associação sem fins lucrativos – e não temos qualquer apoio estatal ou institucional, apesar do serviço público que diariamente fazemos em prol da comunidade portuguesa e lusófona residente no Luxemburgo, e já sentimos o efeito da redução da publicidade, que nos garante a manutenção do nosso jornal online.

A imprensa livre não existe nem sobrevive, sem o suporte activo dos seus leitores – sobretudo em épocas como esta, quando as receitas de publicidade se reduziram abruptamente, e nós continuamos a trabalhar a 100%.

Só lhe pedimos que esteja connosco nesta hora e nos possa ajudar com o seu donativo, seja ele de que valor for. Prometemos que continuaremos a ser a sua companhia de todas as horas.

Pode fazer o seu donativo por transferência bancária para a conta do LUX24:
IBAN: LU790250045896982000
Código BIC: BMECLULL

LUX24 asbl
#VaiFicarTudoBem

Publicidade