O primeiro-ministro, António Costa, intervem durante o briefing da Reunião do Conselho de Ministros, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, 26 de fevereiro de 2021. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O primeiro-ministro afirmou hoje que, desde o início da pandemia da covid-19, nenhuma medida foi tomada sem existir “total consonância” entre o Presidente da República e o Governo, adiantando que “há total” solidariedade institucional.

Esta posição foi transmitida por António Costa no final do Conselho de Ministros, depois de questionado sobre a existência agora de uma menor cooperação estratégica com o Presidente da República e se, por outro lado, Marcelo Rebelo de Sousa conhece o plano de desconfinamento que o Governo se prepara para apresentar em 11 de março.

“Naturalmente, muitas vezes não partimos do primeiro ponto de vista idêntico, mas chegamos sempre à mesma conclusão e a um resultado que nos uniu sempre a todos”, respondeu o primeiro-ministro.

Neste ponto, o líder do executivo foi ainda mais longe: “Não houve até agora e não haverá seguramente a partir de agora nenhuma medida que não seja adotada em total consonância entre o Governo e o senhor Presidente da República”.

“Desde logo, porque os decretos do Governo só podem regulamentar o que consta do decreto presidencial. Depois, desde o princípio que entendemos que era em conjunto que tínhamos de enfrentar para a vida do país”, completou.

Na conferência de imprensa, António Costa referiu-se com ironia às notícias sobre alegadas divergências entre o executivo e o Palácio de Belém em matéria de medidas para a contenção e combate à covid-19.

“Tenho verificado que há uma espécie de concurso na comunicação social entre quem noticia de que é o Governo que quer acelerar o desconfinamento e os outros que noticiam que é o Presidente da República que quer acelerar o desconfinamento. Diz-se que o Governo resiste à pressão do Governo, mas que o Presidente da República insiste na pressão sobre o Governo”, apontou o primeiro-ministro em tom de crítica.

No entanto, de acordo com António Costa, na quinta-feira, durante a comunicação que fez ao país, o Presidente da República deixou bem claro que, desde o início da pandemia de covid-19, “tem havido total solidariedade institucional entre todos, não só entre Governo e Presidente da República, mas também com a Assembleia da República”.

Para António Costa, esta cooperação estratégica “tem sido muito importante para que o país, aceite e respeite as medidas muito difíceis que têm sido adotadas e que são muito difíceis para a vida de todos, para o funcionamento das empresas e das instituições”.

António Costa afirma que não há inquéritos epidemiológicos em atraso

O primeiro-ministro afirmou hoje que não há atualmente inquéritos epidemiológicos em atraso e que, para já, até é possível reduzir o número de militares afetos a ações de rastreio, mas salientou estar em preparação a testagem “massiva”.

Estas posições foram transmitidas por António Costa em conferência de imprensa, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, depois de uma reunião do Conselho de Ministros e após ser confrontado com críticas sobre a persistência de uma falta de recursos humanos para ações de rastreio.

“Neste momento, felizmente, não há inquéritos epidemiológicos em atraso, tendo sido recuperado todo o atraso que existia. Podemos mesmo já reduzir o número de pessoas afetas às atividades de rastreamento, designadamente os militares das Forças Armadas”, respondeu o líder do executivo.

António Costa ressalvou logo a seguir que “os militares das Forças Armadas mantêm-se em estado de prontidão para poderem voltar a ser chamados, caso seja necessário aumentar o número de rastreios”.

O primeiro-ministro, António Costa, intervém durante o briefing da Reunião do Conselho de Ministros, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, 26 de fevereiro de 2021.
ANTÓNIO COTRIM / LUSA

Neste ponto da conferência de imprensa, António Costa referiu que o Ministério da Saúde “está a preparar um alargamento muito significativo das ações de testagem, o que é facilitado pelo facto de atualmente se dispor de novos testes, designadamente testes PCR que podem ser realizados por mera colheita de saliva”.

“Isso cria condições para se massificar de forma mais acelerada a testagem de cidadãos, procurando uma pró-atividade, como aquela que foi desenvolvida em 19 freguesias da área metropolitana de Lisboa no início de junho”, indicou – aqui numa alusão ao surto de covid-19 que então atingiu vários concelhos da chamada “Grande Lisboa”.

“Não vamos apenas esperar por aqueles que, por algum motivo, decidem testar-se, mas, também, iremos à procura de pessoas para testar, tendo em vista identificar, isolar e rastrear contactos de pessoas que possam estar infetadas, algumas delas sem qualquer sintoma e, como tal, sem consciência de que se encontram infetadas”, acrescentou.

PMF // SF // JPS

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