Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente no LUX24.

Há dias andei de comboio. Uma viagem pequenina, quase “ridícula”, mas sempre uma oportunidade de “aventura”: descobertas, recordações, ver o já visto com olhos “novos”.

Lá ia eu, de máscara (pois), observando sem especial atenção a paisagem. Na aproximação a uma estação, (apeadeiro, estações vão rareando), atento num muro alto todo grafitado.

E veio-me à memória um presidente de câmara, já falecido, aquando da inauguração de uma parede destinada a estas formas de criação.

O pobre senhor encontrava-se num dilema, agudo e sem solução à vista: incentivar os jovens a usar a sua imaginação criativa de forma pública sim, mas como não estar ao mesmo tempo a estimular a vontade de expressão fora daquela parede e em contextos desaconselháveis?! Pois de um destes últimos se tratava o grafitti que eu via do comboio!

Um muro cercando uma casa, que deveria ser respeitado enquanto propriedade de outrem e não maculado com uma imagem que nada tinha a ver com a realidade circundante. Um abuso.

Grafitagem rima com imagem, (que é o que é), linguagem (que também o é), com coragem (quando expressa sentimentos ocultos que de outro modo não se manifestariam). E pode ser arte. Assim começou por se afirmar.

Mas, lamentavelmente, rima também com perambulagem – andar por aí, sem objectivo definido, fazendo o que dá na gana!, também com libertinagem – achar que tudo o que passa pela cabeça é aceitável e o resto que se dane!, sacanagem – quando a conjunção das anteriores produz resultados condenáveis.

Como o caso do muro da moradia que avistei na viagem. Destes está infestada a minha cidade e é redondamente revoltante ver como, de um dia para o outro, paredes pintadas de novo, “acordam” aviltadas por horríveis gatafunhos e arabescos esquisitoides, que vêm maltratar o trabalho de outros. Sem respeito por nada nem por ninguém.

Que me perdoem os amantes de grafitti. Também o sou mas com filtro e tenho que dizer o que me vai na alma: o que é demais, é demais! E como dizia a minha bisavó, analfabeta mas muito sábia: “O respeitinho é muito lindo!” Veem para que servem as viagens?! Para uma pessoinha ficar de mau humor, valha-me Deus.

Então essas férias? A avançar? Venham mas preparados para o Outono: para mim vai correndo Outubro!

Aquele abraço. SQ

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