Mudança / FOTO DR / Todos os Direitos de Autor Reservados
Miguel Silva, psicólogo, escreve semanalmente às terças no LUX24

“Às vezes só me apetecia viajar por este mundo fora!”. Conhece esta expressão? No passado, já lhe ocorreram pensamentos deste género? Compreender, na verdadeira aceção da palavra, o comportamento humano não parece de todo uma tarefa fácil. O que leva as pessoas a comportarem-se de diferenciadas maneiras pode ser definido como o conjunto de todas as ações físicas e emocionais associadas a um individuo ou grupo social (Chaves,1992).

Na perspetiva do comportamento humano, existe um conceito que merece especial atenção para melhor entendermos a sua complexidade. Estamos a falar de objetivos. Viver com objetivos na vida requer promover a noção de “autogestão” salientando a importância que a responsabilidade pessoal assume no controlo da própria saúde ou doença. Assim, esta forma de pensar permitiu, ao longo das últimas décadas, alterar o paradigma vigente do modelo biomédico para o modelo biopsicossocial (Marco, 2007).

De um modo geral, o modelo biopsicossocial proposto pelo psiquiatra americano George Engel (1977) defende que os fatores biológicos, psicológicos e sociais estão envolvidos nos estados de saúde e doença, tal como mencionado anteriormente.

Pois bem, para haver equilíbrio entre estes dois estados é importante criar uma estabilidade sólida. Geralmente, um dos fatores mais importantes na realização dos objetivos é a motivação. Na psicologia, o conceito de motivação é descrito por Littman (1991) como um processo ou condição que pode ser fisiológico ou psicológico, inclusive, interno ou externo ao organismo.

Ora, na vanguarda das motivações estão presentes as intrínsecas (e.g., quando os indivíduos se envolvem numa atividade específica incentivados pelas recompensas internas que antecipam obter.) e as extrínsecas (e.g., esta motivação implica a realização de uma atividade com a intenção de atingir alguma consequência dissociável da tarefa em si mesma, tal como receber um prémio, evitar a culpa, ou ganhar aprovação.)

A motivação, assim, permitirá a pessoa viajar por esta mudança fora na “companhia” da autorregulação. O conceito de autorregulação, em termos gerais, refere-se a uma mobilização estratégica de cognições, motivações e comportamentos, conduzida pela pessoa a fim de atingir uma meta/objetivo (Baptista & Neto, 2019).

Portanto, esta viagem na “companhia” da autorregulação pressupõe três etapas: a primeira etapa diz respeito à consciencialização e estabelecimento do objetivo; a segunda etapa diz respeito à procura ativa desse objetivo; e, por fim, a terceira etapa diz respeito ao alcance, manutenção ou reformulação do objetivo estabelecido.

É muito importante a pessoa conhecer os meios e os mecanismos através dos quais o individuo pode alterar o seu comportamento para atingir um determinado fim desejado.

Caros leitores, todos “a bordo” nesta viagem com destino incerto para promover uma mudança no estabelecimento de novos objetivos? Não se esqueça de usar o seu “kit de sobrevivência”: promover um pensamento positivo; usar máscara; e manter o distanciamento de dois metros. Desejo-vos uma ótima viagem!

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