Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente no LUX24.

“…Senhor, por que lhes dás tanta dor, por que padecem assim?…” Esta é uma linha do lindíssimo poema de Augusto Gil – Balada da neve. De profissão advogado, Augusto Gil notabilizou-se pela sua inspirada poesia: humanística, doce, sensível. Como o texto que aqui evoco neste Dia Internacional da Criança.

Nesta data, as autarquias, associações, escolas, mobilizam-se para fazer dela um dia especial, um dia dedicado aos mais pequenos e que lhes fique na lembrança para sempre. Boa intenção, claro. Mas os dias são todos das crianças porque a elas pertence o futuro.

E não é propiciando diversão e “rancho melhorado”, (quando existe!) a um de Junho de cada ano que passa, que se assegura um crescimento harmonioso, sustentado, nos valores, nas aquisições culturais, nas aprendizagens que mais tarde conduzam a uma profissão. É importante mas é pouco.

As crianças e os jovens precisam de atenção constante, não só de vez em quando.

Vêm-me à memória imagens terríveis de crianças sofridas. Por que só algumas “merecem” a preocupação dos média, a atenção dos mais poderosos? Por que se fomentam a solidariedade dos povos, a sua humanidade apenas em determinadas circunstâncias?! O Mundo é tão injusto e sempre com os mais frágeis.

Recordo com amargura a imagem do menino morto numa praia, após o naufrágio da “casca de noz” em que, fugidos de adversidades inultrapassáveis, migrantes tentavam chegar à Europa. Lembro as fotos horripilantes de crianças do Biafra, da Etiópia, do Iémen, mortos de fome.

Vêm à memória os funerais dos meninos da Palestina, acossados selvaticamente, dia após dia, na sua própria terra. Não acordei para o problema do sofrimento infligido aos seres humanos e de modo tão mais dorido às crianças, com a guerra na Ucrânia. Tinha acordado antes e continuo revoltada com os silêncios: em torno dos meninos do Sarah Ocidental, da Síria, do Afeganistão, das favelas do Brasil… Por que os esquecem.

São todos crianças, sejam loiras ou morenas, índias, mestiças… Que este dia não seja uma pedrada no charco do esquecimento mas o começo de uma “nova era”, em que todos defendamos todos.

Paz, comida suficiente, água potável, uma casa minimamente confortável, assistência médica e medicamentosa, escola. As meninas e os meninos deste Mundo estranho reclamam-nos.

Fiquem bem, sejam felizes. Sejamos “crianças”, de espírito livre, sem maldade, sem egoísmos, sem discriminações.

Aquele abraço à portuguesa: franco, forte, amigo. SQ

Publicidade
Falhas, erros, imprecisões, sugestões?
Por favor fale connosco via email para geral@lux24.lu.
Siga o LUX24 nas redes sociais. Use a #LUX24 nas suas publicações.
Faça download gratuito da nossa ‘app’ na Google Play ou na App Store.
Publicidade
Publicidade