Pedro Rupio, Presidente do Conselho Regional da Europa (CRE) das Comunidades Portuguesas – FOTO: PEDRO RUPIO/FACEBOOK

Vários emigrantes portugueses no Reino Unido estão a ser afectados por “xenofobia e discriminação” relacionada com o ‘Brexit’, de acordo com o relatado hoje pelos conselheiros em território britânico, junto do Conselho Regional da Europa (CRE).

À Lusa, a presidente demissionária do CRE das Comunidades Portuguesas, Luísa Semedo, afirmou que os conselheiros eleitos pelo Reino Unido relataram que há portugueses que estão a ser afectados por “xenofobia e discriminação”, impulsionada pela saída da União Europeia.

“São casos mesmo muito graves. Estamos a falar de portugueses que têm medo de falar português na rua, porque podem ser, de alguma forma, agredidos – verbalmente, pelo menos – e isso é gravíssimo”, disse Luísa Semedo, num balanço final da reunião de dois dias que reuniu conselheiros de países europeus no Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Luísa Semedo referiu estes temas têm na génese “um crescimento da extrema-direita”, que “também está presente em Portugal”.

“Não nos podemos esquecer que lá fora somos estrangeiros, é assim que nós somos tratados e, portanto, todo este crescimento da extrema-direita é muito perigoso para nós”, acrescentou.

A secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, considerou que “é evidente” que a presença de discursos nacionalistas pode possibilitar o surgimento de “um discurso xenófobo e racista um bocado com mais força”, acrescentando que Portugal “não está imune” a discursos xenófobos

“Da parte da Secretaria de Estado das Comunidades, nós, sempre que tenhamos conhecimento de alguma espécie de abuso ou de algum tipo de situação em que consideremos que devamos intervir, certamente o faremos”, garantiu Berta Nunes, advogando que perante estes discursos “a tolerância deve ser zero”.

Berta Nunes fez um balanço positivo da reunião com o CRE das Comunidades Portuguesas, o primeiro em que participou desde que assumiu a pasta de secretária de Estado, em outubro do ano passado.

“Considero que o papel dos conselheiros é importante, são uma voz autorizada porque são eleitos com legitimidade eleitoral – embora muitos não sejam eleitos por muitos portugueses – (…) e eles são uma voz das nossas comunidades que temos de ouvir”, vincou a governante, apelando ao voto dos emigrantes nos seus representantes.

No encontro entre a secretária de Estado e os conselheiros europeus debateram-se também alterações à Lei do Conselho das Comunidades Portuguesas, o ensino da língua e “questões sociais” como o envelhecimento de emigrantes.

“Ficou combinado criarmos um grupo de trabalho e iniciarmos o mais breve possível esse trabalho para fazer alterações à legislação. Há várias propostas que o Conselho das Comunidades tem feito em relação à legislação”, referiu Berta Nunes.

A secretária de Estado salientou que há também discussões sobre a realização das eleições para os conselheiros, previstas para Outubro deste ano.

Luísa Semedo destacou a presença do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, no encontro, tendo sido a primeira presença do chefe da diplomacia numa reunião do CRE no actual mandato.

Durante o encontro, que terminou hoje no Ministério dos Negócios Estrangeiros, o conselheiro eleito para o Conselho Regional da Europa (CRE) das Comunidades Portuguesas pela Bélgica, Pedro Rupio, foi eleito para a presidência do órgão, substituindo Luísa Semedo, que apresentou recentemente a sua demissão deste órgão.

Fui eleito Presidente do Conselho Regional da Europa do Conselho das Comunidades Portuguesas.Comprometo-me a assumir…

Publiée par Pedro Rupio sur Vendredi 28 février 2020

Pedro Rupio nomeado novo presidente do Conselho Regional da Europa

O conselheiro eleito para o Conselho Regional da Europa (CRE) das Comunidades Portuguesas pela Bélgica, Pedro Rupio, foi hoje eleito para a presidência do órgão, substituindo Luísa Semedo, que apresentou recentemente a sua demissão.

A votação, unânime entre os conselheiros presentes, marcou o último ponto da reunião de dois dias do órgão consultivo do Governo para as políticas relativas à emigração e às comunidades portuguesas no estrangeiro.

“Comprometo-me a assumir estas funções com alto sentido de responsabilidade e aproveito também para agradecer a confiança e o apoio dos meus colegas conselheiros nesta nova missão”, escreveu Pedro Rupio, através da rede social Facebook.

O conselheiro em representação da Bélgica substitui assim Luísa Semedo à frente deste órgão do Conselho das Comunidades Portuguesas, num lugar que a conselheira eleita por França anunciou que iria abandonar.

“É um prazer para nós, é um candidato e é um conselheiro com mais-valia, e, portanto, estamos todos descansados em relação ao futuro”, disse à Lusa a presidente demissionária sobre o seu sucessor.

Luísa Semedo fez um “balanço muito positivo” do tempo em que esteve à frente do CRE das Comunidades Portuguesas.

“Temos aqui conselheiros que estão aqui há imensos anos, e, portanto, aprendi imenso com eles sobretudo esta dinâmica das comunidades. É preciso ver que aqui é o Conselho Regional da Europa, e portanto aquilo que se passa em França não é o mesmo que se passa no Reino Unido, que se passa na Suécia”, afirmou a presidente demissionária.

Para Luísa Semedo, estes encontros “são essenciais” para que os conselheiros encontrem “uma imagem muito mais aprofundada” sobre as comunidades portuguesas espalhadas por território europeu.

Luísa Semedo demitiu-se do cargo de presidente do CRE devido a uma “situação absolutamente impossível” com o partido Chega.

“Eu saio desse cargo, de representação dos conselheiros, e passo a ser uma conselheira que fala por ela própria e responde pelos eleitores que a elegeram. […] Enquanto presidente eu teria de o convidar [André Ventura] e ser anfitriã da reunião. Normalmente os convidados chegam, falam comigo e eu sou a principal interlocutora”, explicou Luísa Semedo à Lusa em 12 de fevereiro.

A conselheira tinha anunciado nas suas redes sociais que abandonaria o seu cargo de representação dos restantes 24 membros do CRE devido à obrigação de uma interação direta com o partido Chega, eleito para a Assembleia da República.

“É uma situação absolutamente impossível de fazer porque eu não considero nem o Chega nem o André Ventura como legítimos no cargo onde estão. Não vou falar com uma pessoa que é racista, fascista e tem no seu programa várias medidas intolerantes”, argumentou então Luísa Semedo.

O Conselho das Comunidades Portuguesas, que elege representantes em todo o Mundo, tem novas eleições previstas para outubro deste ano.

Durante o segundo dia de reunião, que decorreu na sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa, estiveram presentes o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e a secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes.

 

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões ou sugestões?
Por favor fale connosco.
Publicidade

Todas as notícias e conteúdos no LUX24 são e continuarão a ser disponibilizadas gratuitamente, mas nunca como agora precisamos da sua ajuda para continuar a prestar o nosso serviço público.

Somos uma asbl – associação sem fins lucrativos – e não temos qualquer apoio estatal ou institucional, apesar do serviço público que diariamente fazemos em prol da comunidade portuguesa e lusófona residente no Luxemburgo, e já sentimos o efeito da redução da publicidade, que nos garante a manutenção do nosso jornal online.

A imprensa livre não existe nem sobrevive, sem o suporte activo dos seus leitores – sobretudo em épocas como esta, quando as receitas de publicidade se reduziram abruptamente, e nós continuamos a trabalhar a 100%.

Só lhe pedimos que esteja connosco nesta hora e nos possa ajudar com o seu donativo, seja ele de que valor for. Prometemos que continuaremos a ser a sua companhia de todas as horas.

Pode fazer o seu donativo por transferência bancária para a conta do LUX24:
IBAN: LU790250045896982000
Código BIC: BMECLULL

LUX24 asbl
#VaiFicarTudoBem

Publicidade