Esta longa-metragem com produção associada entre a França e a Bélgica assinala a estreia da actriz Laure de Clermont-Tonnerre na realização (destacou-se com a curta-metragem “Rabbit”, 2014), narra a história de Roman Coleman, um recluso violento, que tem a oportunidade de participar num programa de terapia de reabilitação envolvendo o treino de cavalos selvagens.

Prepare-se para um filme incrivelmente impressionante, dotado de enorme sinceridade, com uma poética cinematográfica de elevada sensibilidade e notoriamente inspirador!

É incontornável realçar o actor belga Matthias Schoenaerts (destacou-se com os filmes “Rust and Bone”, 2012 e “Bullhead”, 2011), que interpreta o personagem Roman com uma intensidade assustadoramente electrizante que o coloca possivelmente a galopar para a afirmação definitiva enquanto estrela na 7a Arte!

Tenho de destacar um detalhe sedutor em The Mustang, o cenário da prisão, gritantemente semelhante ao género de documentário revelando os calabouços imundos, do tamanho de um armário de vassouras, compartilhado por dois grandes homens revoltados (como se de sardinhas enlatadas se tratassem).

Para além do filme ser produzido por Robert Redford há que destacar os 5 anos que a realizadora Laure de Clermont-Tonnerre passou no Nevada a pesquisar sobre um programa para prisioneiros da vida real!

Subtilmente este filme faz lembrar o trabalho de Kathryn Bigelow, a mestre em retratar a violência masculina sem sentimentalismo machista sendo um bom prenuncio para a carreira da Clermont-Tonnerre.

A banda sonora original é crucial em todos os momentos da acção narrativa e o compositor Jed Kurzel (destacou-se com o filme “Assassin’s Creed”, 2016 e “The Snowtown Murders”, 2011), enfatiza o carrossel de emoções que se vão sentido durante todo o filme e, que seguramente não o deixará indiferente!

Sinto-me absolutamente compelido a destacar o sublime trabalho do Head Animal Trainer realizado por Rex Peterson (destacou-se com o filme “Winter’s Tale”, 2014), que com enorme sabedoria e experiência elevou “Marquis” a um desempenho exemplar para contracenar com o protagonista Roman!

Para compreender melhor o trabalho profissional de um treinador de animais para cinema conversei com o meu amigo Guará Silva (conta com 30 anos de experiência no Brasil) que reconheceu imediatamente a grande dificuldade em preparar um Mustang selvagem para contracenar:

A técnica de fuga deste cavalo selvagem é bem aguçada! Já para não dizer que foram sempre considerados como presa sendo que correr é o seu forte. Depois disso, morder e o coice representam um grande risco para nós e para os actores.

Quanto ao tempo de preparação do cavalo e a adaptação ao actor, Guará revelou:

Um cavalo normalmente demora 3 meses para estar domado, porém não significa que está treinado. Depende do animal, pode ser mais ou menos tempo. Já o actor, com poucas aulas consegue fazer o básico, mas é importante que o actor tenha equilíbrio e desenvoltura.

Quanto à probabilidade de acidentes durante o treino dos cavalos dentro de uma cerca Guará foi claro:

Nem o carismático Mont Robert consegue evitar isso a 100%!

Aqui no Brasil ele fez uma apresentação onde não foi bem aquilo que sempre apresenta e vende ser nos seus vídeos (há sempre um arranhão aqui ou ali). A sensibilidade de nós treinadores em escolher um cavalo (mais calmo) é importante para além da própria sensibilidade do actor, pois há sempre risco. Eu digo aos meus alunos que segurança a 100% somente quando se desce do cavalo.

Este filme regista um interessante percurso em festivais, destacando-se o prémio NHK Award (prémio International Filmmakers que apoia e destaca novos artistas) arrecadado no Sundance.

No Luxemburgo, The Mustang, estreou no passado dia 23 de Outubro e aguarda-se a possibilidade de estreia do filme em Portugal.

Bom filme,

Pedro Cunha.

Assista aqui ao trailer:

 

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