Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.
Silvina Queiroz, professora

Olá, Lux Português! Escrevo esta croniqueta a uma segunda-feira, 15 de Outubro.

É um dia triste, não só porque está feio, chuvoso e já muito outonal, mas porque faz hoje um ano que grande parte da região centro de Portugal foi consumida por chamas criminosas, que ceifaram tantas vidas e destroçaram muitas outras, e apenas a escassos quatro meses de outros pavorosos incêndios, que roubaram também outras vidas, desprevenidas e desprotegidas perante a catástrofe que lhes entrou porta adentro.

Para o ano teremos outro aniversário triste a pesar nas nossas memórias: a passagem terrífica  da tempestade Leslie na noite do passado sábado pela zona centro e parte do nordeste transmontano, com particular incidência na minha cidade, a Figueira da Foz.

O Leslie entrou exactamente por aqui e deixou um rasto de destruição inimaginável, apesar de ter durado, felizmente, “apenas “ 15 minutos na sua maior força.

Mas foram minutos que pareceram horas pelo pavor que infundiram em toda a população. As imagens do caos correm o Mundo, agora acrescidas pelas de Espanha e especialmente França, onde a tempestade “agiu” com violência mortífera.

Estas imagens têm forçosamente de nos chamar, mais uma vez,  a atenção.

Quando garota, as pessoas mais velhas da família falavam do “ciclone”, ainda sentindo o pavor vivido nesse dia já longínquo de 15 de Fevereiro de 1941.

Esta tragédia imensa cobriu o triste país que éramos de ainda maior tristeza: pobreza agravada pela perda de habitações e pobres bens, e luto, grande luto, porque muitas vidas foram varridas nesse dia fatídico.

Os jornais da época relatavam a catástrofe, dizendo também que já não havia registos de fenómeno tão grave desde “há mais de cem anos”.

De 41 para cá passaram setenta e sete anos, um terço desse tempo! E assusta pensar o que sabemos por certo: que estas intempéries nos visitarão cada vez mais amiúde!

E porquê? Porque a ganância e o lucro rápido e fácil cegam uma “meia dúzia” que arrastam nas suas más decisões todos os outros  independentemente das suas atitudes mais ou menos conscientes em relação à defesa do ambiente e da Natureza. Está farta, cansada, mal tratada e abusada, reage. E cada vez mais agressivamente o fará.

Que bom se estivéssemos errados nesta suposição! Fiquem bem. Um abraço fraterno.

*Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

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