O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (D), acompanhado pelo primeiro-ministro, António Costa (C-D), pelo Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca (E), e pelo primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Silva (2E), faz um brinde durante as cerimónias comemorativas do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Mindelo, Cabo Verde, 11 de junho de 2019. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O Presidente da República português afirmou na terça-feira que “a História é o que é” e tem de ser aceite como um todo, e realçou a importância da língua portuguesa como “realidade estratégica universal”.

Marcelo Rebelo de Sousa falava numa cerimónia no Mindelo, em Cabo Verde, no seguimento de uma intervenção do presidente da comissão organizadora do Dia de Portugal, João Miguel Tavares, que falou sobre as marcas do período colonial e defendeu o ensino do crioulo cabo-verdiano em escolas dos dois países.

“A História é o que é. Não é possível estar a dizer: eu da História aceito uma parte, outra parte não aceito. Foi o que foi. Podemos gostar mais ou gostar menos, honrarmo-nos mais, como eu disse em Portalegre, noutra parte, e evocarmos outra, honrando-nos menos, muito menos. Mas é uma realidade”, afirmou.

Sobre a questão linguística, o chefe de Estado português considerou que, “sem embargo da chamada de atenção aqui feita” quanto ao crioulo, “a língua portuguesa é um instrumento universal fundamental” para todo o espaço lusófono, “um trunfo essencial” no plano internacional.

Nesta cerimónia de receção à comunidade portuguesa, num hotel do Mindelo, na ilha de São Vicente, que foi o último ponto das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, iniciadas no domingo em Portalegre, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu também ao desafio do seu homólogo cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, para que Portugal e Cabo Verde avancem a nível bilateral na mobilidade de cidadãos.

“Bilateralmente é possível, se houver Estados que querem dar esse passo”, referiu Marcelo Rebelo de Sousa, considerando que é preciso “encontrar a fórmula” para isso, cumprindo “duas condições”.

“A primeira é que não seja visto como algo contra outros Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). E, havendo reuniões que envolvem todos, essas reuniões têm primazia sobre aprofundamentos bilaterais”, apontou.

Em segundo lugar, acrescentou, é preciso atender ao “quadro europeu em que Portugal se integra” e evitar “criar problemas” com outros Estados-membros da União Europeia que “não têm a mesma compreensão” relativamente a esta matéria.

Fazem parte da CPLP, além de Portugal e Cabo Verde (que tem a presidência rotativa da CPLP), Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Cabo-verdianos e portugueses gostam uns dos outros – PR de Cabo Verde

O Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, afirmou que, apesar de terem estado de costas viradas no passado, cabo-verdianos e portugueses “gostam uns dos outros” e isso “é talvez o mais importante”.

Jorge Carlos Fonseca falava na cerimónia oficial do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que decorreu no Mindelo, na ilha cabo-verdiana de São Vicente, depois de realizada na segunda-feira na cidade da Praia, ilha de Santiago.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (E), e o seu homólogo de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca (2E), tiram uma selfie com populares durante as cerimónias comemorativas do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Mindelo, Cabo Verde, 11 de junho de 2019. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Referindo-se às feridas que o passado colonial deixou, o chefe de Estado cabo-verdiano disse que os traumas não são o sentimento dominante e que, na sua opinião, “os portugueses e os cabo-verdianos gostam uns dos outros e isso é importante, é talvez o mais importante”.

Jorge Carlos Fonseca ilustrou essa relação com um episódio ocorrido hoje durante uma visita que realizou, na companhia do chefe de Estado português, ao centro de estágio da Federação Cabo-Verdiana de Futebol, no Mindelo.

Quando assistia a uma partida de futebol, o chefe de Estado cabo-verdiano foi chamado por um espectador que lhe pediu uma intervenção no sentido de a seleção portuguesa de futebol jogar em Cabo Verde.

Jorge Carlos Fonseca aproveitou a presença do vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Humberto Coelho, a quem o popular terá dito: “Aqui em Cabo Verde já sofremos muito pela vossa seleção”.

Esta paixão pelo futebol português expressa por um cabo-verdiano demonstra que “a vida de um cidadão normal não é feita apenas de racionalidade, de verdades objetivas”, adiantou o chefe de Estado cabo-verdiano.

“É inquestionável que vivemos de costas viradas no passado. Os cabo-verdianos ainda hoje têm muitas dificuldades em Portugal”, disse, acrescentando: “Quando os cabo-verdianos exigem mais direitos, mais acesso à saúde, à habitação, ao crédito, o que dizem é que os discursos de igualdade têm de traduzir-se em atos”.

Dirigindo-se aos portugueses em Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca afirmou para continuarem a ser felizes no arquipélago.

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