Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente no LUX24.

Há dias em que parece que a cabeça está oca e é preciso um exercício reflexivo para “uma pessoa” se sentar à mesa e discorrer sobre um assunto. Outros há, pelo contrário, em que os temas se acumulam e batalham na mente e a reflexão tem agora que centrar-se na escolha. E não e fácil! Estou num dia assim: tantas coisas “saltam” na minha cabeça! E todas más!

A arrogância, a prepotência e a desumanidade são irmãs muito chegadas. Sempre caminham de mãos dadas, impantes e indiferentes ao “próximo” de que fala o Evangelho. Aquele que está ao nosso lado ou geograficamente distante mas sempre perto do coração. Perto da alma, outro bem que estas três irmãs da vida airada não têm. A arrogância descarada e revoltante de Netanyahu, o primeiro ministro de Israel continua imparável.

Acolitado pelos seus iguais, tão torcionários quanto ele, prossegue o extermínio do povo palestino. Sim, porque é de extermínio que se trata. Quando nem crianças pequenas escapam às atrocidades genocidas, falamos de extermínio.

Hoje, hoje mesmo, passam setenta e oito anos sobre a data em que poder nazi de Hitler declarou Berlim cidade “libertada” de judeus. Irónico, não?!

Que triste que um povo que tanto sofreu, manche a memória do Holocausto e do que a Humanidade deveria ter aprendido com essa tragédia, impondo o mesmo destino à Palestina. Isto perante o silêncio cúmplice da UE e a atitude sonsa do sonso Biden: “Israel tem o direito de se defender!”, disse.

Sim?! E de quem?! Daqueles a quem roubaram o próprio chão empurrando-os para o mar, inexoravelmente, acabando confinados os dois milhões de palestinos na estreita faixa de Gaza onde agora os continuam chacinando? Com uma desproporcionalidade de meios que envergonha? Guterres, enquanto Secretário Geral da ONU manifestou-se “consternado” e depois proferiu:” Este ciclo insano de derramamento de sangue, terror e destruição deve terminar imediatamente”.

Quando? Como?, perguntam os defensores dos Direitos Humanos e da soberania dos Povos. Portugal deveria aproveitar este curto mês e meio até ao término da sua Presidência da União Europeia para pressionar o organismo a tomar medidas céleres e enérgicas contra esta matança indiscriminada.

A barbárie não pode vencer sobre a civilidade e o Direito. A prepotência e a desumanização têm de ser paradas.

Num 19 de Maio há sessenta e sete anos, as tais três irmãs, assassinavam de igual modo, a sangue frio e sem motivo: uma jovem grávida, uma mulher de apenas vinte e seis anos cujo único “pecado” foi reclamar trabalho e pão para alimentar a família.

“Chamava-se Catarina …Baleizão a viu morrer”, canta o sentido tema de José Afonso.

Nehanyahu é um “sucessor” do malvado tenente Carrajola, o energúmeno que abateu Catarina, mesmo não sendo parentes!

Finalmente, a arrogância, a prepotência e a desumanização levaram a que a comunicação social portuguesa, praticamente no seu todo, tenha “apagado” a morte de Eduardo Diniz de Almeida, um valoroso militar de Abril que foi figura preponderante na luta pela manutenção da democracia nos ataques a que esteve logo sujeita após o seu nascimento em 1975.

Diniz de Almeida, então com vinte e nove “verdes anos”, saíu do RAP 3 da Figueira da Foz, comandando as tropas que daqui se dirigiram para Lisboa na madrugada de 25 de Abril.

Mais tarde, já em Lisboa, foi peça fundamental contra os ataques das forças reaccionárias mas os jornais e as televisões parecem não o conhecer! Ou conhecem-no “bem demais” e incomodam-se os seus donos pelo que Diniz de Almeida representou e continua a representar?! Fica a pergunta para quem quiser debruçar-se sobre ela. Este foi um silêncio maldoso e cobarde.

Fiquem bem. Fujam a sete pés desta tríade de que vos falo. Gente arrogante, prepotente, desprovida de valores, quanto mais longe melhor.

Até os ares ficam mais saudáveis! Um grande abraço, com a força que nos caracteriza enquanto forte Povo. SQ

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