Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente no LUX24.

Vivemos tempos conturbados. Não se pode comprar um jornal ou revista (não cor de rosa!), ligar um canal televisivo, ouvir um serviço de notícias via rádio, que não sejamos absolutamente “cilindrados” por imagens, comentários (qualquer bicho-careta se eleva à condição de “comentador avençado”), especulações gratuitas, a propósito da guerra que se vive às portas da Europa.

Sim, porque as restantes, porque mais longínquas do ponto de vista “sentimental” e porque de outras cores de pele dos seus protagonistas, não merecem qualquer atenção. O que é decididamente lamentável e uma manifestação canhestra do que pode ser a ausência de rigor histórico.

Vêm-me à memória, sempre, outros conflitos sangrentos que se desenrolam em tantas partes deste Mundo injusto e parcial e hoje recuo no tempo. Bastante. Até ao seculo XIX.

Até 16 de Junho de 1829. Nesse dia distante nascia um menino índio que havia de ser um ícone dos povos que resistem à opressão, um grito para sempre audível da luta pela emancipação, pelos direitos de cidadania, pela Paz contra o belicismo.

Goyaalé se chamava a criança, “O que boceja”, traduzido da língua Apache.

Goyaalé nada nos diz mas o nome por que ficou conhecido esse homem ímpar – Jerónimo – diz-nos muito, porque ficou nos anais da História assim registado.

Jerónimo foi um chefe indígena que dedicou a sua vida, enquanto homem (ainda) livre, à causa da defesa da identidade índia na América do Norte.

Lutou abnegadamente contra a opressão dos que haviam entrado à força nas suas terras e que agora procuravam encerrar o povo índio em “reservas”, tal e qual como se faz com animais em perigo de extinção.

Desta feita com propósito contrário: levar à colonização abjecta e ao desaparecimento o nobre povo a quem haviam furtado as terras e os recursos naturais. Desde a primeira hora os Estados Unidos se alvoraram em “donos e senhores” do Mundo, conseguindo quase sempre os seus objectivos imperialistas.

Ao fim de vinte e oito de luta contra o opressor, Jerónimo acabou sendo preso, após capitulação. Morreu de pneumonia após trinta e cinco anos de aprisionamento.

Paz à sua alma. Glória à sua coragem e determinação. Respeito aos Heróis!

Espero-vos por aqui. Sejam felizes.

Aquele abraço, sempre forte, sempre amigo.

SQ

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