Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente no LUX24.

Acontecem coisas “estranhas” por estes dias da segunda década do século XXI. No próximo domingo acontecerão as eleições para a Presidência da República. A campanha findará às zero horas de sábado, conforme o costume mas a campanha foi tudo menos “costumeira”.

Há um candidato que aproveitou a onda do apertar de medidas por causa da pandemia e passou a fazer campanha “no remanso do lar”, considerando ser esta uma opção quiçá mais esclarecida e cumpridora de regras.

Desconhecerá que a Constituição não permite entraves à actividade política em qualquer contexto e que no actual a campanha se fará com todas as cautelas e cuidados possíveis, na perseguição do objectivo de combate à horrível sanha pandémica. Bom, nem todos os candidatos, é verdade.

Outro há que, apesar do que estamos a viver, resolve fazer um mega jantar com “tudo ao monte e fé em Deus!” Coisas estranhas vão acontecendo, pois… No último domingo já houve acto eleitoral. Votaram os que se inscreveram para voto antecipado. Resultado: filas enormes e gente a sair das secções de voto pelas onze da noite e mais. A logística não era fácil e os pobres dos elementos das mesas “gramaram” uma estucha de todo o tamanho.

Poder-se-ia ter evitado todo este imbróglio se apenas se pudessem ter inscrito os cidadãos que tinham, de facto, um motivo válido para requererem a antecipação. Não podemos imaginar como correrá no domingo e também no sábado pela Europa fora.

Mas o que sei é que o processo será mais simples, já que não haverá a questão dos envelopes, estes em dose dupla como teria que ser, naturalmente. E também apenas acolhendo eleitores da mesa e não de todo o lado.

A acta das operações eleitorais do dia 17 foi tremenda. Percebo que vou ter muito menos trabalho no dia 24 mas se acaso tiver isso também não será problema. Fico um tanto perplexa com a “dificuldade” que alguns têm em ir votar, como se fosse um sacrifício terrível!

E com os comentários que fui vendo nas redes sociais sobre o tempo que os eleitores do passado domingo estiveram nas filas, afirmando-se que, com base nesse exemplo, já não votariam! Como?!

Será que estas pessoas têm noção do sofrimento que tiveram tantos antes de nós para que o direito de voto fosse uma realidade e realidade universal, não “privilégio” de alguns?Terão a mínima ideia? Certamente andam muito distraídos.

E as distracções, no tempo que corre, são perigosas. Podem pagar-se caro! Porque coisas estranhas vão acontecendo…

Fiquem em paz. Resguardem-se. E votemos! Em consciência e medidas todas as responsabilidades inerentes a este acto importantíssimo para o País e para a nossa democracia.

Um grande abraço. SQ

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