Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente no LUX24.

Como Pessoa digo: “ A minha Pátria é a Língua Portuguesa” e dela me orgulho na sua unicidade e riqueza. Sim, porque esta língua falada, como primeira língua, por mais de 220 milhões de pessoas, é de facto riquíssima.

Vejamos o que dizem os estrangeiros que a pretendem estudar e que são felizmente cada vez mais: que é complexa e com imensos vocábulos e sinónimos. A título de pequeníssimo exemplo: em português nunca “ser” e “estar” se confundem. “Eu ESTOU em casa”, “Eu SOU teu amigo”.

Em francês, a questão “resolve-se mais simplesmente: “ Je SUIS à la maison, “Je SUIS ton ami”. Em inglês, o mesmo minimalismo: “I AM at home”, “I AM your friend”. E em alemão? Igual: “Ich BIN zu Haus”, Ich BIN dein Freund”… E por aí adiante.

Esta Língua de Camões é hoje celebrada em toda a CPLP, a comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa, celebrando a um mesmo tempo a nossa ancestral Cultura.

Portugal, Brasil, Angola, S. Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique, têm o Português como primeira Língua: Timor aposta fortemente num esforço para não O deixar cair no esquecimento.

A Escola Portuguesa tem a seu cargo esta missão notável, escola em que muitos nossos concidadãos dão o melhor do seu profissionalismo e saber. Em 2014, A Guiné Equatorial declarou também a Língua Portuguesa como sua língua oficial, a par do castelhano e do francês.

Não entendi a entrada deste país na CPLP, continuo muito desconfortável com esta decisão do Seu governo e logo pelos outros aceite, tendo em conta as políticas de profundo desrespeito pelos valores humanos.

Chega dizer que muitas mulheres e crianças continuam sendo vítimas de trabalhos forçados e exploração sexual. Absolutamente condenável! Não basta que a ONU, a partir de 2017, tenha “melhorado” a classificação deste pais, mudando a sua designação de “pais sub desenvolvido” para “país em vias de desenvolvimento”.

Como às vezes se diz, brincando, isto poderiam ser só “amendoins”, os famosos “peanuts” de que fala alguém que anda a gozar à nossa custa. Descaradamente! Mas não é, é muito relevante e muitas vezes a chamada “comunidade internacional” toma “demasiado drunfes” e mantém-se adormecida!

Hoje, o Governo de Portugal, deveria ter investido em força nesta comemoração, em todo o País e na diáspora. Para que também aqui, o Português não passe a ser uma “linguajar estranho” que falava o meu avô” e que eu não entendo.

O reforço do investimento na “Escola Portuguesa, nomeadamente na Europa mais próxima, aquela que habitais, deveria ser uma realidade mais visível e mais actuante.

Mas para que tal aconteça, é preciso o tal investimento de que falei: em edifícios próprios, de propriedade portuguesa ou arrendados aos diferentes países, e em adequadas condições de trabalho e de remuneração dos profissionais.

Os salários dos professores de Português no estrangeiro, muitas vezes roçam o anedótico. Mas… não dão para rir!

Falemos esta Língua doce, expressiva e cativante. Leiamos Literatura Portuguesa. Ontem “recuperei” um livro da estante para releitura: “Manual de Pintura e Caligrafia” de Saramago. Na cantante Língua de Pessoa, Camões, Saramago, Natália… afinal de todos nós.

Que viva! Sempre! Um abraço de celebração porque portugueses somos.

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