Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente no LUX24.

Depois de amanhã entraremos num novo ano, ano que parece por si só ser um alívio à situação presente. A esperança de que algo mude e tudo mude. Para melhor. Pertenço ao grupo dos esperançados, dos que acreditam que sairemos desta situação impensável que nos sufoca, mais rapidamente do que prevíamos há pouco tempo atrás.

Não gosto da passagem de ano, desde sempre. Um sentimento que me acompanha desde menina muito menina. Porquê? Porque considero disparatado, não se ofendam comigo, festejar de modos tão exuberantes o desconhecido! Desta vez, em que estaremos contidos e também reflexivos, festejo a esperança de dias mais risonhos, sem qualquer garantia de que cheguem mas mesmo assim “forrada” de boas expectativas.

E repito os anseios de Novo Ano que sempre formulo: “Que se faça a Paz”, nesta Terra que poderia ser tão bela e tão afável com os seus filhos mas que tem sido contrariada nos seus propósitos pacíficos de abundância e tranquilidade para todos.

Ao longo dos anos são várias as iniciativas reclamando a Paz Universal, promovidas por momentos religiosos e laicos, uma “tradição” que tem raízes no nosso País desde os negros tempos do regime fascista. Um regime que se afirmava “cristão”, entre aspas pois! e que afastou tantos da Fé por não terem conseguido distinguir a nuvem de Júpiter!

Há quarenta e oito anos, num 30 de Dezembro, um alargado grupo de católicos, acompanhados por outros de outras confissões e sem confissão alguma, reuniram-se numa fantástica Vigília pela Paz. Afrontando a besta fascista, desfilaram até à capela do Rato em Lisboa, aprovando moções a favor da Paz e contra o horror da guerra colonial, que ia matando e estropiando impiedosamente a nossa juventude.

Comunicaram ao cardeal que ali ficariam toda a noite. E ficaram. Até serem selvaticamente atacados pela Pide e seus serventuários, presos os considerados responsáveis, mal tratados todos.

Uma das organizadoras, Maria da Conceição Neuparth ali esteve também, uma mulher de fibra de “antes quebrar do que torcer”! Após o 25 de Abril Maria da Conceição dedicou muito do seu tempo a fotografar testemunhos da Revolução.

Murais belíssimos que imortalizou nos seus registos, também eles notáveis. Podem ser apreciados no Centro  de Documentação 25 de Abril. Foi uma lutadora incansável pela Paz, tendo trabalhado por ela no Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral e colaborando em diversas publicações do tempo.

Haveria de nos deixar exactamente trinta e quatro anos depois da grande Vigília, a 30 de Dezembro de 2006. Ficou-nos o seu exemplo de amante da Paz e da Liberdade.

Neste ano Criança que já vai nascendo pelo Mundo, honremos a sua memória e a de todos os abnegados lutadores pela convivência pacífica entre os Povos. Façamos a Paz, deixemos crescer o Amor.

Fiquem bem. Paz, Saúde, toda a Alegria. Um excelente ano de 2021 para todos!

Um abraço amigo daqui para aí, 2º Portugal. Não é assim?

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