Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

No texto anterior referi-me aos Golias que, por esse Mundo fora, governam as nações e, por extensão, nos governam a nós pequenos Davids, com poder diminuto para lhes fazer frente mas que, apenas armados de “fisga”, como a figura do Rei do Antigo Testamento, ousamos continuar a rebelar-nos contra o abuso e a prepotência dos famosos DDT.

Pois, Os Donos Disto Tudo, que os há por toda a parte desta Terra que “podia ser tão bela”, parafraseando o poeta. No nosso País há vários e dos mais poderosos, corja de ladrões cujas dívidas pagamos todos os dias com o nosso trabalho, “salvando” a banca que eles, os DDT trataram de esgotar e colocar em maus lençóis com as suas vidas infamemente faustosas.

Há cerca de três semanas aconteceu um julgamento de um destes senhores do Mundo e seus Arredores, Ricardo Salgado, um dos que mais patifarias cometeu com o sistema bancário, juntando a isso fraudes económicas de igual relevo. Pois, o senhor não compareceu em tribunal.

Porquê? Porque, por força da pandemia, foi criada uma Lei que permite aos maiores de setenta anos serem escusados da ida a julgamento em que são réus, por risco de contágio mais perigoso, graças à sua provecta idade. Ricardo salgado apelou, evocou a lei, e não pôs os seus delicados pezinhos no Tribunal. Muito bem!

O mais revoltante, (a mim até me dão agonias), é que neste momento se encontra de férias com a família e amigos na Ilha Sardenha! Ah! Lá o vírus não incomoda ninguém, muito menos Sua Alteza Real!

Sente-se tão seguro, o nababo, que se passeia sem máscara pelas ruas de Porto Cervo, uma das estâncias balneares mais caras e luxuosas da paradisíaca ilha. Que tenho a felicidade de conhecer. Estive lá, há anos, e por duas vezes, com o meu Coral David de Sousa, um ex-libris desta Figueira da Foz.

Isto aconteceu no “tempo das vacas gordas”, quando era ainda possível fazer umas poupanças para pagar a viagem e lá os sardos, gente maravilhosa, afável e sempre optimista, nos davam cama e mesa. E bem boas! Para além de carinho e simpatia.

Na despedida houve lágrimas, parecíamos amigos de longa data e da primeira vez que fui, a Sardenha lembrou-me o nosso País de há vinte anos para trás da data: chaves nas portas, quintais abertos, rostos sempre abertos a uma saudação amistosa. Deste ambiente não usufruirá o DDT.

A Sardenha talvez esteja um pouco mudada e ele escolheu a parte mais “in”, aquela que já pouco ou nada tem a ver com o genuíno. Do outro lado, vilazinhas e cidades modestas, paisagens de tirar o fôlego na sua naturalidade, águas morninhas e de um azul estonteante. Do lado do DDT, tudo muito “bonitinho” mas muito mais artificial. E águas mais fresquitas, bem feito! Ai, como amava voltar a esta ilha de sonho, sem maus encontros.

Que por lá não acontecesse topar com um destes “cujos” a quem andamos estoicamente a pagar as dívidas. Concordo com Rui Pinto quando comentou:”… A gozar as férias e a gozar com todos nós!” Pois, é isso, sinto-me gozada enquanto cidadã deste País que continua protegendo os trafulhas.

Então, e as vossas merecidas férias? (Sim porque este está cansado de quê?!) Prontinhos para um pulinho até cá, com todas as cautelas? E não desistamos: os Davids vão fazendo o seu caminho.

Um forte abraço. SQ

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