Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente no LUX24.

Com algum frequência nos meus escritos, “atiro-me “ à comunicação social” dominante. Por isso mesmo, porque ao considerar-se “dominante”, não raras vezes abusa nas suas apreciações, seja por exageros, seja por defeito.

Passo a explicar mas antes gostaria de deixar muito claro que não confundo nem meto tudo no mesmo saco. Ainda há muito bons e sérios jornalistas.

Nos últimos dias, a tal comunicação social, feitinha à medida dos interesses do império e seus seguidores, andou muito nervosita com questões da América Latina. Mostrou uns tantos que em Cuba contestam, a soldo e em nome dos Estados Unidos, o regime de Diaz-Canel na ilha caribenha.

De quando em vez, resmungaram “timidamente” o problema do bloqueio económico que estrangula a ilha desde há sessenta e dois anos. Embargo económico condenado nas Nações Unidos por todos, à excepção de dois Golias, os EUA e o seu amigo Israel, o mesmo que impede que entrem vacinas contra a COVID 19 na martirizada Palestina.

As palavras e os pensamentos são como as cerejas: por falar da COVID, Cuba tem vacinas eficientíssimas para o combate à doença. Mas faltam-lhe seringas para as poder administrar! Chocante, não?

A Associação de Amizade Portugal-Cuba faz neste momento uma campanha de pequenos donativos, apenas destinados à compra deste material. Porque salvar vidas é um desígnio nacional. Disto as TVs e os jornais engajados não falaram. E como a meia dúzia de gatos pingados não vingou, embora já se falasse de invasão (!!!) lá se calaram, acabrunhados.

Não noticiaram manifestações progressistas contra os abusos autocráticos de alguns governos. Ah, mas a cereja no topo do bolo, a “maior anedota”, foi terem passado em branco sobre a eleição de Pedro Castillo, o recém eleito Presidente progressista do Peru.

Que ausência de ética, que ausência de seriedade e de responsabilidade. Isto não é jornalismo, é lambebotismo do mais reles. E quanto a questões nacionais, não vamos melhor, infelizmente.

Ainda ontem, na qualidade de mandatária de uma candidatura às próximas autárquicas, manifestei o nosso protesto e a nossa queixa junto da Comissão Nacional de Eleições.

Cinco órgãos de “comunicação” conseguiram lançar uma peça em que relatavam detalhadamente elementos e cabeças de lista à Câmara Municipal, “esquecendo” totalmente outra candidatura e outro candidato, curiosamente apresentado formalmente dias antes. Nem a mais pequena referência. Sentimo-nos invisíveis!

Como tudo o que digo é público e faço questão que seja público, esta vergonha (mais uma) aconteceu com a CDU. É recorrente connosco mas nunca nos calaremos, por maior incómodo e urticária que possamos causar. Entretanto, os Davids vão fazendo o seu caminho.

Fiquem bem e defendidos das tragédias que têm assolado a Europa central, uma tristeza tão dolorosa.

Um grande abraço.

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões, sugestões?
Por favor fale connosco.
Publicidade