Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente no LUX24.

Volta e meia, meia volta, recebo chamadas telefónicas por parte de entidades de que nunca ouvi falar. Antes que digam ao que vêm (que é sempre o mesmo, endrominar para que se contratualizem serviços ou se compre algo), pergunto como tiveram acesso ao número.

Nunca obtive uma  resposta minimamente satisfatória. Alguns dizem declaradamente que não sabem, não fazem ideia, outros começam  a “enrolar” a língua e o resultado é igual. A seguir faço eu o  meu trabalho: despacho o assunto em dois tempos, lavrando o protesto pelo abuso.

Onde está afinal a protecção de dados de que tanto se fala e que serve de desculpa para tanta coisa?

Tenho plena consciência que não assiste culpa alguma por parte de quem está do outro lado da linha. É a sua função e muito mal paga pelo que se conhece. Fazendo um trabalho assaz desagradável para servir os donos do negócio. Mas não há paciência!

Há dias aconteceu-me algo ainda mais estranho e incompreensível. Estava um lindo dia de sol (antes do “rio atmosférico” que nos amofinou) e fomos até ao Piódão. Não sei quantas visitas já terei feito àquele lugar mágico mas nunca me cansa. (Não acho graça nenhuma à igreja pintadinha de branco e azul como se alentejana fosse mas enfim…Um senhor cónego terá assim decidido e quem manda pode, diz o Povo.)

Andei por ali trepando e descendo as vielas de xisto, encantada da vida. Não assinei papel algum, livro de visitas ou similar. A única “coisa” que fiz foi comprar uma garrafa de licor de medronho e pagar com cartão multibanco, nada mais.

Pois, no dia seguinte recebo no e-mail uma mensagem longa da TripAdvisor, Para me “ajudar a preparar” a visita ao Piódão e com uma série imensa de fotos belíssimas da região. Fiquei estupefacta.

Como é que a TripAdvisor “sabe” que me interesso pelo Piódão e como tem acesso ao meu e-mail? Assustador, não?

Ainda para mais complicar a coisa, o cartão está registado com o nome do meu marido, embora eu seja também titular da conta de onde sai o dinheiro. Como será possível que o pagamento que fiz tenha ligação a este episódio que considero inaceitável? Onde está a protecção dos dados, onde?

Vou considerando que só se fala dela quando por qualquer motivo convém. E esta ideia incomoda-me profundamente. Ainda não contactei a TripAdvisor mas vou fazê-lo porque quem cala consente e não gostei nada desta estória.

Haja quem a explique porque temos de ser exigentes nesta matéria. Por aí também sucedem casos deste jaez? Espero que não!

Fiquem bem, sejam felizes. E demo-nos ao respeito porque anda por aí “pessoal” a fazer de nós gato-sapato. Um grande abraço.

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