O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reage durante a visita às zonas inundadas do Baixo Mondego, em Montemor-o-Velho, 28.12.2019. FOTO: PAULO CUNHA/LUSA

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje que as cheias no Baixo Mondego são “um problema nacional” que exige soluções diferentes das do passado.

“Se o problema é maior, as soluções não são exactamente as mesmas do passado”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, em Formoselha, no concelho de Montemor-o-Velho, após ter visitado alguns dos locais mais atingidos pelas cheias da semana passada.

O Presidente destacou ainda o trabalho do poder local, que “esteve presente” na realização das acções mais urgentes para minimizar a devastação causada pela subida das águas do rio Mondego, e considerou que também “o Governo percebeu a importância do que se passou”.

Nas suas deslocações pelas localidades e pelos campos do Baixo Mondego, alguns ainda submersos, o Presidente da República teve a companhia do ministro do Ambiente e da Acção Climática, João Pedro Matos Fernandes, e dos presidentes dos municípios de Montemor-o-Velho e Soure, Emílio Torrão e Mário Jorge Nunes, respectivamente, entre outros autarcas.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, as populações afectadas “estiveram solidárias” com as autarquias da região e seus representantes, enquanto o poder local, por sua vez, estando “mais próximo” dos cidadãos, respondeu às necessidades imediatas com os meios disponíveis.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, conversa com o ministro do Ambiente e da Acção Climática, João Pedro Matos Fernandes, e com o presidente da Câmara de Municipal de Montemor-o-Velho, Emílio Torrão (E), durante a visita às zonas inundadas do Baixo Mondego, em Montemor-o-Velho, 28.12.2019. FOTO: PAULO CUNHA/LUSA

A extensão dos danos provocados pelas cheias “agora é diferente”, disse, admitindo também que as populações “estão actualmente mais exigentes” do que nas últimas décadas, quando outros desastres naturais idênticos afectaram a região, antes e depois de iniciadas as obras do projecto hidroagrícola do Baixo Mondego, há cerca de 40 anos.

“Isso é a democracia. A exigência subiu no tempo”, sublinhou o Presidente da República, que, nas paragens em diferentes localidades, ao longo da tarde inteira, procurou ouvir os populares, confortando-os com palavras, beijos e abraços.

Em Formoselha, foi abordado por José Pimentel, um bancário residente nesta povoação da freguesia de Santo Varão, concelho de Montemor-o-Velho.

Emocionado, este bancário de 64 anos disse a Marcelo Rebelo de Sousa que “já tinha perdido tudo” nas cheias de 2011.

Pela segunda vez, em menos de 20 anos, “fiquei agora sem nada novamente, isto é triste”, afirmou.

Para José Pimentel, “é preciso instalar duas bombas junto à estação ferroviária de Alfarelos”, na Linha do Norte, a fazer a trasfega de água do rio Ega para o Mondego.

“É igualmente necessário proceder ao desassoreamento do Ega”, que está congestionado com inertes, corroborou António Lopes Marques, de 79 anos.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, cumprimenta uma popular durante a visita às zonas inundadas do Baixo Mondego, em Formoselha, 28.12.2019. FOTO: PAULO CUNHA/LUSA

Este antigo trabalhador ferroviário confirmou à agência Lusa que aquele afluente do Mondego “está assoreado e há muito a precisar de limpeza” do leito.

Na sequência da passagem das depressões Elsa e Fabien, Marcelo Rebelo de Sousa divulgou uma nota a dar conta de que estava a acompanhar a situação do mau tempo em Portugal, em particular no Baixo Mondego, onde a ruptura de dois diques provocou cheias, e prometeu deslocar-se àquela região.

Na véspera de Natal, anunciou que iria fazer hoje essa visita, declarando: “Vou observar, vou ver e vou contactar com a realidade, conforme prometi, no tempo adequado, que é estabilizada a situação e não durante o período crítico – exactamente o mesmo que adoptei em relação aos incêndios. Entendo que ganho em perceber o que se passou e aquilo que está a ser pensado”.

PR elogia “resistência” das populações afetadas pelas cheias no Baixo Mondego

O Presidente da República defendeu hoje que agora importa fazer um levantamento dos danos causados pelas cheias no Baixo Mondego, na semana passada, tendo realçado a “capacidade de resistência” das populações.

“É preciso fazer o levantamento dos prejuízos para ver como se avança”, disse Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas em Montemor-o-Velho, Coimbra, que elogiou a “capacidade de resistência” das pessoas afectadas.

O Presidente da República prestava as primeiras declarações na vila de Ereira, naquele município do distrito de Coimbra, durante a visita que está a efectuar, hoje à tarde, aos locais do Baixo Mondego mais afectados pelas cheias da semana passada.

Os efeitos do mau tempo provocaram três mortos e deixaram 144 pessoas desalojadas e outras 352 deslocadas por precaução, registando-se mais de 11.600 ocorrências, na maioria inundações e quedas de árvores.

O mau tempo, provocado pela depressão Elsa, entre os dias 18 e 20, a que se juntou no dia 21 a depressão Fabien, provocou também condicionamentos na circulação rodoviária e ferroviária, bem como danos na rede eléctrica, afectando a distribuição de energia a milhares de pessoas, em especial na região Centro.

 

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