Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente no LUX24.

Diz o Povo que o Natal acontece sempre que quisermos. Não o Natal das luzes, nem dos presentes, nem sequer do bolo-rei. Mas o Natal dos corações e nos corações. Estamos tão perto do 25 de Dezembro e normalmente, por esta altura, já andava no ar o espírito natalício, aquele que nos aconchega a alma e oferece uma dose extra de temperança, tolerância e boa vontade.

Mas, confesso com grande pena, que este ambiente que se não vê mas se sente ainda não apareceu por estes lados. Quero acreditar que esteja apenas atrasado e não que tenha decidido fazer-se ausente, por estar desiludido com tudo o que se está passando na nossa terra.

Na política, um momento muito difícil atravessamos. Os partidos à direita do PS envolvidos em guerras fratricidas que não abonam nada em seu favor. Já se chegou ao ponto da polícia ser chamada à sede de um deles para sanar “desentendimentos” entre militantes. Militantes de topo, diga-se de passagem. Tudo em nome da sede de poder pessoal.

O Partido Socialista feliz e contente, agora que levou a sua avante de provocar eleições legislativas antecipadas. Sim, por elas, ele e o senhor Presidente de República são os únicos responsáveis, que fique claro.

Há poucos dias, mais escândalos de corrupção, desta feita envolvendo elementos graúdos das Forças Armadas! Como podemos ficar tranquilos perante um cenário destes?!

De onde deveriam surgir exemplos de probidade, surgem casos escabrosos altamente condenáveis. Em nome de quê? Do poder, do lucro, do “passa a perna” ao parceiro que ele é lerdo. E parte de um Povo de quem se diz ser de brandos costumes… Pois… Uns estalos à séria, a par das investigações e consequentes penalizações judiciárias, não lhes faziam mal nenhum.

Então mas não estava falando de tolerância e boa vontade? Estava e continuarei sem cansaço mas os crimes não podem entrar na roda das coisas normais e ficarem sem castigo. E lamentavelmente tantos ficam! A nossa história recente está cheinha deles!

Celebrámos a memória de um homem justo e compassivo, um homem “ferido” pelo espírito de Natal em todos os dias da sua vida longa. Martinho, bispo de Tours, falecido a 8 de Dezembro de 397 e sepultado três dias depois.

Diz a lenda, muito conhecida, que sendo quando jovem, soldado romano, Martinho se dirigia a cavalo à cidade de Amiens, num dia gélido, inclemente. No caminho, depara-se com um mendigo, sem agasalho, sujeito a morrer de frio.

Não tendo nada para lhe dar, Martinho saca da espada e divide a sua confortável capa em dois pedaços, entregando um ao pobre para que se protegesse daquele tempo terrível. Diz ainda a lenda que logo o sol brilhou e aqueceu a Terra por três dias, aqueles que chamamos de Verão de S. Martinho.

Uma pausa no Outono, que aqui tem estado com disposição de Inverno, gelado. Mas hoje esteve quase primaveril. Céu azul e temperatura amena a convidar a um passeio fora de portas. Espero que o “Verãozinho” cumpra a sua obrigação e se mantenha assim por mais um pouco. E que se aqueçam também os corações, não esperemos pelo Natal. Ele acontece sempre que o ansiarmos.

Que o espírito natalício habite entre vós sempre e que a maldita pandemia não nos assuste de novo. Aqui, há uma data de dias que os novos casos diários ultrapassam o milhar, embora a doença se revele menos fatal mas continua matando, mesmo assim.

Protejam-se. A par dela, a senhora gripe vem com os dentes mais afiados este ano, segundo os especialistas. Tempos difíceis!

Desejo que fiquem bem.

Um abraço quente de Natal antecipado.

SQ

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