Rui Martins, activista e dirigente associativo, escreve semanalmente aos domingos no LUX24.

Os jovens, em Portugal e no Estrangeiro (e sobretudo nos países economicamente mais desenvolvidos) são abstencionistas crónicos.

Esta ausência é já dada, pelos partidos, como tão grave e incurável que é comum ouvir de directores de campanha a expressão de que não vale a pena fazer campanha nem apresentar propostas para os jovens porque estes, simplesmente, “não votam”.

E quem faz regularmente, como eu, serviço de mesa em assembleias de voto, observa também esse fenómeno: há poucos (proporcionalmente) eleitores jovens.

Existe assim uma interessante contradição: conversando com jovens observa-se que são, maioritariamente, pró-europeus (os dados do Brexit também o demonstraram) mas que, aqui e “lá fora”, por regra e salvo honrosas e hiperactivas excepções, não têm actividade partidária nem, associativa e, ainda menos, em partidos políticos nem como simpatizantes, nem como militantes.

As razões para este afastamento são múltiplas mas no caso dos partidos políticos são mais fáceis de estimar: Os jovens – não sem razão – não apreciam a pesadas e densas estruturas hierárquicas dos partidos, nem os seus formalismos e rituais internos e, muito menos, a falta de liberdade de opinião e o alinhamento obrigatório com opiniões emanadas do “topo” ou o “dever de silêncio externo” quando delas discordam e, nada mesmo, a tomada de decisões em processos fechados a pequenas cliques e onde eles não têm capacidade de influência ou sugestão.

Contudo: nem tudo está perdido. Em muitos movimentos informais registam-se boas quantidades de presenças jovens e os mais dinâmicos em muitos destes grupos são, precisamente, os mais jovens.

Não estão enquadrados politicamente, muitos não se identificam com nenhuma ideologia ou partido, mas é nestes movimentos de causas (que alguns partidos procuram usar para recrutarem os seus futuros quadros) que se encontra uma maior percentagem de jovens. Isto quer dizer que, criando as devidas condições, é possível resgatar os jovens de volta para a política partidária.

Para trazer os jovens, de volta, para os partidos é preciso:
a) simplificar os requisitos de militância nos partidos
b) aumentar a liberdade interna (e externa) de opinião
c) promover a oposição interna reduzindo os limites para a aparição de listas contrárias e promover – não atacar – a expressão de opiniões dissonantes
d) criar e multiplicar instâncias de participação para que uma saudável dissidência de opinião não ocorra apenas debaixo dos holofotes das redes sociais.
e) reduzir os níveis hierárquicos nos partidos políticos
f) transformar os partidos de partidos “catch all” em movimentos de causas, estruturadas, com bom enquadramento técnico e sempre atentos e flexíveis às alterações do meio e da conjuntura nacional e internacional.

Reorganizemos os partidos para os jovens: e eles aparecem!

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