Rui Martins, activista e dirigente associativo, escreve semanalmente aos domingos no LUX24.

Este ano apresentei ao Orçamento Participativo de Lisboa algumas propostas. As duas que passaram à fase seguinte estão, de facto, relacionadas e são a #150 “Telhados Verdes e a #41 “Passagem do Bairro dos Actores a uma Zona 30 que defende uma intervenção abrangente naquele que é um dos bairros de Lisboa com maior densidade térmica e com menos espaços verdes, jardins e arvoredo.

A proposta #150 “Telhados Verdes” visava intervir em edifícios públicos e privados tendo como objectivos a redução das facturas de energia eléctrica, a diminuição das emissões de gases de efeito de estufa e um incremento geral da qualidade de vida das comunidades locais.

O que defende esta proposta no OP para 2021 é, na vertente da construção nova ou renovada por particulares, a alteração dos códigos municipais por forma a que estes edifícios tenham sempre coberturas (“telhados”) verdes. De igual forma, e com ainda maior abrangência, defende que sobre outras estruturas de mobiliário urbano (tais como paragens de autocarro, quiosques, postes de iluminação, etc) sejam construídos pequenos jardins com plantas de baixa manutenção e consumo de água.

Esta proposta defende igualmente que exista um plano abrangente de instalação deste tipo de telhados em edifícios que são património do município e que, especialmente nestes últimos sejam colocados nestes telhados sistemas de geração de energias alternativas (painéis fotovoltaicos, painéis térmicos e aerogeradores) que aumentem a autonomia energética dos edifícios e que, juntamente com sistemas de captação de águas pluviais possam autonomizar a manutenção destas áreas verdes, manter pequenas hortas mantidas por habitantes ou trabalhadores dessas construções com os benefícios na redução de stress e da preservação de espécies (pássaros silvestres e abelhas), criando pequenos ecosistemas que além da contribuição visual para a riqueza da cidade, para a autonomia energética e alimentar, serão também pequenos centros de lazer e locais activos de combate às “vagas de calor” que, todos os anos, causam a morte a centenas de lisboetas (a última grande vaga de calor foi em 2018 e provocou a morte a mais de 1500 portugueses).

Acredito que os “telhados verdes” serão, de facto, barreiras térmicas para os habitantes e trabalhadores (que assim não terão que depender tanto do ar condicionado) e reduzirão significativamente a temperatura dos bairros em que se encontrarem inseridos e que a sua adopção de uma forma generalizada nos edifícios públicos pode servir de exemplo para os particulares e criar uma cidade mais verde e sustentável.

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