Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

Conforme havia dito, fui ao Alentejo depois da última vez que nos “encontrámos” por aqui. Fui por necessidade mas aproveitei o ensejo para não cumprir apenas o motivo da ida mas para voltar a sítios já vistos e conhecer coisas novas.

Impossível não voltar a Évora quando se dá um pulinho ao Alentejo profundo. Esta cidade maravilhosa não cansa nunca e é um museu em cada beco, em cada esquina.

A sua classificação como Património Mundial é mais do que merecido e os eborenses bem podem encher o peito de orgulho por serem guardiães de tanto encantamento. O tempo não era muito mas não podia deixar de permitir uns minutos de relaxe dum dos cafés da Praça do Giraldo. Até porque trinta graus não são pêra doce.

Contudo, a volta pela parte histórica também era obrigatória apesar do calor que estava mesmo de “esturricar”. Com muita pena, lá abalámos por fim mas fica a promessa da volta (e que não demore muito).

Gosto de viajar sem destino mas desta vez, depois da deixar Évora e as suas imponentes muralhas, tinha um objectivo a cumprir: procurar o Cromeleque dos Almendres que não conhecia.

A uns poucos quilómetros de Évora, logo se encontram as indicações para esta espantosa maravilha, relíquia do período megalítico. Aliás, a cidade detém o merecido título de capital do Megalítico Ibérico, tantos são os vestígios espalhados pelas redondezas. Uns mais impressionantes, outros naturalmente mais modestos.

Os Almendres são “impensáveis”: noventa e cinco blocos maciços, alguns gigantescos, num espaço reduzido. Quando foram descobertos, estavam por terra mas logo foram devolvidos à sua primitiva forma, de pé, imponentes.

O complexo não fica a dever nada a Stonehenge, na Inglaterra, me parece Um pouco afastado do conjunto, fica o Menir dos Almendres. Impõe ainda maior respeito pelas suas extraordinárias dimensões.

Logo à entrada do caminho para estas visitas fabulosas, encontra-se um pequeno Centro Interpretativo, muito bem apetrechado e onde tudo vale: até os minutos de interessante conversa com a arqueóloga a quem cabia estar no Centro nesse dia.

Uma pessoa apaixonada pelo seu trabalho e que logo se entusiasmou quando percebeu a minha paixão pela História. Ao contrário do que escrevi na semana passada, ASSIM SIM! O Património cuidado, respeitado e a chamar visitas.

Quando forem por ali, não deixem passar a oportunidade, não deixem. Enquanto não acontece, visitem na net. Nunca é a mesma coisa mas dá-nos a ideia do que é e aguça a vontade de ver “ao vivo e a cores”.

Fiquei de alma cheia e coração contentinho. Parabéns, alentejanos, “co-proprietários” deste espanto arquitectónico, que, afinal  a todos pertence. (E andam “uns jeitosos”, feito espertos a passear pelo espaço sideral, derretendo fortunas que seriam vitais neste Mundo em que tantos passam fome e não têm acesso a uma simples vacina.

Não resistirei a falar desta vergonha um dia destes porque é revoltante e só se resolveria à bordoada com pau de marmeleiro.

Passem bem e aproveitem este Verão fora de tempo, se ele também estiver por aí.

Um fraternal abraço.

SQ

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