A ministra da Saúde, Marta Temido. (foto: TIAGO PETINGA / POOL / LUSA)

Portugal deverá atingir 37 mil novos casos de infecção com o coronavírus SARS-CoV-2 na primeira semana de janeiro de 2022, mais do dobro do máximo de 17.172 registados hoje, disse hoje à Lusa a ministra da Saúde, Marta Temido.

Segundo Marta Temido, o número de novas infecções hoje registadas, o maior desde o início da pandemia, correspondia já às previsões do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) para o próximo dia 29.

“Estamos, portanto, com uma ligeira aceleração face a essas previsões”, disse a ministra da Saúde em declarações à agência Lusa no Ministério da Saúde.

As previsões apontam também para que em 07 de janeiro sejam atingidos mais de 37 mil novos casos, disse Marta Temido, sublinhando que o risco de transmissão efectivo está em 1,3, o que é “muito elevado”, com uma estimativa de tempo de duplicação de oito dias.

“Como infelizmente antecipámos, estamos perante um crescimento muito intenso do número de casos e provavelmente manter-se-á este ritmo de crescimento nos próximos dias”, alertou a ministra.

“Se conseguirmos cumprir responsavelmente as medidas que temos em vigor a nossa expectativa é de que consigamos reduzir este ritmo de transmissão e ganhar tempo para mais vacinação, para mais protecção”, adiantou.

Marta Temido lembrou que o período de contenção, que foi antecipado uma semana, teve início no sábado e que “é preciso que o tempo aconteça” para se poder ver “alguns resultados”.

“No entretanto, é muito importante que cada um de nós cumpra rigorosamente o teletrabalho, as orientações de isolamento quando elas são aplicadas, o evitar de contactos desprotegidos e, caso seja elegível, a vacinação”, insistiu.

Ministra diz que já foi necessário suspender actividade não-Covid em alguns casos

A ministra da Saúde, Marta Temido, disse hoje que já foi preciso suspender “em alguns casos” a actividade assistencial não covid-19, admitindo que tal possa voltar a ser necessário.

“Em alguns casos foi necessário suspender a actividade assistencial, não está fora de hipótese a necessidade de suspensão de outras linhas, mas neste momento estamos a tentar equilibrar o melhor possível todas as áreas”, disse Marta Temido, em declarações à agência Lusa no Ministério da Saúde, em Lisboa.

Questionada sobre o aumento da afluência aos serviços de urgência por parte de doentes com covid-19 e outras doenças numa altura em que os centros de saúde estão com dificuldade em responder aos doentes não-covid, a ministra reconheceu que “é muito difícil encontrar o justo equilíbrio entre tantas necessidades que concorrem umas com as outras”.

“E a circunstância de a Linha Saúde 24 estar neste momento com dificuldades pode dificultar essa gestão de fluxos e, por isso, é que estamos a introduzir medidas na Linha Saúde 24”, adiantou.

Para evitar a corrida às urgências, a ministra apelou para que as pessoas se “abstenham o mais possível” de contactos evitáveis para se protegerem e para utilizarem as medidas não farmacológicas de protecção.

“Cada caso que é evitado é menos um caso que fica em risco, que gera outros casos e que sobrecarrega o sistema de saúde”, disse.

Marta Temido recordou que no dia 26 de dezembro do ano passado, quando se atingiu um pico de casos, o contexto era muito diferente.

“Estávamos em casa, os hospitais estavam parados em termos daquilo que era a sua resposta à procura normal, os centros de saúde estavam parados, não estávamos a vacinar ao ritmo que hoje estamos a vacinar e hoje estamos a fazer um conjunto de actos simultâneos que é muitíssimo mais exigente e, portanto, o sistema está de facto com dificuldades de resposta”, declarou.

Salientou ainda que “todos estão a fazer o melhor possível e todos estão a tentar encontrar as melhores soluções possíveis e todos os meios estão mobilizados” para dar a melhor resposta à população.

“Acredito também que, como em casos anteriores, isso nos vai permitir ultrapassar esta fase, sendo que hoje dispomos de um aliado extraordinário que é a vacinação e isso vê-se na doença grave, nos óbitos, nas complicações que felizmente são muito inferiores àquilo que tínhamos no final de dezembro do ano passado”, realçou.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 18.909 pessoas e foram contabilizados 1.303.291 casos de infecção, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.

A covid-19 provocou mais de 5,40 milhões de mortes em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

Uma nova variante, a Ómicron, considerada preocupante pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foi detectada na África Austral, mas desde que as autoridades sanitárias sul-africanas deram o alerta, a 24 de novembro, foram notificadas infecções em pelo menos 110 países, sendo dominante em Portugal.

ND com Lusa

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões, sugestões?
Por favor fale connosco via email para geral@lux24.lu.
Siga o LUX24 nas redes sociais. Use a #LUX24 nas suas publicações.
Faça download gratuito da nossa ‘app’ na Google Play ou na App Store.
Publicidade
Publicidade