Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente no LUX24.

Vivo com o lema: “Cada idade tem o seu encanto” mas com a perfeita noção de que algumas pessoas, ontem, hoje e desgraçadamente provavelmente também no futuro, nasceram “mal fadadas” e nunca nada lhes correu de feição.

Que encanto podem ter experimentado os japoneses de Hiroshima e Nagasaki? Primeiro sujeitos aos horrores de uma guerra global que fez vítimas e vítimas praticamente por todo o globo terrestre.

Os que sobreviveram ao desastre ignóbil dos ataques norte americanos em Agosto de 1945? Estropiados, desfeitos pelo desgosto da perda da sua cidade belíssima e mais, muito mais, feridos de morte pelo desaparecimento de entes queridos.

O que aconteceu a 6 e 9 de Agosto de 45, foi precedido por testes atómicos, levados a efeito em recônditas regiões do Nebraska, (se a memória não me engana), matando muitos jovens soldados americanos, “carne para canhão” nesta infame acção de morticínio, destruição e aniquilamento de futuros promissores.

E absolutamente gratuita, só para provar o poderio bélico nuclear e também a “facilidade” de espírito em dele fazer uso indiscriminado. Gratuita, sim, e por isso ainda mais abjecta, mais repugnante. Sim, três meses antes já as tropas de Hitler se haviam rendido, assim admitindo que o conflito que haviam provocado estaria resolvido a favor do aliados e muito em breve.

O que aconteceu naquelas duas cidades japonesas não tem qualquer justificação ou sequer explicação. Esta tragédia “desculpa” a adesão do Japão à “causa do nazismo”? Naturalmente que não mas consegue um efeito também ele indesejável: a transformação de agressores em vítimas!

Esta é uma semana de tristes efemérides.

A prisão de Nelson Mandela e a “descoberta” da família Frank, judeus de Amsterdão, escondidos num sótão minúsculo. Todos, à excepção de Otto Frank, pai da extraordinária Anne, foram mortos nos campos de concentração de Hitler e seus monstros de serviço.

Lembrar pode não ser bom, mas transporta sempre alguma virtude: o fascismo sanguinário, xenófobo, fascista, desprovido de empatia humana anda por aí à solta, sob as mais diversas capas.

Desde dentes afiados de animal feroz até disfarces de cordeirinhos de colo. Atenção, pois.

Gostaria de conhecer alguns de vós numa qualquer oportunidade. Férias alegres, venturosas.

Um abraço português. SQ

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