O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (D), acompanhado pela ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes (2D), durante a visita à Feira Nacional da Agricultura dedicada à temática da água, onde marca presença num conjunto de iniciativas sobre a atividade do setor, Santarém, 13 de junho de 2021. PAULO CUNHA /LUSA

Marcelo Rebelo de Sousa declarou domingo (13) que, no que depender do Presidente, não haverá “volta atrás” no processo de desconfinamento, e deu a Feira da Agricultura de Santarém como exemplo do “virar de página”.

 “Já não voltamos para trás. Não é o problema de saber se pode ser, deve ser, ou não. Não vai haver. Comigo não vai haver. Naquilo que depender do Presidente da República não se volta atrás”, afirmou, Marcelo Rebelo de Sousa, que ontem visitou a Feira Nacional de Agricultura, em Santarém.

O chefe de Estado defendeu que “o não voltar atrás exige às pessoas viverem à medida disso”, que, se querem que não se volte atrás, “têm que ter bom senso no respeito das regras sanitárias”, que aos eleitos para governar cabe decidir e aos especialistas “chamar a atenção para o juízo que as pessoas devem ter”.

“A função dos especialistas é dizer ‘não se esqueçam’ e pregar um certo susto” para que as pessoas, sobretudo os mais jovens e os que ainda não são vacinados, saibam que devem ajudar, disse Marcelo Rebelo de Sousa, frisando que a vacinação já permite “dizer que aquilo que arrancou na economia e na sociedade vai em frente e já não volta atrás”.

Acompanhado pela ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas, em Santarém, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que a agricultura foi um sector que “nunca parou” na pandemia de covid-19, e deu o exemplo da Feira Nacional da Agricultura como exemplo que o país “virou a página” no desconfinamento.

Para o Presidente, esta feira corresponde ao que declarou no seu discurso do 10 de junho, de que o país “virou a página” e está agora “num novo ciclo”.

António Costa diz que ninguém pode garantir que não se volta atrás no desconfinamento

O primeiro-ministro hoje que ninguém pode garantir que não se volta atrás no desconfinamento, sublinhando que o Governo adoptará “em cada momento as medidas que se justifiquem perante o estado da pandemia”.

“Se alguém pode garantir [que não se volta atrás no desconfinamento]? Não, creio que nem o senhor Presidente da República seguramente o pode fazer, nem o fez”, sublinhou António Costa.

António Costa falava em conferência de imprensa no quartel-general da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês), após a cimeira que reuniu os chefes de Estado e de Governo da Aliança.

Reagindo às declarações de Marcelo Rebelo de Sousa que, no domingo, sublinhou que, no que depender dele, não haverá “volta atrás” no processo de desconfinamento, António Costa disse que crê que as palavras do Presidente da República são “subscritas por 100% dos portugueses”.

“Não há qualquer português que possa dizer que deseja que haja um volte face no desconfinamento. Creio que 100% dirão aquilo que o senhor Presidente da República disse, que é: ‘ninguém deseja que não haja desconfinamento’”, apontou António Costa.

No entanto, o primeiro-ministro apelou à responsabilidade dos portugueses, ressalvando que, “apesar de o processo de vacinação estar a andar a um ritmo bastante bom” e a “cumprir os objectivos que tinham sido definidos”, o “combate ao covid não é só o combate contra a mortalidade ou para proteger o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

“O combate ao covid é, em primeiro lugar, pela protecção da saúde de cada uma das pessoas. E essa saúde das pessoas é independente da idade das pessoas (…) porque há uma pergunta que ninguém sabe responder, que é: que consequências, que sequelas, esta doença e esta infecção deixará para o futuro da vida de cada uma das pessoas que é infectada?”, apontou Costa.

Considerando assim “extremamente perigoso desvalorizar a gravidade da situação”, o chefe do Governo relembrou que, “nas últimas semanas”, o número de novos casos tem vindo “sistematicamente” a aumentar em Portugal, o que mostra que “não está a haver o ajustamento adequado dos comportamentos”.

“Portanto, nós temos que fazer e manter um grande esforço e disciplina, para manter essa adequação de forma a evitar situações que são obviamente situações de risco”, apontou António Costa.

Apelando assim a que “cada um” adopte “os comportamentos correctos de forma a que as coisas possam evoluir bem”, o primeiro-ministro referiu que a posição do Governo “é simples”, e consiste em adoptar “em cada momento as medidas que se justifiquem perante o estado da pandemia”.

“Sempre que é possível aliviar as medidas restritivas, aliviamos as medidas restritivas porque, obviamente, a regra deve ser a da liberdade. Sempre que a evolução da pandemia nos imponha restringir qualquer movimento ou qualquer actividade, nós não deixaremos de o fazer porque, obviamente, o primado da saúde tem de prevalecer sobre tudo o resto”, concluiu António Costa.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.805.928 mortos no mundo, resultantes de mais de 175,8 milhões de casos de infecção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 17.047 pessoas dos 858.072 casos de infecção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

TEYA/ACC (MLL) // SF

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