Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente no LUX24.

Hoje é o Dia Internacional dos Museus. Data celebrada anualmente desde 1977 e a cada ano destacando um tema diferente. Em 2022 o tema é “O Poder dos Museus”.

E se têm poder estas estruturas culturais! Imenso! Mas a sua importância é frequentemente, se não sempre, obliterada pelos “poderes”.

A divulgação das suas actividades, o enriquecimento do seu espólio, a promoção do seu conhecimento, são sempre deixados à boa vontade e ao engenho das suas direcções, mantendo-se os poderes políticos à margem do processo.

E não o poderiam fazer pois a fruição cultural é um imperativo exarado na Constituição da República Portuguesa.

Mas, desgraçadamente, na nossa “santa terrinha”, o Portugal que amamos, continua a ser um parente pobre, paupérrimo.

Na próxima sexta-feira acontecerá a votação final do Orçamento Geral do Estado para 2022, depois das peripécias que conhecemos e que atingiram o objectivo do partido do Governo: uma maioria absoluta que lhe permitirá ver aprovado tudo o que lhe der na gana. O que acontecerá depois de amanhã com o OE.

Prevê este novo/velho Orçamento que, para a cultura, sejam disponibilizados 0,28%, incluindo a RTP e 0,25% excluindo esta. (Ai, estação pública, o que foste e o que és agora!)

A proposta do Manifesto em Defesa da Cultura, estrutura unitária combatente por um urgente Serviço Público de Cultura, aponta a necessidade de, gradualmente, se atingir o patamar mínimo de 1% do Orçamento do Estado, um valor que ficaria ainda longe do investimento mínimo na Cultura recomendado pela UNESCO – 1% do PIB.

Assim deveria ser. Esta medida permitiria que os preços dos espectáculos baixassem e fossem a todos acessíveis, que os produtores culturais não passassem noites em branco, congeminando como podem pagar as contas, que os trabalhadores da cultura tivessem uma vida digna, não tendo de recorrer a amigos e familiares para não sofrerem de fome.

Não! Não é exagero: isto, esta tristeza humilhante, aconteceu ainda há pouco – durante a pandemia. (Que teima em fazer “das suas”, que preocupante!)

Vamos ao Museu? Vamos! Boas visitas. É sempre um tempo bem aproveitado, nunca perdido.

Aquele abraço, luso, enérgico, sempre amigo. SQ

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