Rui Martins, activista e dirigente associativo, escreve semanalmente no LUX24.

Tudo indica que as forças russas estão a semanas de entrarem em colapso à medida que deixarem de ter forças suficientes para manterem a ofensiva e que o contra-ataque ucraniano, com as novas armas recebidas dos EUA e dos países da OTAN, se materialize.

As forças russas que tentavam ocupar Kyiv foram desviadas para o Donbass e reconstituídas para compensar perdas mas a sua moral está baixa e não estão num alto nível operacional tendo muitas sofrido baixas pesadas.

Se este colapso russo no Donbass acontecer há duas vias mais prováveis para a resposta russa: ou Putin declara vitória pelo aumento do território no Donbass e no Sul da Ucrânia o que é consistente com o que aconteceu no passado com as derrotas russas no Afeganistão e na Finlândia e se os russos conseguirem manter aproximadamente as mesmas posições no Donbass, resistindo a uma ofensiva ucraniana sem avançarem de forma significativa pelo menos até ao dia 9 de maio mas conseguindo finalmente capturar as forças do “Batalhão Azov” que resiste até hoje nas instalações da Azovstal em Mariupol para os poder exibir na parada do “Dia da Vitória” em Moscovo como um exemplo da “desnazificação da Ucrânia”.

A “libertação” de Mariupol abriria também acesso a uma ocupação total da Transnístria.

É actualmente igualmente provável (mas menos) o lançamento de uma arma nuclear táctica numa zona da frente no Donbass, no Mar Negro ou numa zona desabitada da Ucrânia e esperar que OTAN não responda de forma proporcional (porque uma resposta proporcional não poderia acontecer na Ucrânia: para ser equivalente, nem na Rússia: o que seria desproporcional).

Isto poderia levar os ucranianos à mesa de negociações e aceitarem a perda da Ucrânia e uma autonomia muito alargada para o Donbass sem criar um grande risco de represálias contra a Rússia o que torna esta possibilidade de elevada probabilidade.

Igualmente provável (mas menos) será a mobilização de reservistas. Isso seria consistente com as observações de veículos blindados da década de 1970 e 1980 sendo transportados por comboio para a fronteira mas não será uma solução de curto prazo para as dificuldades russas porque muito do armamento que em armazém está em más condições (muita electrónica e, até, motores, foram furtados) e porque iria demorar entre semanas a um mês a colocarem essas tropas num estado mínimo de prontidão.

Com efeito, estima-se que apenas 10% dos reservistas russos tenham recebido treinamento militar recentemente. A mobilização geral iria também contradizer o discurso oficial de que “a operação especial está a correr como planeada” e lançar a dúvida entre a população russa sobre as qualidades de liderança de Putin, sobretudo quando as baixas entre esses soldados menos treinados fossem conhecidas pelas suas famílias.

Há igualmente uma probabilidade (baixa) de que um avanço sobre a Transnístria (ou “República Moldávia do Dniestre”): a Rússia já tem no local 1500 “peacekeapers” e tem forças em movimento no sul da Ucrânia.

Não é contudo provável que siga por essa via dada a distância a que forças russas ainda se encontram e a necessidade de conquistarem (o que não será trivial) Odessa. O que pode convidar os russos a seguirem essa opção é a fraqueza relativa do exército moldavo (sem força aérea e com menos de 7500 homens) e, sobretudo, sem o treinamento e material que a Ucrânia acumula desde 2014.

A maior improbabilidade deste cenário advém não da dificuldade desta segunda “operação especial” mas sobretudo da distância a que as forças de Moscovo ainda se encontram da Transnístria.

Seja qual for o cenário mais ou menos provável que se materialize até 9 de maio no leste da Ucrânia o que é certo é que isso irá determinar o futuro a curto prazo da Ucrânia e a duração do actual conflito.

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